segunda-feira, novembro 06, 2006

 

Quero que tudo vá pro Inferno

Ouvir a minha mãe cantar é uma das boas recordações da minha infância. Ela andava por casa, ocupada a fazer uma e outra coisa, e ia cantando boleros, fados, canções românticas da Madalena Iglésias, êxitos da Jovem Guarda. Sempre sem desafinar (ou, pelo menos, é assim que me lembro).Era eu garotinho e Roberto Carlos e seu parceiro Erasmo eram os ídolos da altura no Brasil e também em nossa casa, que foi sempre muito chegada a coisas do outro lado do Atlântico. Mais tarde vim a detestar Roberto Carlos, o Rei, e a achar simplesmente insuportável aquela pose de cantor de charme dos trópicos. Aquela breguice toda passou a causar-me enjoos. E outras músicas e outros ritmos acabaram por marcar a minha vida.
Mas, no início dos anos 1990, Maria Bethânia gravou um disco de homenagem a Roberto Carlos, intitulado "As canções que você fez para mim". E eu dei por mim a trautear as mesmas musiquinhas que a minha mãe cantava quando eu era garoto. Fui ouvir de novo Roberto Carlos, convencido de que teria feito um juizo apressado sobre o homem. Mas não. Continuo a detestá-lo, excepção feita à mítica "Curvas da estrada de Santos" (é preciso dirigir nesta estrada para peceber...).
Hoje abomino o homem, mas respeito a sua obra. E acho notável que canções escritas com ligeireza há 30 anos permaneçam frescas e apetecíveis. Estou bem acompanhado: Bethânia, caetano, Adriana calcanhotto, Chico César, Jota Quest e outros que tais recriaram com grande sucesso canções da Jovem Guarda.
Antes que me acusem de gerontofilia, passo a demonstrar: No final deste texto, pode ser escutado um dos temas mais conhecidos do Rei Roberto: "Quero que tudo vá pro Inferno". Na versão dos portugueses GNR. Claro, o público português está fartinho de ouvir e até de pular com um dos sucesos do Verão. Mas os brasileiros que visitam este blogue, e são cada vez mais, não fazem a mínima ideia do impacto que a cançãozinha continua a fazer do lado de cá. Este post é para eles. E para a minha mãe, que continua, felizmente, a ter vontade de cantar. Sempre afinadinha.

GNR - Quero que tudo vá pro inferno.mp3


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