Sexta-feira, Dezembro 31, 2004
Jai Guru Deva, Om
Apeteceu-me, pronto!
Take your protein pills and put your helmet on
Ground control to Major Tom: Commencing countdown engine's on
Check ig-nition and may God's love be with you
This is ground control to Major Tom, you've really made the grade!
And the papers want to know whose shirts you wear,
Now it's time to leave the capsule if you dare
This is Major Tom to ground con-trol, I'm stepping through the door
And I'm floating in the most peculiar way
And the stars look very difeerent today
For here am I sitting in a tin can, far above the world
Planet Earth is blue and there's nothing I can do
Though I'm passed one hundred thousand miles, I'm feeling very still
And I think my spaceship knows which way to go,
tell my wife I love her very much she knows
Ground control to Major Tom:
Your circuit's dead, there's something wong.
Can you hear me Major Tom?
Can you hear me Major Tom?
Can you hear me Major Tom? Can you ...
Here am I floating round my tin can, far above the moon
Planet Earth is blue and there's nothing I can do
Quinta-feira, Dezembro 30, 2004
Passos em Redor
Senhora das tempestades e dos mistérios originais
quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo
trazes o terramoto a assombração as conjunções fatais
e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo.
Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
há uma lua do avesso quando chegas
crepúsculos carregados de presságios e o lamento
dos que morrem nos naufrágios Senhora das vozes negras.
Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
nasce uma estrela cadente de chegares
e há um poema escrito em página nenhuma
quando caminhas sobre as águas Senhora dos sete mares.
Conjugação de fogo e luz e no entanto eclipse
trazes a linha magnética da minha vida Senhora da minha morte
teu nome escreve-se na areia e é uma palavra que só Deus disse
quando tu chegas começa a música Senhora do vento norte.
Escreverei para ti o poema mais triste
Senhora dos cabelos de alga onde se escondem as divindades
quando me tocas há um país que não existe
e um anjo poisa-me nos ombros Senhora das Tempestades.
Senhora do sol do sul com que me cegas
a terra toda treme nos meus músculos
consonância dissonância Senhoras das vozes negras
coroada de todos os crepúsculos.
Senhora da vida que passa e do sentido trágico
do rio das vogais Senhora da litúrgia
sibilação das consoantes com seu absurdo mágico
de que não fica senão a breve música.
Senhora do poema e da oculta fórmula da escrita
alquimia de sons Senhora do vento norte
que trazes a palavra nunca dita
Senhora da minha vida Senhora da minha morte.
Senhora dos pés de cabra e dos parágrafos proibidos
que te disfarças de metáfora e de soprar marítimo
Senhora que me dóis em todos os sentidos
como um ritmo só ritmo como um ritmo.
Batem as sílabas da noite na oclusão das coronárias
Senhora da circulação que mata e ressuscita
trazes o mar a chuva as procelárias
batem as sílabas da noite e és tu a voz que dita.
Batem os sons os signos os sinais
trazes a festa e a despedida Senhora dos instantes
fica o sentido trágico do rio das vogais
o mágico passar das consoantes.
Senhora nua deitada sobre o branco
com tua rosa-dos-ventos e teu cruzeiro do sul
nascem faunos com tridentes no teu flanco
Senhora de branco deitada no azul.
Senhora das águas transbordantes no cais de súbito vazio
Senhora dos navegantes com teu astrolábio e tua errância
teu rosto de sereia à proa de um navio
tudo em ti é partida tudo em ti é distância. Senhora da hora solitária do entardecer ninguém sabe se chegas como graça ou como estigma onde tu moras começa o acontecer tudo em ti é surpresa Senhora do grande enigma.
Tudo em ti é perder Senhora quantas vezes
Setembro te levou para as metrópoles excessivas
batem as sílabas do tempo no rolar dos meses
tudo em ti é retorno Senhora das marés vivas.
Senhora do vento com teu cavalo cor de acaso
tua ternura e teu chicote sobre a tristeza e a agonia
galopas no meu sangue com teu cateter chamado Pégaso
e vais de vaso em vaso Senhora da arritmia.
Tudo em ti é magia e tensão extrema
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
batem as sílabas da noite no coração do poema
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos.
Tudo em ti é milagre Senhora da energia
quando tu chegas a terra treme e dançam as divindades
batem as sílabas da noite e tudo é uma alquimia
ao som do nome que só Deus sabe Senhoras das tempestades.
Manuel Alegre
Quarta-feira, Dezembro 29, 2004
O quê?
"Se o Paulo Portas era o rei das feiras eu vou transformar-me num imperador das feiras"
Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara de Gaia, na conferência de imprensa em que se apresentou como cabeça da lista de deputados do do PSD ao círculo de...Braga.
"Braga deve ser a capital de uma região Norte de cinco distritos, para afastar a ideia de um Porto omnipoderoso"
Idem
"Ser cabeça de lista no Porto não é nenhum problema especial. É muito mais apetecível ser candidato em Braga. Se me dessem a escolher em que distrito me candidataria, de entre todos os da região Norte, escolheria sempre o de Braga"
Ainda Menezes...
"O que eu acho, sinto e vejo é que num momento como este, há uma maior apetência para a divulgação com grande destaque de notícias que não são verdadeiras".
Miguel relvas, secretário-geral do PSD
"Assistimos a uma inacreditável crispação política por parte de alguma Comunicação Social e de interesses corporativos que contribuíram para que a estabilidade governativa fosse, constante e injustamente, posta em causa».
Santana Lopes
"É difícil o PS abdicar das concepções neoliberais".
Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP
"Só os burros não mudam".
Idem
"Matilde Sousa Franco [cabeça de lista do PS em Coimbra] é uma candidata muito fraca e não tem um perfil nem técnico, nem jurídico que se exige a um deputado candidato a Coimbra".
Jaime Soares, líder da distrital de Coimbra do PSD
"Campanha do PS não vai à lota de Matosinhos"
Título do Correio da Manhã"
"Alguma coisa não bate certo"
Título da crónica de Mário Bettencourt Resendes no Diário Digital
"Abyssus abyssum invocat. O PS espera que o País sinta a tentação e as sinergias do abismo. Já deu para ver. Todos os ademanes de José Sócrates vão nessa direcção."
Vasco Graça Moura, eurodeputado eleito pelo PSD
Abruptamente, numa quarta-feira de manhã....
Soberba - dá-se nos abruptos incontinentes, traidores por feitio e natureza, que sempre se venderam por uma sacola de 30 dinheiros. É o pecado dos sem-vergonha, sem pátria e sem coluna. E dos inchados. E são muitos...
Só não percebi aquela dos abruptos incontinentes. Confirma-se: este rapaz vai longe.
Paraquedismo eleitoral
OS CABEÇAS
D E L I STA DO PS
Açores – Ricardo Rodrigues
Aveiro – Manuel Pinho
Beja – Luís Pita Ameixa
Braga – António José Seguro
Bragança – Mota Andrade
Castelo Branco – José Sócrates
Coimbra – Matilde S. Franco
Évora – Carlos Zorrinho
Faro – João Cravinho
Guarda – Pina Moura
Leiria – Alberto Costa
Lisboa – Jaime Gama
Madeira – Jacinto Serrão
Portalegre – Miranda Calha
Porto – Luís Braga da Cruz
Santarém – Jorge Lacão
Setúbal – António Vitorino
V. do Castelo – Luís Amado
Vila Real – Ascenço Simões
Viseu – José Junqueiro
Europa – Maria Carrilho
Fora da Europa – Aníbal Araújo
O ESPELHISMO
indiferente perante uma doentia, cobarde e ridícula tendência portuguesa para
estar bem com todos. Em mais nenhuma parte do mundo existem tantos
amigos de tanta gente.
Por muito que se insultem e traiam, seja em particular ou em público,
dois portugueses, quando se encontram, desfazem-se em desculpas: aquilo foi
uma precipitação... eu gosto muito de si, sabe ?
Esperamos é que se a tendência se mantiver, não se caia na tentação
de mandar escrever às vítimas cartas como aquela tão célebre, que recebeu
Lord Kimberley: "Ex.mo Senhor: amanhã tencionamos matá-lo. Mas fazemos
questão em dizer-lhe, que não veja nisso nada de pessoal."
Vem isto a propósito de uma ideia central: embora a política corporize
jogos de conflitos e de interesses, de classes e de ideologias, é no seu íntimo
um jogo do erro e da verdade. Por outras palavras, é vital não nos enganarmos
em política.
Apesar dos riscos, porque neste domínio roça-se constantemente o
cinismo ou o ridículo - e este género não admite qualquer forma de
vulgaridade, de banalidade ou de frivolidade -, este fenómeno permite-nos
compreender que a política é uma arte e não simplesmente uma profissão.
Embora seja um erro desprezar aqueles que exercem bem a sua
profissão, não deixa de ser verdade que em política tendo em conta o seu
objectivo, a mediocridade é mais prejudicial do que noutra carreira qualquer.
Afirmar serenamente e com determinação a coragem moral e intelectual,
é hoje um imperativo de quem preza, acima de tudo, a sua própria dignidade.
Ética, convicção e responsabilidade afirmam-se, assim, como princípios
e valores complementares, profundamente enraízados, para que o
pensamento e a acção política não se reduzam àquilo que Weber designou
por "odres cheios de vento, que não sentem nada do que estão a fazer, mas
que unicamente se incendeiam com sensações românticas."
Contudo, a exigência permanece implacável: a política tem de se ligar,
cada vez mais, à ideia de serviço público e de solidariedade voluntária. Só
assim a vida democrática poderá ganhar, sem cair na mediocridade do
predomínio aparelhístico, tão lucidamente analisado por Ortega y Gasset :
"quantos señoritos satisfechos nos rodeiam ?"
É tempo de afirmação, com coragem intelectual: ou defender uma
democracia limpa e séria, ou deixar conspurcar, em nome de ideias há muito
abastardadas, o que resta das convicções autênticas, no meio de um charco
em que a lama cresce e ameaça submergir os que nela escorregam.
Por isso, a acção política exige mais determinação e menos calculismo.
Dito de outra maneira: a sua nobreza não consiste na uniformização,
mas antes na diferenciação. É a resistência ao status quo, a busca do novo...
E o julgamento far-se-à, agora e no futuro, pela sintonia que terão
revelado com a marcha do tempo ou, pelo contrário, os que apenas serão
epifenómenos do romance do poder.
Como diria o Prof. Adriano Moreira, trata-se, afinal, de modificar o
espelho.
2014
INTERNET
Mais uma vez, a capacidade de reacção dos blogs surpreendeu os meios convencionais de comunicação de massas. Ler aqui.
Terça-feira, Dezembro 28, 2004
Susan Sontag
No seu livro “Regarding the pain of others”, Susan Sontag manifesta-se contra aqueles que convertem notícias em entretenimento. Contra eles Sontag dispara: "Ninguém, depois de uma certa idade, tem direito a esse tipo de inocência, de superficialidade, desse grau de ignorância ou amnésia".
"Regarding the pain of others" assume que todos somos espectadores (consumidores). Principalmente os que vivem nas regiões tranquilas do Planeta, distantes das guerras e do real sofrimento dos que amarguram. A este propósito Susan Sontag acusa: "Não são os fotógrafos que devem reparar a nossa ignorância. Tais imagens não são mais do que um convite a prestarmos atenção, a reflectir, aprender, examinar e racionalizar sobre o sofrimento em massa causado pelo poder estabelecido. Quem causou o que essas fotos mostram? Quem é o responsável ? É desculpável ? Foi inevitável ?".
Para compreender a realidade Susan Sontag desenvolveu um trabalho notável: partiu do fotojornalismo, acompanhou Roger Fenton e o seu trabalho no Vale da Morte, passou por Robert Capa durante a guerra civil espanhola, Buchenwald e Hiroshima, fome na India, Napalm e Vietname, limpeza étnica nos Balcãs, realizando um fantástico trabalho arqueológico.
Nascida em Nova York (1933), estudante da Universidade de Paris no final dos anos 50, Susan Sontag, além da fotografia, é autora de uma obra diversa, que abrange temas como literatura pornográfica, SIDA, estética fascista, música, etc. Talvez por isso tenha construído à sua volta tanta repulsa quanto admiração intelectual.
Solidariedade
Cáritas ajuda as vítimas do sudeste asiático
Banco: Caixa Geral de Depósitos
NIB: 003506970063091793082
Apelo de emergência da Cruz Vermelha
Banco: Banco Português de Investimento
NIB: 001000001372227000970
(Post "roubado" ao Cibertúlia - estou certo que o M. me vai perdoar)
Atchim!

A menor maioria
Em contraste, as minorias são tradicionalmente plurais, dispersas e quase sempre sem voto na matéria. São pouco práticas mas genuínas. Estar em minoria significa habitualmente lutar para não ficar à porta de um mundo em que o direito de admissão é reservado a maiores de 18. Na América, por exemplo, manda agora uma "moral majority" que impõe o silêncio e a mentira como um das belas artes; em Portugal houve em tempos uma "maioria silenciosa" que falava pelos cotovelos. O que une as minorias é quase sempre as suas diferenças e o que separa as maiorias é quase sempre as suas semelhanças. As maiorias absolutas desprezam a oposição e temem a dúvida quando não têm certezas.
Sócrates quer a maioria absoluta? Pois vai ter que a merecer.
(Vamos lá a ver se ele ainda se lembra)
O senhor que se segue
PASSOS EM REDOR
Menezes e Braga
Bom dia!
SEGREDO
A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.
Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.
Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.
Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.
Drummond de A.
Nel mezzo del cammin di nostra vita mi ritrovai per una selva oscura*
.
*Dante A. - Inferno I, canto 1 Clique aqui para ouvir
Segunda-feira, Dezembro 27, 2004
Mas quando abre, nada se abre com ela.
Abre sempre que quer, e fora da estação.
Paul Celan
Ásia
Veados
Festejar...
Pura e Simples
| Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não. Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não. Sophia de Mello Breyner Andresen |
Coisas que dão vontade de chorar
Coisas que dão vontade de rir
Boa tarde
Bob Dylan ou George W. Bush?
Sábado, Dezembro 25, 2004
Trocam-se...
Resposta a este blog.
NATAL É O NATAL
O Natal no centro comercial em decúbito dorsal.
O Natal colegial é ilegal, é sobrenatural.
O Natal no Bombarral e a porta da farmácia Barral
O Natal dum casal na presença do Cunhal.
O Natal no Faial, capital do Funchal.
O Natal de missa e a ceia no Ginjal.
O Natal, o vil metal e o triplo salto mortal.
O Natal fiscal mais o Quental a ler um texto papal.
O Natal liceal no Marquês de Pombal.
O Natal com um pardal e um pedal. Fundamental.
O Natal etc. e tal.
O Natal por Arrabal e um general já marechal.
O Natal da Vitória Principal não é em Vila Real.
O Natal do Freitas, do Amaral e da pia. A baptismal.
O Natal sensual e 22 de tensão arterial.
O Natal em diagonal, táctica do Sporting Clube de Portugal.
O Natal por edital e um banal enxoval… feudal.
O Natal da Compal extracção dum queixal.
O Natal constitucional passa pela revisão mensual.
O Natal de Álvares Cabral, bem bonito, por sinal.
O Natal oficial foi num curral. Muito formal.
O Natal tal e qual.
O Natal do queijo Rabaçal e da menina do Sardoal.
O Natal normal, embora oval, e 1000 de código postal.
O Natal, o adolescente Pascoal e o jejum pascal.
O Natal sensacional usa avental. Dois tremoços e uma imperial.
O Natal experimental é consoante a vogal.
O Natal paroquial. Está lá ? É da Sé Patriarcal ?
O Natal no Senegal e o Bocage em Setúbal.
O Natal oriental distingue-se do ocidental por 2 vírgula tal.
O Natal é o Natal. Se não for a bem vai a mal.
Sexta-feira, Dezembro 24, 2004
A linha do horizonte
As imagens do dia gravadas pelo RB são muito elucidativas. Sobretudo numa época de reconhecido minimalismo ético-ideal, de fragilidade das razões comunicativas, de crise de valores tão necessários à polarização da sociabilidade integrativa mas diferenciada, quando o equilíbrio entre o exercício da liberdade interior, assumida, crítica, e as suas condições externas é perturbado pela irrupção de corporativismos, de interesses de parte, de egoísmo, de violência, de puras concepções instrumentais da identidade colectiva, do bem comum ou do interesse geral.
|
E agora...
Inimigo Público

Inimigo Publico

Ainda o IP...
Ho!, ho!, ho!,
o c...!
A MAIORIA DAS PESSOAS CONSIDERA ESTA ÉPOCA
COMO SENDO DE PAZ E HARMONIA, UMA ALTURA EM
QUE SOMOS MAIS DADOS AO PRÓXIMO E APENAS
COISAS BOAS ACONTECEM. NADA PODIA ESTAR MAIS
LONGE DA VERDADE!!! O IP PUBLICA AQUI ALGUMAS
ESTATÍSTICAS DE NATAL VERDADEIRAMENTE
ASSUSTADORAS, AS ESTATÍSTICAS QUE ELES NÃO
QUEREM QUE VOCÊ SAIBA.
✮ 26% das pessoas bebem de mais na noite santa e acordam numa sarjeta,
sem pelo menos um órgão interno no seu corpo e com uma costura mal feita no
abdómen em forma de suástica;
✮ 68% dos homens que ajudam a mulher a rechear o peru adquirem um gosto
particular por “encher por trás” e saem de casa antes da Páscoa para viver
maritalmente com um travesti;
✮ 36% das pessoas que trincam a fava partem um dente e desenvolvem uma
hemorragia fatal, morrendo em agonia antes do fi m do ano;
✮ 42% das pessoas que enviam um SMS a desejar Boas Festas enganam-se no
número e enviam a mensagem para o telemóvel pessoal do Carlos Cruz, fi cando
doravante implicados no processo Casa Pia;
✮ 18% das pessoas que passam a noite de Natal em casa, a ver televisão,
apercebem-se fi nalmente da vacuidade e falta de sentido das suas vidas e
engolem duas embalagens de comprimidos;
✮ 59% dos homens que se vestem de Pai Natal embaraçam e traumatizam
para sempre os fi lhos, impelindo-os a uma vida de toxicodependência e
homossexualidade;
✮ 89% das pessoas que esbanjam dinheiro nesta quadra, motivados pelo
espírito generoso da época, recebem dia três de Janeiro uma visita do
inspector fiscal, acusando-os de ostentarem sinais exteriores de riqueza e
condenando-os a 10 a 12 anos no EPL, onde vão distribuir outra espécie de
gorjetas pelos reclusos da Ala C. VE/AM
Bom dia! E bom Natal!
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
David Mourão-Ferreira
Imagem do dia
As melhores fotos de 2004...
Afghan child, Mohammed Yaseen, 11, stares behind his mother's burqa while she waits for her voter identification card, at a voter registration center in Kabul, Afghanistan, Sunday, July 18, 2004. Afghanistan's delayed presidential election will take place Oct. 9 but a parliamentary vote originally scheduled to be held simultaneously was put off until the spring. According to the Joint Electoral Management Body of Afghanistan, up until now an estimated 6.5 million eligible voters, both men and women have registered to vote, 38 percent of which are women.
(Com vénia ao Antena Paranóica)
Quinta-feira, Dezembro 23, 2004
Another one bites the dust!


Em protesto contra a decisão do Governo de recorrer a uma parte do fundo de pensões da Caixa Geral de Depósitos, equivalente a mil milhões de euros, para evitar o incumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento, o presidente da CGD, Vítor Martins, pediu a demissão do cargo. Celeste Cardona nem tugiu, claro.
As coisas já não estavam fáceis para Martins desde que Bagão Félix revelou que a venda de património do Estado foi por água abaixo porque os consórcios bancários, liderados pela CGD e BPI, tentaram renegociar o contrato. Mas não foi apenas Martins a ficar insatisfeito com o coelho que Bagão tirou hoje da cartola - também os sindicatos prometem lutar contra a decisão do ministro, ameaçando até recorrer ao Tribunal Constitucional, por temerem que o seu fundo de pensões seja devastado por sucessivas investidas destinadas a maquilhar as contas públicas. A bola está, agora, do lado do Presidente da República. Acredito que Sampaio vai promulgar o documento do Governo, mas os tempos que vivemos são tão extraordinários que é melhor esperar para ver.
PS- Convém não esquecer que Vitor Martins substituiu António de Sousa e Mira Amaral à frente dos destinos da CGD. Ocupava o cargo desde o dia 1 de Outubro.
Adenda: O socialista Maldonado Gonelha, vice-presidente da CGD, acompanhou Vítor Martins na demissão. Ambos, no entanto, aceitaram permanecer nos cargos até que Governo nomeie uma nova administração, o que já não deve acontecer antes das eleições. Para Gonelha, calculo, a angústia não será muita.
A las cinco de la tarde.
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!
Xixi nos pneus
Um baton para a mesa do fundo, p.f.
Clara Ferreira Alves, em entrevista ao INDEPENDENTE
Depois de ler a entrevista da Clara, chego a uma conclusão: este país não a merece.Mas não a merece mesmo. Devíamos fazer uma recolha de fundos e mandá-la para um qualquer sítio qualquer, bem longe daqui, onde ela possa continuar a sua missão de grande educadora. Afinal, é ela, com uma modéstia impressionante, quem confessa que se sente deslocada em Portugal, este país de sevandijas, onde não há ninguém capaz de a entender. "Em certas coisas tenho um desapego absoluto pelo país. Não há muita gente em Portugal com quem me apeteça conversar.Vivo numa grande solidão intelectual". Pobre Clara! Pobrezinha! O meu coração sangra por ela.
Quarta-feira, Dezembro 22, 2004
Um gato que fede
Terry Gilliam, o homem que assinava as fantásticas animações do Circo Voador dos Monty Python, explicou uma vez que o segredo do sucesso do grupo britânico era a ausência da “punchline”, a frase de efeito que normalmente remata as anedotas. Explicou ele, durante a cerimónia de homenagem aos Monty Python no Festival de Comédia de Aspen, em 1998, (que John Cleese e companhia transformaram num delicioso pandemónio), que o grupo só começou a ter sucesso quando deixou de encenar piadas e passou a apostar no inesperado, no absurdo, no surreal. Em Aspen, perante uma plateia de boquiabertos norte-americanos, os Monty deram um bom exemplo do seu humor absurdo: insultaram a plateia, espalharam por todo o lado as cinzas de Graham Chapman (que morreu de cancro em 1989) e cantaram Always Look at The Bright Side of Life com um acompanhamento do outro mundo.
Num panorama televisivo português dominado pelo humor alarve da graçola encenada e da piada escatológica, a equipa do Gato Fedorento distingue-se pelo humor inteligente, que surpreende pela facilidade com que usa os temas do quotidiano para nos fazer rir. Não há ali piadas encenadas, nem “punchline”, nem recurso ao palavrão para provocar o riso. Os Gato Fedorento não são ainda os Monty Python, mas estão no caminho certo. Só precisam de não se deslumbrar, como dizem os comentadores desportivos.
Apesar de separados por 30 anos, entre o grupo britânico e o grupo português há mais semelhanças do que diferenças: são ambos jovens, com poucos meios mas muita imaginação e têm por trás uma televisão que lhe dá total liberdade criativa (a BBC, no caso dos Python). É caso para dizer: eu vi o futuro do humor português e o seu focinho era o de um gato. Um gato que fede.
Balanço do ano...
O prestidigitador

BOM DIA
| Receita de mulher
As muito feias que me perdoem Mas beleza é fundamental. É preciso Que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture Em tudo isso (ou então Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República [Popular Chinesa). Não há meio-termo possível. É preciso Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da [aurora. É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso Que tudo seja belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas Lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços Alguma coisa além da carne: que se os toque Como ao âmbar de uma tarde. Ah, deixai-e dizer-vos Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca Fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência. É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas No enlaçar de uma cintura semovente. Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem [saboneteiras É como um rio sem pontes. Indispensável Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida A mulher se alteie em cálice, e que seus seios Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas. Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal! Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de [coxas E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima [penugem No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!) Preferíveis sem dúvida os pescoços longos De forma que a cabeça dê por vezes a impressão De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca [inferior A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras Do 1° grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros. Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos Ao abri-los ela não mais estará presente Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer [beber O fel da dúvida. Oh, sobretudo Que ele não perca nunca, não importa em que mundo Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre O impossível perfume; e destile sempre O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável. |
Ouro, incenso e mirra


Que ninguém se espante se eu deixar de blogar nos próximos dias...
Publicidade ou propaganda?
Publicidade paga para explicar decisões tomadas (TSF)
Os jornais desta quarta-feira saem à rua acompanhados de uma mini-revista editada pelo Governo. Em menos de 30 páginas a cores, o Executivo pretende explicar as opções orçamentais. Com publicidade paga, o Governo pretende esclarecer as razões que o levaram a tomar as últimas decisões.
Terça-feira, Dezembro 21, 2004
Bem-vindo
Bem-vindo, Hélder. "Mi casa es su casa".
A METAMORFOSE
Leio e releio as notícias. É irresistível, por isso, a inclusão da história de Herberto Hélder, nos Passos em Volta e que poderia constituir um comentário e um desafio.
|
E agora Chovanec
O antigo internacional checoslovaco e seleccionador da República Checa Jozef Chovanec é o novo técnico do Beira-Mar, sucedendo a Manuel Cajuda, que na semana passada foi vítima da sétima chicotada psicológica da Superliga de futebol, segunda pessoal.
Jozef Chovanec, que assinou contrato com os aveirenses até ao final da época, teve um papel importante ao serviço da República Checa, que sob o seu comando se apurou para o Euro2000 sem perder um único ponto na fase de qualificação.
Internacional checoslovaco por 52 vezes (com quatro golos) e "capitão" da selecção no Mundial de Itália90, Chovanec vai ter como adjunto o antigo internacional búlgaro Stoycho Mladenov, ex-jogador do Belenenses, Vitória de Setúbal, Estoril e Olhanense.
(Lusa)

Agonia
Adenda: E o que dizer da utilização de jornais estrangeiros para apontar o dedo aos pecadilhos dos outros? Parecia um "sketch" dos Gato Fedorento.
Cuidado com o Bagão!
E o mais espantoso nisto tudo é que o ministro vem agora culpar a CGD e o BPI pelo falhanço do negócio que permitiria uma receita extraordinária considerada essencial para que Portugal cumpra os limites ao défice das contas públicas estabelecidas no Pacto de Estabilidade e Convergência. A CGD, senhores. Um banco do Estado, com uma administração nomeada já por este Governo e que até inclui essa luminária do CDS que dá pelo nome de Celeste Cardona. Portanto, a culpa agora é da Caixa. Não é do Governo, coitadinho. É da Caixa. Como já foi de António Guterres, da "pesada herança", da Oposição, dos jornalistas, da União Europeia, da dona Miquelina, da prima do ministro, do porteiro da Lux. A culpa é minha. Minha e do PR, que dissolveu a AR. É campanha eleitoral e eles esperam que ninguém leve a mal.
Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band

Bagão Félix
Bom dia!
Bela
esta manhã sem carência de mito,
E mel sorvido sem blasfémia.
Bela
esta manhã ou outra possível,
esta vida ou outra invenção,
sem, na sombra, fantasmas.
Umidade de areia adere ao pé.
Engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul
completa
sobre formas constituídas.
Bela
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.
Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo, repleto.
Carlos Drummond de Andrade
Insensibilidade e falta de senso

Faz sentido...
O independente Paulo Rangel candidata-se pelo PSD
Ele há gente muito burra...
os assaltos num diário
Parece que o homem tinha a intenção de narrar as suas aventuras num blog mas não teve tempo de roubar um computador...
Segunda-feira, Dezembro 20, 2004
Ainda a tempo
| Estava nos astros... Com reconhecimento ao RB vou postar um texto do escritor colombiano - e vencedor do Prémio Nobel de Literatura de 1982 - Gabriel Garcia Márquez.
"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo. Daria valor as coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate. Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, me vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma. Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mario Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria a Lua. Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas. Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida. Não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes - te amo, te amo. Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor. Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar. A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha. Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade esta na forma de subir a escarpa. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só têm o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo." |
Santa Claus
Nicolau Maquiavel
É preciso ter lata
Não vou aqui contestar o direito de PSL em atribuir as medalhas e o direito dos jogadores do FCP em as receberem. Independentemente de todo o mercantilismo associado ao jogo, é certo que o FCP dignificou lá fora o nome do país. Agora o que eu não compreendo é que o PS, pela voz do inefável Orlando Gaspar, venha acusar PSL de eleitoralismo. A acusação até pode estar certa, mas o PS é que não tem nenhuma autoridade moral para a fazer. Não foram os socialistas que andaram anos de beijo na boca com Pinto da Costa, aproveitando todas as boleias permitidas pelos triunfos do Dragão? Quantas vezes recebeu Fernando Gomes o FCP nos Paços do Concelho? Quantas vezes surgiu ele (e Nuno Cardoso a seguir) nas tribunas das Antas? E não é o PS que está de braços abertos para acolher Pinto da Costa?
Eleitoralismo? Provavelmente. Mas neste caso nenhum partido (mas nenhum, mesmo) deve atirar a primeira pedra.
E agora?
Birrinhas
Boa tarde!
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a sua fonte escondida
Te alcance em cheio o mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão, e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria
Cazuza
(Daqui a pouco já posto outras coisinhas...mas agora...deixem-me trabalhar!)
Domingo, Dezembro 19, 2004
Presidenciais americanas de 2008
Vade Retro, Pai Natal (2)
George W. Bush...
For sticking to his guns (literally and figuratively), for reshaping the rules of politics to fit his ten-gallon-hat leadership style and for persuading a majority of voters that he deserved to be in the White House for another four years, George W. Bush is TIME's 2004 Person of the Year.
Adenda:
A revista norte-americana foi a primeira a lembrar-se de escolher o seu "Man of The Year". Charles Augustus Lindbergh, o aviador que cruzou sem escalas o Atlântico Norte a bordo do monoplano Spirit of Saint Louis, foi o primeiro "Homem do Ano" da Time. Estava-se em 1927 e a revista acabava de lançar um conceito que viria a ser copiado, nas décadas seguintes, por publicações e instituições de todo o mundo.
A lista de escolhidos pela Time ao longo de mais de 70 anos é impressionante e a sua leitura é útil para compreender como evoluiu o século XX. O largo critério usado pela revista (escolher sempre a figura que, no ano respectivo, influenciou os acontecimentos mundiais para o melhor ou para o pior) permitiu a inclusão na lista de figuras surpreendentes. Está lá (quase) toda a gente, embora a maioria dos escolhidos seja norte-americana. Hitler (1938) e Estaline (1939 e 1943), mas também Churchill (1940), Gandhi (1931) ou Martin Luther King (1963).
Em 1936, o Homem do Ano foi uma mulher: Wallis Simpson, que levou o Rei de Inglaterra a abdicar do trono por amor. E em 1982, o Homem do Ano foi uma máquina: o computador pessoal, que começava a invadir os lares americanos. Nos últimos anos, a Time rendeu-se ao politicamente correcto e passou a escolher antes a Person of the Year. Aqui pode ser consultada uma galerias dos homens, mulheres e até máquinas do ano da Time.
Pensamento do dia
Sábado, Dezembro 18, 2004
PV
Santana
Câmara do Porto
«Porto não aguenta mais cinco anos de Rui Rio»
Há meses que ando a dizer e a escrever (como se pode confirmar consultando os arquivos deste blog) que Rui Moreira estava a preparar-se para lançar uma candidatura à Câmara do Porto. É evidente que a eventual candidatura está a ser alavancada (adoro esta expressão brasileira) por gente ligada aos jornais, gente que não suporta o o presidente da autarquia portuense e que por isso decidiu alinhar na campanha de promoção de Moreira, claramente gizada por Luís Filipe Menezes e abençoada por Fernando Gomes. Um par que, recorde-se, sempre se deu bem, quanto mais não seja porque estão unidos no ódio a Rio. Só não vê quem não quer.E percebem agora porque é que Menezes até já dá abraços a Rio, enquanto lhe vai tentando espetar mais uma faca nas costas? O que é incrível é que o PS, na sua ânsia de conquistar mais uma câmara e sem um candidato ganhador no horizonte (já que o aparelho rejeita a independente Elisa Ferreira) admita vir a apoiar uma figura que sempre andou de mão dada com o CDS-PP, enquanto flirtava com o PSD menezista. O mundo dá muitas voltas, não há dúvida. E Pinto da Costa já tem em quem apostar para o sonhado ajuste de contas com Rio.
- E.B. White
Sábado
Merecido!
como o melhor programa de 2004
E quando estiver com menos sono explico porquê...
Cabeça à roda
“Um exemplo da ineficiência
do investimento público são
as rotundas que nascem
como cogumelos em todas
as autarquias. Não existe no
mundo inteiro um país com
mais rotundas por cada mil
habitantes”
Ex-primeiro-ministro
CAVACO SILVA
E não é que tenho que concordar com o professor? Nos últimos anos os autarcas desataram a fazer rotundas como se disso dependesse a sua vida. O mais pequeno concelho do país, São João da Madeira, tem 104 (sim, cento e quatro) rotundas espalhadas por pouco mais de oito quilómetros quadrados. E quando não estão a fazer rotundas, os autarcas estão a autorizar a instalação selvagem de lombas (quebra-molas, chama-lhes o pessoal, e com razão) e de semáforos limitadores de velocidade em qualquer sítio. Vai-se por essa Europa fora e vê-se que foram encontradas soluções mais agradáveis e seguras, como a colocação de canteiros de flores que forçam os condutores a abrandar. Mas esses exemplos caem em saco roto. O que interessa é mandar fazer mais um rotunda e colocar no meio um qualquer horrível mamarracho encomendado aos "artistas" que vivem na dependência das autarquias...
Santana teme o quê?
1º-ministro faz-se acompanhar 24 horas por dia por unidade de cuidados intensivos
O 1º-MINISTRO, Pedro Santana Lopes, requisitou ao INEM o equipamento de emergência reservado ao acompanhamento de altas individualidades, fazendo-se acompanhar permanentemente por esses meios de socorro, no país ou no estrangeiro. O equipamento, uma espécie de unidade de cuidados intensivos móvel, foi solicitado ao Ministério da Saúde sob confidencialidade antes de Santana Lopes ir ao Brasil, em meados de Setembro, não tendo sido devolvido
Este homem não pára de nos surpreender. Dezasseis seguranças, sestas, guinadas, jantares oficiais trocados por idas à discoteca, e agora um "hospital" em S. Bento! Mas, afinal, o que teme PSL? Que alguém tente agredi-lo, alvejá-lo? Que alguém tente envenená-lo? Julga-se um Yushchenko, um JFK, vá lá...um Sá Carneiro? A única coisa que ele definitivamente não teme é o ridículo. E alguém devia avisá-lo de que o ridículo mata.
Sexta-feira, Dezembro 17, 2004
Desabafo de final de semana
- Aposto que gostarias de me ver morto, só para ter o prazer de cuspir na minha sepultura!
- Não... de jeito nenhum. Detesto perder tempo em filas..."
Inimigo Público
Luís Delgado assina
com a SIC contrato
por objectivos
O comentador e vidente Luís Delgado,
que há 15 dias previu um mês
de Dezembro politicamente calmo
e esta semana garantiu “com um grau de
probabilidade de 99 por cento” que PP e
PSD iriam concorrer juntos às legislativas,
assinou um contrato por objectivos com a
SIC Notícias: a partir de agora, só recebe
quando acerta. Delgado também se obriga
a um momento semanal de burlesco, como
o da sexta-feira passada, quando disse que
o poder de Sampaio dissolver o Parlamento
anda ela por ela com o de Bush disparar
mísseis nucleares contra a Rússia. . MB
Águia Vitória
está lesionada
O departamento médico do Benfi ca
emitiu o habitual comunicado
semanal sobre a situação
clínica do plantel: mantém-se a
indisponibilidade de metade do
plantel para a prática profi ssional do
futebol e de Luís Filipe Vieira para
a língua portuguesa. Mantorras lá
está, Luisão às vezes está e Everson
é capaz de não estar por muito
mais tempo. A principal novidade
acabou por ser a baixa clínica da
águia Vitória, que foi entregue aos
cuidados do massagista Rodolfo
Moura. Vitória tem uma lesão na
tíbio-társica contraída por ter levado
uma paulada de um Diabo Vermelho
que tentava acertar em Paulo
Almeida. MB
Monteiro quer
coligação
com PCTP/MRPP
ou PP…
Manuel Monteiro já decidiu: o
Partido Nova Democracia está
consciente do seu enorme peso
social e implantação na Internet
e apenas admite coligar-se com
forças e movimentos da sua
família política como o PS, o
PSD, o PP, o Bloco, as deputadas
verdes, o PCP, a Liga Árabe, o
PCTP/MRPP, a banda da Praça
da Alegria, aquele partido
nacionalista açoriano, o Beira-Mar,
a Associação Humanitária dos
Bombeiros Voluntários da Trofa,
os monárquicos, a Microsoft, a
Juventude Leonina, os Ena Pá
2000, os tísicos, a AIP, a CGTP, os
STCP, o Patriarcado de Lisboa, a
OPEP, a maçonaria, os batanetes,
o antigo PRD, o MPLA, o Likud, o
agrupamento musical Delfins e o
POUS, é claro. MB
Fel
Bom, pelo menos Rui Rio já tem o julgamento marcado, coisa que não se pode dizer de toda a gente. Esta tentação de Pinto da Costa de se meter na politiquinha é recorrente e só lhe fica mal. A relação do FCP com a autarquia portuense ao longo dos últimos 20 anos daria um interessante "case study", pelas melhores e sobretudo pelas piores razões. E as relações do FCP com a câmara de Gaia já deram pelo menos direito a um inquérito do Tribunal de Contas. O que não sendo caso virgem no país (recorde-se o que se passou em LX com o Benfica e o executivo de PSL) não deixa de ser inquietante.
O quê?
Jardim vai repatriar imigrantes
E enquanto esperam por bilhete talvez Jardim os meta num campo de re-educação. Ou simplesmente os atire ao mar. Um homem destes é capaz de tudo. De emigrantes a arrogantes numa geração.
Bom dia!
O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Quinta-feira, Dezembro 16, 2004
Paulo Portas à Judite
1º, claro, a imagem, a preparação cuidade, o botão de punho, a camisa de cor forte e, claro, a gravata com tons a condizer com o cenário. Mais, a condizer com o cenário que estava por trás da entrevistadora! Muito bem, assim se justificam os salários dos assessores de Sua Exª. o Ministro de Estado, da Defesa E dos Assuntos do Mar.
2º, algum do conteúdo, ou melhor, da ausência de interpelação à demagogia contínua de Paulo Portas:
a)- diz que, no preciso momento em que começa a retoma económica, o Presidente da República dissolve a AR, "esquecendo-se" a jornalista de questioná-lo dizendo que há meses que Durão Barroso e seus ministros - entre os quais o próprio PP- já falavam na retoma à porta...
b)- Paulo Portas diz que a legislatura é de quatro anos, que não, nunca, abandonaria o mandato e a jornalista, GRAVEMENTE, "esquece-se" de recordar-lhe que se alguém abandonou o barco foi o Primeiro-Ministro "eleito", Durão Barroso, parceiro de coligação, líder do partido mais votado, etc....;
c)- Paulo Portas queixa-se que não pode haver "críticos" (do PSD), falta de disciplina,, etc... e a ex-colega jornalista "esquece-se de lhe recordar que ele próprio, jornalista, director de jornal não se esquecia de criticar, de exigir demissões (mesmo que a meio dos mandatos...), etc.. etc...
PV
P.S.: Não queria extrapolar, mas tendo em conta que a referida jornalista, apesar de um passado comunista, vive há anos e casou há pouco (segundo as colunas sociais) com um destacado dirigente do PSD, Fernando Seara (salvo erro membro da recém-eleita Comissão Política do PSD), a entrevista não correu muito bem para ela (como correu a semana anterior a de Jerónimo de Sousa, do PCP), mas correu bem para PP.
Mar Salgado
Natal dos hospitais
Rumar ao Sul
“Welcome to India, sir!”
É praticamente uma verdade científica: a eficiência de um taxista de Bombaim mede-se pelo número de amolgadelas do seu carro. Um Fiat amarelo e preto com um farolim pendurado, portas riscadas e guarda-lamas amassado é a prova irrefutável de que o condutor é capaz de enfrentar com desembaraço o trânsito insano de Colaba à hora de ponta. Não interessa se o condutor vai desrepeitar todas as regras de trânsito (em Bombaim toda a gente desrepeita as regras de trânsito...), se vai buzinar como um louco durante todo o percurso, ou se o piso do carro tem tantos buracos que se consegue ver o alcatrão. O que é importante é que são quatro da tarde, o aeroporto de Bombaim derrete sob um sol impiedoso e nós com ele, e que o ar se transformou num manto diáfano de poeira e fumo, que se pode cortar à faca e que cheira como um animal atropelado há 15 dias à beira de uma via rápida.
O táxi de Sandeeep prometia. A porta do condutor soldada para não cair, o “capot” com mais mossas do que a cara de um pugilista depois de 15 “rounds” com Mike Tyson e um altar de Lord Ganesh aparafusado ao “tablier” eram a garantia de uma viagem cheia de emoções até Apolo Bunder, até à zona dos ricos e dos turistas, dos hotéis com ar condicionado e vista para o Gate of India. E depois havia Sandeep. Marca de casta na testa, bigode enrolado nas pontas e um sorriso aberto. Atravessar Bombaim em hora de ponta, carregado com quatro turistas branquelas e meio zonzos pelo jet-lag e um número incontável de malas? “No problem, sir! Welcome to India”.
Quase todos os livros de V.S. Naipaul sobre a Índia começam no aeroporto internacional de Bombaim e é fácil perceber porquê. É ali (mais até do que em Dehli) que começa a Índia. Não a “Índia do milhão de aldeias” de que falava Gandhi, mas a Índia das grandes metrópoles. Bombaim tem camadas, como a cebolas, e o táxi de Sandeep atravessou-as a todas, aos ziguezagues e aos tombos, num coro ensurdecedor de buzinadelas e imprecações em hurdu, hindi, konkani e até inglês. E um e outro grito de pânico em português, claro.
Sandeep rompeu pelo meio do bairro da lata que asfixia o aeroporto, assustou mulheres que lavavam a roupa à porta das barracas, perturbou o sossego dos homens que faziam as suas abluções no passeio, desembocou no meio da avenida congestionada como um bandarilheiro numa praça de touros, driblou daqui, tenteou dali, empurrou com um ligeiro toque de guarda-lamas um riquexó mais preguiçoso, ignorou o sinal vermelho junto ao “Soppers Stop” deixando para trás uma multidão desconsolada de mendigos, passou uma tangente ao polícia sinaleiro de Colaba e travou por fim junto ao West End Hotel. “You are home, sir”! Nada mais certo. Estamos em casa, ali junto ao hospital, perto do mar viscoso que brilha no escuro, abrigados pela copa das árvores que escurece a rua e protege as gentes, embalados pelos gritos dos corvos e os cânticos dos fiéis a Rama, sentindo nascer desejos de “gulab jam”, “mangolas” e arroz “biriani”. A Índia entra-nos no coração mais depressa do que o táxi de Sandeep leva para romper pelas colinas de Malabar acima. E deixa cicatrizes que duram para sempre. Felizmente.
Zoologia
Aqui fica um pedacinho da política à moda da Madeira:
Interrompido por vários àpartes do presidente do governo, Alberto João Jardim, quando interpelava o vice-presidente do governo, Jacinto Serrão lembrou a Jardim que, na véspera, ouvira em silêncio o seu discurso de duas horas e meia, tão longo que, disse, faria "adormecer rinocerontes". A este comentário reagiu energicamente Jaime Ramos que endereçou ao presidente socialista os epítetos de "rinoceronte", "gatuno" e "burro".
O deputado socialista ripostou advertindo Ramos a não entrar pelo "caminho da zoologia". Depois acusou o líder da bancada social-democrata de chegar a "milionário ao fim de dez anos", quando antes era "vendedor de sifões de retretes". "Onde arranjaste o dinheiro?", questionou.
Lindo!
Mainardi
Ouçam o coronel
Turquia será «cavalo de Tróia» do mundo islâmico
A Turquia será «o cavalo de Tróia» do mundo islâmico na União Europeia (UE), considerou o presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, numa entrevista a meios de comunicação italianos.
Bom dia!
VOU ME EMBORA PRÁ PASÁRGADA
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro bravo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito a beira do rio
Mando chamar a mãe-díágua.
Pra me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóides à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira
Ouça o poema "Vou me embora prá Pasárgada" em Real Áudio, declamado pelo autor. Clique aqui!
Quarta-feira, Dezembro 15, 2004
Filha com mail...
É importante continuarmos a divulgar a sociedade de informação, como o fez o Governo de António Guterres e o meu amigo Diogo Vasconcelos na Unidade de Missão inovaçãoe Conhecimento. Parabéns
E agora?António Sousa...
Agora, como quase sempre no Beira-Mar...regressa Sousa!
O tal "caso"
Alívio
As meninas de Fortaleza
Frase do dia
Então e a incubadora?
Catavento
Anteontem, o líder do PSD, Pedro Santana Lopes, voltou a mudar de posição sobre uma coligação pré-eleitoral com o CDS, o que obrigou a mais um compasso de espera no anúncio de uma decisão que era esperado desde que, há duas semanas, se soube que o Presidente ia dissolver o Parlamento.
Reflexão...
A ler
Peni-Penny em Inhambane
antigos, e dei por mim de repente a rebentar de saudades de Moçambique. Não vou massacrar-vos com mais lugares comuns sobre o sol, o calor, os cheiros e as pessoas. África dispensa mais literatura barata. Não conheço nenhum soneto que possa rivalizar com a cadência do mar do Tofo. Hoje quero apenas falar-vos de Peni-Penny.
Peni-Penny... conhecem-no? Provavelmente não. Eu também não sonhava sequer que ele existia até ao dia em que o destino nos colocou frente-a-frente. Ele em cima de um palco, manejando a guitarra como se se tratasse de uma metralhadora; eu encerrado entre quatro paredes, com algodões enfiados nos ouvidos e uma raiva homicida a brotar-me do peito. Infelizmente o embate foi longo, demasiado longo, penosamente longo, e terminou com o triunfo absoluto de Peni-Penny. Maldito Peni-Penny!
O dia em que Peni-Penny quase me levou à loucura até tinha começado bem. O sol acabara de nascer quando o mecânico da Avenida Karl Marx surgiu na casa da Matola ao volante do velhinho Toyota, que na véspera tinha avariado junto ao Polana, em Maputo. Tinhamos dado o carrinho por perdido, julgando precipitadamente que a avaria era irremediável, mas afinal o estrago resumia-se a uma rachadura na tampa do distribuidor. Com ajuda de um secador de cabelo e de um rolo de fita adesiva o mecânico "marxista" pôs o carro novamente a rolar.
Arrancámos logo a seguir para Inhambane, comigo a dormir no banco do passageiro, tentando recuperar de uma noite passada a andar a pé entre Maputo e a Matola. Acordei com o primeiro furo ainda antes do desvio para Bilene. Na mala havia um pneu sobressalente mas não havia macaco. Por isso tivemos que levantar o carro em peso com ajuda de umas pessoas que iam para a missa. Mandámos reparar o pneu mais à frente e comprámos um macaco enferrujado, que se revelou muito útil quando surgiu o segundo furo. Mas já serviu de pouco quando ocorreu o terceiro. Valeu-nos uma carrinha de distribuição dos preservativos “Jeito”, que me deu uma boleia até à povoação mais próxima. "Meu irmão, é melhor que fure o pneu do que a camisinha", filosou o condutor.
Regressei a pé ao Toyota, fazendo rolar os dois pneus acabados de reparar, sob um sol impiedoso que derretia o alcatrão. Os meus colegas de viagem descansavam à sombra de um cajuzeiro, já sem forças para afastarem sequer as moscas.
O nosso aspecto à chegada a Inhambane era assustador: dois branquelas de cabelos desgrenhados, lábios gretados pela sede, e um africano com cara de poucos amigos e uma voz de trovão. Com uma palavrinha ali, e uma cervejinha acolá, desencantámos uma casa junto ao Liceu. Na Gahia, deserta àquela hora, arranjou-se umas postas de peixe-serra. E lá cabeceámos de sono no Xiphefo, enquanto Chiquinho Guita teorizava sobre as virtudes de misturar cerveja com tequilha. Era quase meia-noite quando, finalmente, me preparei para dormir. E foi então que Peni-Penny entrou em cena.
Primeiro ouvi passos e risos abafados. Espreitei pela janela e vi um mar de gente que se dirigia ao campo de futebol, meia centena de metros mais abaixo, no meio de uma escuridão total. A música jorrou de repente, como se alguém tivesse aberto uma torneira. Tambores, coros e uma guitarra eléctrica estridente que cortava a noite em duas. E então Peni-Penny desatou a cantar. Às duas da manhã ele ainda cantava e eu trepava pela paredes; às quatro eu tinha olheiras do tamanho de pratos de sopa e ele cantava; às seis eu hesitava entre o suícidio e o impulso de o esganar e ele cantava. Desesperado, fugi para a praia do Tofo, onde passei o dia a dormir dentro do Toyota. À despedida de Inhambane, um engraçadinho ofereceu-me uma cassete do Peni-Penny. Ainda a conservo, mas nunca a ouvi. Maldito Peni-Penny!
Bom dia!
Paquetes sem luzes, navios sem velas
Visões invisíveis, terríveis assombros
Montões de vasculhos, enormes escombros
Há ventos raivosos, tufões e procelas
Lanchas destruídas, velhas caravelas
E barcos perdidos sem mais viajar
Navios que o tempo tentou afundar
Somas valiosas, tesouros mantidos
Segredos do mundo que estão escondidos
No leito salgado do fundo do mar
Tem monstros que vivem no reino abissal
Num mundo profundo aonde não vai
O homem que entra dali nunca sai
Nem a batisfera veículo pra tal
Nenhum oriente nem ocidental
Contempla o mistério que vou consagrar
Ouvir a sereia Anfertiti cantar
A onda que geme e que hipnotiza
O fim da história na minha camisa
Que lavo na espuma da beira do mar
Zé Ramalho
Terça-feira, Dezembro 14, 2004
Ainda a entrevista a Morais Sarmento
Cada um por si

"Nunca tinha visto um casal divorciar-se e prometer voltar a casar-se daqui a pouco"
Miguel Sousa Tavares
Esperar para ver
É quase Natal
2004 Weblog Award Winners
A crise chega a todos
A cadeia britânica BBC alcançou na semana passada os níveis de audiência mais baixos de sempre. O canal BBC1 situou-se, pela primeira vez na história, abaixo dos 25% de share, ao perder 3,5% desde Janeiro de 2004.
A entrevista do DE a Morais Sarmento
Parabéns...
Parabéns
Bom dia!
Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será que você está agora?
(Adriana Calcanhoto)
Demagógico, eu?
Banca acusa Portas de demagogia
Demagógico, o líder do CDS-PP? Não sei onde foram buscar essa ideia...
Até a The Economist...
A revista The Economist considera que faltou «orientação» ao Governo de Pedro Santana Lopes e mesmo «autoridade política». Segundo o DN, numa análise à economia e situação política portuguesa - efectuada pelo núcleo de investigação da revista britânica, antes da eclosão da actual crise política - a revista destaca a «imagem global de um Governo sem liderança efectiva» e com «falta de coordenação política».
Pensamento do dia
Foi você que pediu uma sandocha de leitão?
Quando andava a fazer alguma pesquisa para escrever um texto sobre o leitão da Bairrada para a revista do CEC, encontrei na Internet uma história curiosa acerca do poeta e publicitário brasileiro Celso Japiassu. Numa deslocação à Europa, Japiassu aterrou em Paris, deu uma espreitadela rápida ao Louvre e à Torre Eiffel, e depois alugou um carro e rumou a Portugal. Ao contrário do que é habitual com os seus compatriotas, Japiassu não foi em peregrinação a Fátima, nem andou por Lisboa a admirar o Mar da Palha e o Parque das Nações. Não foi sequer comprar pastéis de Belém, um "must" para qualquer turista.
Japiassu não perdeu tempo com "coisas menores"e foi direitinho à Mealhada para comer um suculento leitão assado. Regado com espumante da Bairrada e acompanhado de batatas fritas cortadas à rodelas, salada de alface, laranjas e pão de trigo.
Não conheço pessoalmente Celso Japiassu. Nunca falei com ele. Celso Japiassu não é meu amigo. Na Internet não havia nenhuma fotografia dele, por isso não sei dizer-vos se é alto ou baixo, gordo ou magro (embora suspeite que seja "largo de ossos"), branco ou negro. Mas devo confessar que sinto um enorme respeito por um homem como ele, que sabe quais são as suas prioridades na vida.
Ora reparem: um homem mete-se num avião, atravessa um oceano, vira as costas a uma das mais belas cidades do mundo, conduz sem parar durante um dia inteiro e acaba sentado à mesa do Pedro dos Leitões, na Mealhada, a devorar um bácoro. Homens desta têmpera, que sabem o que querem, são cada vez mais raros. Têm a dimensão trágica de um Ulisses e a gula de um Obélix.
O leitão assado à moda da Bairrada é assim: não deixa ninguém indiferente. Japiassu não resistiu à pele estaladiça, à carne macia e perfumada do bicho, ao molho que mistura de forma deliciosamente letal alho, pimenta, salsa, banha, louro. Quem o pode censurar? Sim, porque Japiassu não foi o primeiro nem será o último a sucumbir aos encantos do bácoro criado a leite de mama. Gente mais importante, mais conhecida, mais mediática, tombou de joelhos perante os encantos do leitão da Bairrada. A rainha de Inglaterra, por exemplo. Sim, sua majestade encomendou em tempos meia-duzia de leitões da Bairrada ao restaurante Vidal, de Aguada de Baixo (Águeda). Os bichos foram assados com esmero e depois transportados até Londres, com o maior cuidado, nos porões da British Airways. Aliás, os britânicos são grandes apreciadores de leitão da Bairrada, e o actor Roger Moore (que interpretou os papéis de 007 e de "O Santo") e o cantor Cliff Richard ("sir" Cliff Richard, que é para manter o assunto em domínios aristocráticos) eram vistos com frequência à mesa dos restaurantes da Mealhada.
O que é bom para a Rainha ou para o 007 é bom para qualquer Japiassu deste mundo. É bom para mim também, claro. Mas acontece que eu, em matéria de leitão assado, levo uma vantagem considerável sobre a Rainha Isabel, sobre "sir" Cliff e sobre o "Santo", apesar das minhas raízes mais modestas, . Eu nasci junto à Bairrada, cresci com o cheiro do bácoro assado e fui alimentado a sandes de leitão desde tenra idade. Sou um privilegiado, eu sei. E os protectores dos animais que me perdoem, mas subscrevo inteiramente a posição de um grande amigo meu: não há melhor animal de estimação que o leitão da Bairrada.
A envelhescência
Se você tem entre 45 e 65 anos, preste bastante atenção no que se segue.
Se você for mais novo, preste também, porque um dia vai chegar lá. E, se já passou, confira.
Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes: infância, adolescência, maturidade e velhice. Quase correto.
Esqueceram de nos dizer que, entre a maturidade e a velhice (entre os 45 e os 65) existe a envelhescência.
A envelhescência nada mais é que uma preparação para entrar na velhice, assim como a adolescência é uma preparação para a maturidade.
Engana-se quem acha que o homem maduro fica velho de repente, assim da noite para o dia.
Não!!! Antes a envelhescência!!!
E, se você está em plena envelhescência, já notou como ela é parecida com adolescência?
Coloque os óculos e veja como este novo estágio é maravilhoso:
- Assim como os adolescentes, os envelhescentes também gostam de meninas de 20 anos.
- Os adolescentes mudam a voz. Os envelhescentes também.
- Os adolescentes não têm idéia do que vai acontecer com eles daqui a 20 anos. Os envelhescentes evitam pensar nisso.
Ninguém entende os adolescentes... Ninguém entende os envelhescentes. Ambos são irritadiços, enervam-se com pouco. Acham que já sabem de tudo e não querem palpites nas suas vidas.
Os adolescentes não entendem os adultos e acham que ninguém os entende. Os envelhescentes também não entendem eles.
'Ninguém me entende' é uma frase típica de envelhescente.
Quase todos os adolescentes acabam sentados na poltrona do dentista e no divã do analista. Os envelhescentes, também. A contragosto, idem.
O adolescente adora usar uns tênis e uns cabelos "da hora". O envelhescente também.
Sem falar nos brincos.
Ambos adoram deitar e acordar tarde.
O adolescente ama assistir a um show de artista envelhescente...
O envelhescente ama assistir a um show de um artista adolescente...
O adolescente faz de tudo para aprender a fumar.
O envelhescente pagaria qualquer preço para deixar o vício.
Os adolescentes fumam escondido dos pais.
Os envelhescentes fumam escondido dos filhos.
A adolescência vai dos 10 aos 20 anos...
A envelhescência vai dos 45 aos 65.
Depois, sim, virá a velhice, que nada mais é que a maturidade do envelhescente.
Daqui a alguns anos, quando insistirmos em não sair da envelhescência para entrar na velhice, vão dizer:
- É um eterno envelhescente. Que bom!!!
*Mário Prata é um dos mais conhecidos escritores brasileiros da actalidade. Escreveu, entre outras coisas, um divertido dicionário Português-Brasileiro intitulado "SCHIFAIZFAVOIRE".Pessoalmente, recomendo "MAS SERÁ O BENEDITO?" e "DIÁRIO DE UM MAGRO".
Segunda-feira, Dezembro 13, 2004
Beatles
Adenda: quem quiser pode fazer o download dos ficheiros, clicando com o lado direito do rato e fazendo save the link. Aqui fica uma amostra do Natal de 1963.
Pacto de não-agressão
Mitos urbanos
Azul, azul
Vanessa
Com epicentro em Belém, claro. E não, não estou a falar de política...
Sentido de irresponsabilidadde
Líder fedorento
Cito aqui um exemplo, de cor:
- Sr. Fernando Fonseca, como se define sexualmente, na cama?
- Sou um leão! Sou um toiro. Sou um lobo, pá! Sou um cão, sou um cão! Sou um rato, sou um rato eunuco, um rato eunuco virgem e homossexual
Este skectch veio-me ontem à cabeça quando estava a falar com uma pessoa que trabalha directamente com o actual primeiro-ministro, PSL, depois de antes ter trabalhado com Durão Barroso. A conversa decorreu mais ou menos assim:
- Ó pá, então que tal é trabalhar com o Santana?
- Extraordinário! O homem é um génio, um animal político! É muito bom, muito bom. Quer dizer, é bom, é razoável. É assim assim, é uma merda. É um incompetente que vai lixar isto tudo.
Pois.
Menezes em Aveiro? Devem estar a brincar...
O presidente da Câmara de Gaia, apurou o JN, tem mantido conversações no sentido de encabeçar uma lista nas próximas eleições legislativas. Em cima da mesa, está uma candidatura por um dos distritos do Norte, com excepção para o Porto e especial destaque para Aveiro, já no limite da região. Aliás, foi neste distrito que nasceu Menezes, mais precisamente em Ovar.
As minas do Rei Salomão
Já agora, chamo a atenção para um post genial de Statler nos Marretas:
TORDOS DE BELÉM
Belenenses 4 - Benfica 1
Ultimamente quem vai a Belém arrisca-se a vir de lá humilhado.
STATLER
Domingo, Dezembro 12, 2004
Saudades dos Açores
Vacas, muros de pedras, hortenses, mais vacas, um ligeiro cheiro a estrume e a flores, um forte odor a maresia. O prado é verde, o mar é verde a fugir para o azul, a esperança é verde. Verde claro, verde escuro, verde só verde. Uma carroça puxada a cavalos dobra a curva da estrada, um homem que segura as rédeas levanta o braço numa saudação lenta e mantém-o no ar até desaparecer noutra curva. O som dos cascos dos cavalos vai morrendo, CLOP, CLOp, CLop, clop, e o silêncio volta a tomar conta de tudo, espesso como melaço, doce como mel. Por cima das montanhas verdes as nuvens vão apressadas, sopradas por um vento que ainda não se sente. Começa a chover.
Descendo. Descendo pelas estradas açorianas de São Miguel. A aldeia fica ali, entre as duas lagoas, mergulhada numa luz amarela. É como se em pleno dia alguém tivesse acendido centenas de velas para alumiar o mundo. Casas brancas com telhados castanhos, casas castanhas com telhados cor de laranja, sebes de madeira, sebes de hortenses, uma igreja rodeada de árvores, silenciosa, severa. Lá dentro cheira a cera e a flores e a naftalina. Um gato gordo dorme aos pé do altar, uma rapariga nova reza de joelhos em frente a uma imagem da Virgem. Sim, é nova a rapariga.
Saindo. Chove em metade da aldeia, a metade que fica encostada à lagoa amarela, a lagoa que recebeu as lágrimas do pastor que ousou namorar a filha do rei. A aldeia das Sete Cidades assim fica ainda mais misteriosa, metade líquido, metade terra firme. Chuva, fumo, névoa, brumas, crianças que saem da escola, gritos, correrias, uma mãe que surge à porta de uma casa, limpa as mãos ao avental que traz à cintura e grita pelo filho. Um homem passa de motorizada e também ele ergue um braço em saudação. E depois outra vez o silêncio, o vento que faz tremer as hortenses, a chuva que avançou sobre prado, a água que cai agora sobre a outra lagoa, a azul, a da princesa que ousou namorar o pastor contra a vontade do pai. Um coreto de basalto, com degraus polidos de pedra clara e musgo nas fendas do chão, serve de abrigo até parar de chover.
Andando. Andando pelas ruas devagar, a aspirar o cheiro das flores, o odor a cozinhados que sai das casas, escutando o rumor das conversas à porta de um dos cafés da aldeia. E depois descansar na relva já quase seca pela acção do vento. Ficar ali, de barriga para o ar, braços e pernas abertos como o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, a ver as nuvens que correm como se estivessem atrasadas para um encontro. Ficar ali, pregado ao chão. Afinal, é verdade o que dizem. É verdade que se pode amar perdidamente uma terra que ainda não é a nossa.
Andando, outra vez. Andando pela montanha acima, à procura do mar. Vacas, muros de pedras, hortenses, mais vacas, prados que sobem e descem os montes, casas afogadas em verde, curvas, contra-curvas, homens que podam as hortenses que ameaçam invadir as estradas, mais vacas, vasilhas de leite à espera de ser recolhidas, folhas de tabaco a secar em cabanais, gente que espera pelas camionetas de carreira, a estrada que começa subitamente a descer, mais um monte, mais uma curva e já se vê o mar. Um mar sem rugas. Um mar sem barcos. Um mar sem fim.
Bebendo. Bebendo o mar com os olhos, bebendo o céu com os olhos. Uma bebedeira de azul, daquelas de que falava António Gedeão. Sem ressaca. O mar está ali, mas joga às escondidas. Esconde-se atrás das fragas, desaparece nas curvas da estrada que desce, desce, atravessa uma aldeia, depois outra. E depois a a estrada acaba. A estrada acaba de repente, o alcatrão some-se e olha-se para um lado, depois para o outro, à procura do carreiro que a lava incandescente abriu sabe-se lá quando. O mar sente-se, cheira-se, adivinha-se para lá daquelas rochas negras, retorcidas. Voltou a chover. Ploc, ploc, faz a água da chuva ao beijar a pedra. O mar está ali, está perto. É só preciso contornar uma última rocha. Andando.
Cantinho do adepto
"Também fui ao futebol pela 1ª vez ver um Beira-Mar/Benfica, com o meu tio. Saímos da padaria, às 5 Bicas, carregados de pevides e tremoços. Mas foi antes, com o Costa Pereira, o Águas... O B.M. perdeu e muita gente foi à Lourenço Peixinho rasgar os cartões de sócio.Houve pancadaria.
À Costa Nova vou sempre que posso. Mal passo a bomba da GALP, no IP5, os nervos amolecem, voltam à sua natural tensão. Reganho-me com um passeio no "madeirão"...
M.C.
Árvore de Natal; FCPmundial; justiça
E por falar em justiça, como se há-de compreender a nossa? Já imaginaram a quantidade de arguidos constituídos que prestam termo de identidade e residência (a medida de coacção mais leve...) e, por isso, para sairem de Portugal têm de pedir licença? É que não dá para ir de 'charter' até Cabo Verde num pacote turístico sábado a sábado...
PV
FC Porto
bom domingo, dia da bola; ressaca política
Hoje é Domingo, o dia da bola e continuo sem perceber porque é que agora as jornadas começam à 6ª e acabam à 2ª...excepto quando algum jogo tem de ser verdadeiramente adiado, como é o caso graças ao nosso FCPorto. O meu FCMaia joga nos Açores e que pena não estar lá a sentir o mar de que fala o Rui Baptista na posta anterior!Só conheço S. Miguel, e mal, mas é de facto fabulosa.
Ainda assim, só agora li a prosa de Pacheco Pereira na Sábado - "Quem nasceu para lagartixa não chega a jacaré": Pedro Santana Lopes deve-o ter lido antes da sua memorável comunicação ao país de ontem e tentou cumprir com a politiquice que o caracteriza!;(
Quanto a Paulo Portas e à sua intervenção a partir do Largo do Caldas continua ao seu melhor nível, pelo que já não merece comentários!
O cantinho do adepto
Já passaram bem mais de 30 anos sobre aquele dia em que o meu pai me levou pela primeira vez ao Mário Duarte, para ver jogar Eusébio. Foi a primeira e a última vez que fomos juntos ao futebol, porque ele, embora continue a ser um adepto fervoroso do Beira-Mar, nunca gostou muito deste desporto. Ao contrário de mim, interessou-se sempre mais pelo resultado do que pelo jogo. Mas nessa tarde, que eu recordo como sendo de um sol glorioso, ele encheu-se de paciência e levou-me pela mão pelo meio da multidão que cruzava as ruas do Parque d. Pedro. Subimos a avenida das Tílias, cruzámos os portões de ferro e depois ele comprou-me um pacote de pevides, de formato cónico, feito de uma folha de papel de jornal. O jogo entre o Beira-Mar e o Benfica já devia ter começado, porque lembro-me do rugido dos adeptos, que me fez lembrar, na sua cadência, as ondas do mar. E como eu gostava (gosto) de mar!
Anos mais tarde descobri que, por uma feliz coincidência, o brasileiro Caetano Veloso escreveu em 1965 uma canção chamada precisamente Beira-Mar, que arranca assim: “Em terra em que o mar não bate não bate o meu coração”. Quem nasceu tendo como ruído de fundo o marulhar das águas da Costa Nova e da Barra percebe, sem grandes explicações, o alcance desta frase. E quantas vezes, fechando os olhos, encontrei o mar da minha infância no barulho assombroso dos adeptos do Mário Duarte.
Na tarde desse dia em que o meu pai me “levou à bola” eu vi pela primeira vez jogar o Beira-Mar. E vi Eusébio, nessa altura ainda de águia ao peito, mas que mais tarde haveria de vestir a camisola amarela do Beira-Mar. Empoleirado nos ombros do meu pai vi como o moçambicano rompeu pelo meio da defesa aveirense e fuzilou o guarda-redes da casa. E recordo como o estádio todo aplaudiu o golo, beiramarenses e benfiquistas unidos na admiração da jogada de génio.
Vivi nos anos que se seguiram muitas tardes no Mário Duarte, umas mais agradáveis do que outras. Participei nas festas de subida, na euforia da conquista da Taça, engoli lágrimas de raiva quando o clube foi despromovido. Apanhei correntes de ar e chuvadas nos Inverno, caloraças no Verão, desesperei muitas vezes com a azelhice dos avançados, com as mãos de manteiga dos guarda-redes, com a compreensão lenta (julgava eu) de alguns treinadores, com os erros inacreditáveis dos árbitros. Se a casa de um homem é o seu castelo, o estádio de um clube é o castelo dos seus adeptos. O Mário Duarte será sempre o meu castelo, apesar de ter sido substituído por um estádio novo. Mas nada do que ali se passou nos últimos 30 anos foi capaz de me fazer esquecer o dia em que o meu pai me levou à bola, em que me levou pela mão, Avenida das Tílias acima, e em que escutei pela primeira vez o rugido do mar que bate no coração de cada adepto.
ULTIMATUM FUTURISTA
Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os "botas de elástico"!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!
J o s é d e A l m a d a N e g r e i r o s
P O E T A
F U T U R I S T A
E
T U D O
Nota: Este ultimatum deve ser lido pelo menos duas vezes prós muito inteligentes e d'aqui pra baixo é sempre a dobrar.
Sábado, Dezembro 11, 2004
Se ele o diz...
Se ele o diz...o melhor é esperar para ver. Porque o que há cinco minutos era mentira no minuto seguinte pode ser verdade.
Garotices
Tão responsável que já começou a tirar o tapete ao seu disfuncional parceiro de coligação. Ainda há minutos o vimos na televisão, a fazer um extraordinário número de malabarismo em que jurou lealdade a PSL mas deu a entender que foi contra a demissão do Governo. "Nós não desertamos", jurou. Vivemos tempos estranhos, perigosos, quase surreais. Confirma-se: o mundo está perigoso.
Entrada ao homem
Agora sim...
Almocei, entre outros, com um Advogado com mais de 80 anos; e ele, na calma da sua sabedoria, é que tem(tinha?) razão: o Durão foi para Bruxelas, os governantes mantinham-se e só mudava o Primeiro! (eu até diria que devia subir a 2ª, Manuela Ferreira Leite, a 1º)
PV
E agora?RUA
Demite-se, mas mantém-se no seu posto...por amor ao país? O PR agora deve é correr com ele!
Mas, as melhores pérolas foram, sem dúvida:
-a referência à recepção de economistas que criticaram o Orçamento (antes de os ouvir, o PR não adivinha, pois não?), e a um "comentador de estação privada", à PP;
- e por falar em PP, a pose, do Paulo Portas, aquele mal-estar não era pelo fim do Governo e a procupação com o futuro do País-Nação e do redescoberto mar, mas sim pelo principal facto do dia, como e bem alerta Ricardo Jorge Pinto na RTP-N: o fim da 'aliança' (ou será que o que era para ser verdade hoje passa a mentira...hoje?)
PV
história recente
4 de Julho: PÚBLICO - Durão avisa PR que vai aceitar candidatar-se à presidência da Comissão Europeia (embora tenha demorado quase 4 meses a consegui-lo, e foi por pouco...); PR aguarda que Durão Barroso formalize a demissão do Governo...(Será que os super-críticos actuais do PR não se lembram disto?)
5 de Outubro: PÚBLICO (Claro!) Presidente da República alerta Governo para a necessidade de reformas estruturais, de coerência, de estabilidade (etc...etc...DISCURSO REDONDO à Sampaio) no país na intervenção que fará a propósito da implantação da República. (Será que PSL também fez sesta nesse dia????, ou o grande comunicador não sabe ler nas entrelinhas)
PV
P.S (post-scriptum...):Duas postas seguidas?Fantástico!
2ª 1ª vez...E agora?
Engripado desde o feriado, deitei-me ontem feliz e satisfeito com a decisão anunciada há 10 dias pelo PR, depois de ouvidos os partidos com assento parlamentar e o Conselho d e Estado, como manda a Lei Constitucional, embora desta feita sem qualquer efeito útil. Acordei, e mais uma vez ingenuamente (porque não me lembrei das sucessivas e semanais observações do Rui Baptista neste Blog), acreditei no Expresso:"Aliança"; ainda me questionei, internamente, se seria AD - não Alternativa Democrática do Marcelo -, PPD/PSD-CDS/PP, Plataforma ou quejandos...; Ainda admiti, teoricamente, s e iria albergar os "portugais (um já tinha dito que não, mas tudo épossível)", o 'meu' "Clube da Via Norte", como é que o Paulo Portas ia afastar o Partido da Nova Democracia, etc. etc...;
Tudo, portanto, calmo, dentro da normalidade; esqueci-me que o Expresso erra e do mais uma vez instável Pedro Santana Lopes. Este, talvez para evitar a crítica que se avizinhava de "já está em campanha" (que começou quando soube em primeiríssima mão da prometida dissolução da AR), tinha que me voltar a surpreender: parece que vai demitir-se o Governo.
E agora? Não se pode decretar a perca de direitos para Primeiros-Ministros que abandonem funções, com efeitos retroactivos para incluir António Guterres, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes?
PV
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Álvaro de Campos
Pois...
E não é que a noiva fugiu mesmo?
Recordo aqui o que escrevi vai para uma semana:
Coligações, aflições
Não parece, mas sectores do PSD continuam a sonhar com uma aliança pré-eleitoral com o CDS-PP. Não se percebe bem porquê. A única explicação é a de que o partido não confia no general que os quer conduzir na batalha das legislativas. E este quer envolver o maior número possível de figuras ilustres na sua queda em direcção ao abismo, sob o disfarce de "uma plataforma eleitoral alargada". Ou seja: vai-se, mas leva muita gente com ele. Talvez um partido inteiro. Talvez partido e meio se o CDS cair na asneira de se agarrar à incubadora (Já agora: PSL devia tentar uma aproximação ao PND, porque Monteiro está sempre pronto para tudo. Why not?).
Para o CDS talvez seja interessante avançar para legislativas já com o grupo parlamentar assegurado, independentemente da dimensão do desaire que se adivinha. Tendo em conta o cenário de bipolarização que por aí vem, talvez fosse uma medida sensata. Em vez de correr o risco de voltar a ser o partido do táxi, os centristas podem sempre negociar duro com os sociais-democratas e garantir um número de lugares elegíveis igual ou superior à dimensão do actual grupo parlamentar. Isso significava dizer já adeus a qualquer sonho de governabilidade que inclua o CDS, mas assegurava a sobrevivência do partido. A curto-prazo. O preço a pagar a médio prazo, no entanto, seria inevitavelmente muito alto. Apesar de tudo, o partido de Portas, tem sabido resistir em sucessivos actos legislativos, adiando a morte política que muitos repetidamente lhe vaticinam. É verdade que sai mal deste processo que irá conduzir à dissolução, mas o PSD sai bem pior. O núcleo fundamental do eleitorado centrista está fixado, Portas encarregou-se disso com as suas medidas populistas, cujo melhor exemplo foi a maneira como lidou com o Barco do Aborto. Há uma nesga de crescimento para quem tenha a coragem de avançar. Há gestos, na política, que distinguem os homens dos rapazes. Portas está numa encruzilhada, e do caminho que tomar vai depender o futuro imediato do seu partido e também do país. Ou fica à espera, como uma noiva abandonada no altar, ou se emancipa.
Cá estaremos para ver.
Runaway bride?
Se alguém se opuser a este casamento...fale agora ou fique calado para sempre!
Envenenado!
E o circo continua
Tropicália
Sovaco de cobra
O delírio continua
O blog das celebridades
O Google sugere

Bom dia!
Ao rosto vulgar dos dias
Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.
*
Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.
*
Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
Alexandre O´Neill
Agora nós
Pois claro!
Pinto da Costa prefere Menezes ou Gomes (Expresso)
O ENVOLVIMENTO de Pinto da Costa no processo Apito Dourado lançou o tema da sua sucessão à frente do FC Porto. O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, e o ex-autarca do Porto Fernando Gomes são as duas hipóteses que mais agradariam a Pinto da Costa. »
Isto é que é visão, carago. Ter um sportinguista como Menezes à frente do FC Porto é uma daquelas coisas brilhantes que só podia sair da cabeça iluminada de Pinto da Costa. E o autarca de Gaia bem merece, tendo em conta os excepcionais favores feitos ao FCP e denunciados pelo Tribunal de Contas. A mesma lógica serve para F. Gomes. Mas se esperarem um nadinha, talvez possam considerar a candidatura de Vale e Azevedo ao cargo de sucessor de Pinto da Costa. "Deixem-nos sonhar", como dizia o outro.
Sexta-feira, Dezembro 10, 2004
" Instabilidade e inconsistência"

Ó Pedro, demite-te!..


Digam ao Manel...
Manuel Monteiro tem urgência em saber se a Nova Democracia tem lugar na coligação de centro-direita que Santana Lopes e Paulo Portas devem formar. (...) Até mesmo a ideia de se juntar a Paulo Portas é viável (DN, com vénia ao João Pedro)

Do not disturb

Cuidado com o que você pede
- Pô, Luana.
- Não chega nem perto.
- Mas estamos só você e eu nesta ilha. E estaremos aqui pelo resto das nossas vidas.
- Vai ler o teu livro, vai. Você não disse que era o seu favorito?
- Mas eu já li o livro várias vezes
- Então vai ouvir o teu disco e me deixa em paz.
- Com que aparelho? Nesta ilha não tem eletricidade. Nesta ilha não tem nada. Só coqueiros. E nós dois.
- A escolha foi sua. Ninguém me perguntou nada.
- Como é que eu ia saber que a pergunta não era hipotética? Que quando o cara me perguntou que livro, que disco e que mulher eu levaria para uma ilha deserta, não era pesquisa? Que ele ia interpretar não como sonho, mas como pedido?
- Você deveria ter desconfiado do turbante.
- Se eu soubesse, teria pedido mantimentos. Enlatados, champanhe. Um gerador. Algum tipo de moradia, com som e mordomia. Talvez um bar. E 30 anos menos.
- Azar.
- Pô, Luana. Só um beijinho.
- Não-ô.
Passa o tempo. Eu e Luana Piovani conseguimos sobreviver na ilha deserta, mas a duras penas. Dada a nossa diferença de idade e de preparo físico, é ela que trepa nos coqueiros pra pegar o coco e constrói a cabana rudimentar que nos abriga, com camas de capim separadas. Ela reluta, depois acaba cedendo aos meus insistentes pedidos e tira o sutiã, mas só para fazermos um anzol do fecho de metal. Conseguimos pegar alguns peixes, usando mariscos como isca. Como não temos fósforos, fazemos fogo usando o CD do Miles Davis com o Sonny Rollins e o Horace Silver para refletir a luz do sol num monte de gravetos e alimentando o fogo com as páginas de "O Grande Gatsby". Quando termina o papel, usamos capim seco, ou comemos o peixe cru mesmo. Improviso uma armadilha para roedores com o estojo de plástico do CD. Não pegamos nada. A ilha é tão deserta que não tem nem roedor. De noite, tento me aconchegar a Luana, para pelo menos nos protegermos do frio. Ela me repele.
- Não-ô.
Passam-se anos. Um dia, sinto Luana mordiscando a minha orelha. Me afasto. Mesmo se quisesse alguma coisa com ela, não poderia. Estou anêmico e enfraquecido. A dieta de coco, peixe cru e água de chuva não me fez bem. E a Luana também está péssima. A roupa esfarrapada deixa entrever quase todo o seu corpo curtido pelo sol e o vento, mas eu nem olho mais. Ela insiste na orelha. Diz que já que estaremos lá para sempre e não tem remédio... Eu me recuso. Se estivéssemos em qualquer outro lugar, e não lutando para sobreviver daquele jeito, talvez rolasse alguma coisa entre nós. Mas naquelas condições estressantes, numa ilha deserta... Pego o que sobrou de "O Grande Gatsby", as duas capas apodrecidas, e finjo que leio, para desencorajá-la.
- Pô, Luis Fernando.
- Azar - suspiro.
As pressas dão nisto...
A manchete do dia...
Álvaro Barreto quer deixar de ser ministro
Eis um político com um raro sentido de oportunidade!
Ele fala!
Exclusivos INIMIGO PÚBLICO
Menezes passa
filoxera a Rio
REDACÇÃO LISBOA - O abraço
trocado entre Rui Rio e Luís
Filipe Menezes na semana
passada na Póvoa de Varzim teve
consequências devastadoras para
o presidente da Câmara do Porto.
Menezes transmitiu-lhe o pulgão
Phylloxera Vastatrix, o mesmo
que destruiu vinhedos em todo o
mundo e uma série de Moita Flores
no século XIX. MB
Guarda Abel perto
da santidade
CORRESPONDENTE NO VATICANO – O
processo de canonização do Guarda
Abel deu esta semana entrada no
Vaticano. O ínclito agente da Lei,
que em tantas horas de agonia
impôs a mesma nas imediações das
Antas, tem grandes probabilidades
de ver em Maio a sua ascensão a
santo. Depois de uma longa carreira
de beato do desporto, o futuro
Santo Abel poderá ver agora os
resultados da Confraria dos Irmãos
Antinos, congregação que luta pela
purifi cação do agente desde há
muitos anos. VS
Vaga de skinheads
refresca a Invicta
REDACÇÃO PORTO - A Divisão de
Limpeza da Câmara Municipal da
Invicta entrou em colapso por não
conseguir recolher todo o cabelo
acumulado no chão de todos os
barbeiros e cabeleireiros de Aldoar à
freguesia da Sé. O infame inquérito
ao Presidente (magnífi co) Pinto da
Costa levou os portuenses a rapar o
cabelo e a inscreverem-se nos Super
Dragões. O caso mais surpreendente
será o de Albertina Sousa, residente
na Viela dos Anjos, que não só
rapou o cabelo como tatuou uma
cruz céltica no braço esquerdo aos
78 anos. “Estou com os Dragões, e
vai tudo à frente até a ramona pedir
desculpa ao Presidente!”, afi rmou
a vigorosa adepta numa reunião no
Clube Passarinhos da Ribeira. VS
Oliveira compra
11 % de bar de
alterne
REDACÇÃO PORTO - Após ter
adquirido 11 por cento das acções
da SAD portista, António Oliveira
passou a ter algumas obrigações
adicionais, como o fi car obrigado
a pagar 11 por cento do preço de
todas as garrafas de espumante
oferecidas aos árbitros e fi scais de
linha que arbitrem jogos do Futebol
Clube do Porto ou do Benfi ca,
bem como a pagar 11 por cento do
preço de cada table dance, cada
geral e cada orgia. A sua primeira
decisão foi comprar 11 por cento do
principal bar de alterne da cidade,
“fi cando assim o FCP com mais
infra-estruturas essenciais para
o sucesso deste grande clube que
todos amamos”. VE/AM
Bom dia!
Most people know more as they get older:
I give all that the cold shoulder.
I spent my second quarter-century
Losing what I had learnt at university
And refusing to take in what had happened since.
Now I know none of the names in the public prints,
And am starting to give offence by forgetting faces
And swearing I've never been in certain places.
It will be worth it, if in the end I manage
To blank out whatever it is that is doing the damage.
Then there will be nothing I know
My mind will fold into itself, like fields, like snow.
-- Philip Larkin (1922 - 85)
O Japão é um lugar estranho
Estado de espírito
Eu quero é ir-me embora, eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo.
Quinta-feira, Dezembro 09, 2004
Fantástico!
2- 'bora lá festejar em Times Square?
3- 'bora lá navegar à volta do mundo?
4- 'bora lá dar um passeio a Marte?
A bem da Nação, toca a voar para o Japão
Taça Intercontinental
Hermínio Loureiro acompanha FC Porto no Japão
Vamos lá a ver se eu entendi: este Hermínio Loureiro é o mesmo Hermínio Loureiro que em Outubro decidiu não ir à Luz assistir ao clássico Benfica-FC Porto por discordar de uma trapalhada com os bilhetes? É o mesmo Hermínio Loureiro que quase foi secretário de Estado do "ministro dos três dias", Henrique Chaves, que ameaçou atirar pela janela o DVD do jogo da Luz que lhe foi entregue pelos dirigentes do Benfica?
Recordo o que escrevi em Outubro: Neste folhetim Benfica/FC Porto, o secretário de Estado do Desporto, Hermínio Loureiro, sai mal na fotografia. Em vez de procurar uma solução prefere anunciar que não vai à Luz assistir ao clássico. Se fosse o Benfica a ameaçar não ir ao Dragão será que a posição de Loureiro era a mesma? O respeitinho é muito bonito, mas o que é de mais é moléstia. Uma carreira política não é só feita de "photo opportunities" e pancadinhas nas costas.
Pois agora, lá vai o bom do Hermínio a correr (a correr não: a voar) para o Japão para mais uma "photo opportunitie". O excelso cargo que ocupa assim o exige. A bem da Nação, toca a voar para o Japão. Dentro da sua cabecinha, o Japão fica bem mais perto do que a Segunda Circular. É aproveitar enquanto há Governo. Sayonara, senhor secretário do Estado.
Upside down
Ministro diz que a decisão do Presidente é "marcadamente unipessoal"
Morais Sarmento diz que foi mal interpretado nas críticas a Jorge Sampaio
Does the lack of sleep make you fat?
"Individuals who spend less than 8 hours sleeping were shown to have a greater likelihood of being heavier."
Dr Shahrad Taheri
Arrufos pré-matrimoniais
Com mil milhões de macacos!
Giftmixer 3000
O durável e o efémero
Marcha nupcial

Olha quem fala
Morais Sarmento diz que decisão de Sampaio revelou imaturidade política
(Já agora: um dos jornalistas que assina a entrevista não era, até há quatro meses, adjunto para questões de imprensa do então primeiro-ministro Durão Barroso? Por acaso até o conheço, e considero-o um bom profissional, mas ninguém pensou no DE que ele devia ser resguardado? Ou já não há período de nojo?)
Crise
Bom dia!
Conforme a vida que se tem o verso vem
- e se a vida é vidinha, já não há poesia
que resista. O mais é literatura,
libertinura, pegas no paleio;
o mais é isto: o tolo de um poeta
a beber, dia a dia, a bica preta,
convencido de si, do seu recheio...
A poesia é a vida? Pois claro!
Embora custe caro, muito caro,
e a morte se meta de permeio.
(A. O'Neill)


