Quarta-feira, Agosto 31, 2005

 

Eu não acredito nesta notícia do Le Figaro

Como é que Portugal foi parar a esta lista?

SÉCURITÉ AÉRIENNE A partir d'informations techniques, «Le Figaro» dresse l'inventaire des 37 transporteurs ayant connu des incidents ces deux dernières années
Compagnies, pays et avions à éviter
La Direction générale de l'aviation civile (DGAC) vient de publier une liste de cinq compagnies interdites, mais elles sont quasi virtuelles. Elles n'assurent pas de dessertes au départ de la France. Aussi, face à cette liste inutile qui fait peu de cas des attentes des passagers, avons-nous préféré proposer, avec le concours d'experts aéronautiques, un inventaire des transporteurs ayant rencontré des problèmes majeurs depuis deux ans. Y sont ajoutées les compagnies proscrites par d'autres autorités aéronautiques internationales (Grande-Bretagne, Suisse et Belgique), ce qui amène parfois des contradictions : Cameroon Airlines est autorisée en France, pas en Grande-Bretagne qui n'entretient pas les mêmes rapports diplomatiques avec l'Afrique. Dans notre liste n'apparaissent pas Flash Airlines (accident de Charm el-Cheikh en janvier 2004), Helios (Grèce, août 2005) ou West Carribean (Venezuela, août 2005), ces transporteurs ayant disparu ou cessé leurs activités. Mais ces compagnies peuvent renaître sous un autre nom avec la bienveillance de l'aviation civile locale, souvent corrompue. Air France, malgré l'accident de Toronto au début du mois, n'entre pas dans les critères de notre liste. «En l'état actuel de l'enquête, rien ne montre qu'il y ait dérive structurelle dans la formation des pilotes, les processus de maintenance ou la pratique opérationnelle», souligne un expert qui insiste sur l'accumulation de conditions défavorables lors de l'atterrissage du 2 août.

Thierry Vigoureux
[30 août 2005]


Timide dans ses recommandations, obscure dans sa communication, l'Organisation de l'aviation civile internationale (OACI) reconnaît cependant que 30 pays sur 111 audités (et un total de 188 membres) présentent des carences en matière de sécurité mais refuse de préciser lesquelles.
(photo AFP.)

· Les pays à éviter


Timide dans ses recommandations, obscure dans sa communication, l'Organisation de l'aviation civile internationale (OACI) reconnaît cependant que 30 pays sur 111 audités (et un total de 188 membres) présentent des carences en matière de sécurité mais refuse de préciser lesquelles. Selon certaines sources, les administrations seraient parfois inexistantes, souvent défaillantes, terme politiquement correct pour éviter d'évoquer la corruption. En particulier, le contrôle des normes a minima n'y est pas correctement assuré. L'OACI a établi cette liste : Albanie, Mali, Belize, Mongolie, Biélorussie, Mozambique, Botswana, Birmanie, Burkina Faso, Niger, Cambodge, Ouganda, Cameroun, Palaos, Chypre, Papouasie-Nouvelle-Guinée, Croatie, Portugal, Ghana, Russie, Guyana, Samoa, Hongrie, Sénégal, Kenya, Togo, Laos, Tonga, Macédoine et Vanuatu.


Ces États figurent pour la plupart dans l'audit effectué par les États-Unis qui y ajoutent : Argentine, Kiribati, Nauru, Bangladesh, Nicaragua, Bulgarie, Paraguay, Congo (République démocratique), République dominicaine, Côte d'Ivoire, Serbie-et-Monténégro (ex-Yougoslavie), Équateur, Swaziland, Gambie, Trinité-et-Tobago, Grèce, Turks et Caicos, Guatemala, Uruguay, Venezuela, Haïti, Zimbabwe, Honduras et OECS (Organisation des États de la Caraïbe orientale).

· Les avions à problèmes


L'Agence de sécurité aérienne européenne refuse de prendre en compte dans les pays entrants les avions de l'ex-URSS. Ces appareils (Antonov, Iliouchine, Tupolev, etc.) sont en effet impossibles à certifier selon les normes occidentales. Les plus vieux modèles volent aussi en Afrique sur les lignes transversales. Chaque année, des accidents sont à déplorer lors du pèlerinage vers La Mecque.


Parmi les avions occidentaux, les Boeing 707, 727 et 737-100, les McDonnel Douglas DC 8 et DC 9, les Lockheed Tristar, les Fokker 27 et 28 sont les plus vulnérables s'ils sont confiés à des compagnies négligentes. Un tel appareil vaut moins de 100 000 dollars, un prix tentant pour un transporteur à la petite semaine. Les pièces de rechange (ou de seconde main) se trouvent au marché noir mais les mécaniciens ayant les compétences sur ces types d'avion sont de plus en plus rares. Les premiers Airbus A 300 (versions B 2 ou B 4) dépassent aussi le quart de siècle de vie et effectuent souvent une deuxième carrière après transformation en version cargo.


 

Uma geografia de afectos

"Wherever I lay my hat, that's my home". O meu Verão acabou hoje. Não importa o que diz o calendário - o Outono já se insinuou no meu coração. O tempo é de balanço de um verão que cheguei a desejar que não terminasse nunca.
















Terça-feira, Agosto 30, 2005

 

Alegretes e quejandos

Não sou de esquerda! Mas, alguém me consegue explicar porque Mário Soares se vai candidatar - pela 3ª vez - à Presidência da República?O que o move? Quando a Lei Constitucional proíbe que seja eleito para três mandatos consecutivos, não quereria também evitar esta hipótese pouco republicana?Soares apenas quer ter o prazer lúdico, como ele sente a política, de (tentar) ganhar a Cavaco Silva?E se este não avançasse?
Ao menos, Manuel Alegre, no discurso de hoje, apresentou ideias, denunciou situações!
Quando surgiu a hipótese da candidatura de Mário Soares, ainda pensei que fosse combinado com Manuel Alegre para - como uma lebre - federar o PS e os seus "compagnons de route", abrindo caminho a Manuel Alegre. Afinal, nem a amizade fica na política!

 

Voando...

... Da luz aberta para o azul. Volto em breve.

Segunda-feira, Agosto 29, 2005

 

PEANUTS...

Lemos (DN) e não acreditamos. Vale a pena reler... porque é verdade !!!
PSD e PS vão receber em quatro anos uma verba "extra" que fica muito perto dos 10 milhões de euros. Tudo porque mudou um artigo da lei .
Os grupos parlamentares do PSD e do PS, na Assembleia Legislativa Regional, receberam, no início do mês de Agosto, cheques de 1,1 milhões e 350 mil euros, respectivamente. Estas verbas, que caíram nas contas dos partidos mesmo antes da campanha eleitoral, dizem respeito aos retroactivos do famoso "jackpot" da Assembleia Legislativa Regional.
Depois de muita polémica, o parlamento aprovou novas fórmulas para o cálculo das transferências mensais que quase duplicaram os encargos totais do parlamento. Já foi publicada no Diário da República a alteração à lei orgânica da ALM que fez disparar as verbas mensais dos dois maiores partidos.
Ao contrário do que acontece ao nível nacional, onde os partidos recebem subvenções em função do número de votos recebidos nas urnas, nas Regiões Autónomas o cálculo é feito através do número de deputados. No entanto, as semelhanças entre a Madeira e os Açores terminam aí.
Se o montante global das verbas a transferir para os partidos madeirenses é impressionante (mais de 21 milhões em quatro anos), quando comparadas com os financiamentos dos partidos, no continente e nos Açores, as diferenças ainda são mais gritantes.
A nível nacional, a lei Nº 19/2003 (lei do financiamento dos partidos) determina que cada força partidária, com representação na Assembleia da República, receba 1/135 do salário mínimo por cada voto recebido. Na prática, cada voto dos corresponde a 2,83 euros. Com a aplicação desta fórmula, vários partidos nacionais recebem muito menos que o PSD-Madeira, depois de aprovado o "jackpot". Inclusive o PSD nacional só recebe mais 25% que os social-democratas madeirenses.
Nos Açores, as contas também são feitas em função do número de deputados e as verbas, como na Madeira, são transferidas para os grupos parlamentares. No entanto, cada deputado açoriano "vale" apenas três salários mínimos mensais. Seguindo o princípio da discriminação positiva, a legislação açoriana prevê um subsídio mínimo de dez salários a cada grupo parlamentar.

Domingo, Agosto 28, 2005

 

100 anos ? 1000 euros ? Domínio Público ?

De acordo com o EXPRESSO, Câmara do Funchal vai concessionar a privados – por 100 anos e mediante um valor anual que poderá ser de apenas mil euros -, a construção de um projecto turístico e urbanístico, orçado em 370 milhões de euros, em pleno domínio público marítimo. Ao concurso internacional aberto pela autarquia, apresentou-se apenas uma empresa criada em Abril deste ano que tem como administradores empresários ligados a Jaime Ramos (secretário geral do PSD-Madeira) e a Miguel de Sousa (Presidente da Assembleia Legislativa Regional). O projecto prevê uma área de construção de 128000 metros quadrados, parte dos quais conquistados ao mar, para uma marina, lojas, restaurantes, 824 apartamentos, escritórios, hotel e aparthotel, além de zonas de lazer e praia. Entretanto, foi apresentada uma queixa no Tribunal Administrativo do Funchal, subscrita pelos candidatos do PS, BE e também pela QUERCUS.
Alberto João Jardim, no seu melhor estilo, reagiu dizendo que «só uma sova resolve o problema. Se as leis não estiverem em condições de se fazer o projecto do Toco, nós faremos novas leis para pôr em condições de o projecto ser feito».
Pode esclarecer ???

 

Ensino Superior: menos 20 milhões

As Universidades e os Politécnicos públicos vão receber no próximo ano menos 20 milhões de euros, metade daquilo que o Estado vai atribuir aos Partidos para 15 dias de campanha eleitoral.

 

Espanha sem défice...

Zapatero anunciou ontem que a Espanha deixará de ter défice orçamental em 2006, prevendo um excedente orçamental de 0.02 % do PIB para esse ano. O défice de 2004, também foi revisto em baixa, quedando-se apenas pelos 0.14 do PIB.
Olé ….

Sexta-feira, Agosto 26, 2005

 

PAÍS REAL....

Não posso estar mais de acordo com JPP. Acaso se tem reparado na enorme dificuldade que as pessoas que são entrevistadas na rua pela televisão, seja sobre que matéria for, mostram em enunciar um fragmento de uma ideia, uma resposta com os verbos certos, com sentido, que tenha a ver com a pergunta? Não me refiro a ocasionais lapsos, ou ao mau português. Refiro-me a falar, dizer, explicar.E não são os velhos encurralados pelos fogos, mas os veraneantes num carro para o Algarve entrevistados numa portagem, umas senhoras nuns saldos, uns jovens num festival entre a música e a cerveja. O País real também arde - e de que maneira -, por estes domínios...

Quinta-feira, Agosto 25, 2005

 

Fogo na Câmara !!!

O PUBLICO acaba de dar nota das decrações do Vice-Presidente da Câmara Municipal do Porto e Vereador do Urbanismo, Paulo Morais, que acusa várias autarquias do país de cederem a pressões de empreiteiros e partidos políticos para a viabilização de projectos urbanísticos.
Em entrevista à revista "Visão", Paulo Morais afirma que "o Urbanismo é, na maioria das câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptícia de transferir bens públicos para a mão de privados".
"Nas mais diversas câmaras do país há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais", declara Paulo Morais, sem no entanto especificar a que projectos e municípios se refere.
O vereador acrescenta que "as estruturas corporativas são hoje muito mais fortes porque têm uma aparente legitimidade democrática. Se os vereadores do Urbanismo são os coveiros da democracia, os partidos são as casas mortuárias", afirma.
O autarca social-democrata diz que a Câmara do Porto é uma excepção ao cenário negro que traça, afirmando que o executivo autárquico liderado pelo social-democrata Rui Rio nunca licenciou projectos contra os instrumentos de planeamento.
Paulo Morais refere que, pelo contrário, o seu pelouro - que já teve, entretanto, como vereador o arquitecto Ricardo Figueiredo - reprovou projectos que já tinham pedidos de informação prévia favoráveis anteriores a este mandato e nunca cedeu a tais pressões.
(...) O social-democrata, que foi afastado das listas da coligação PSD/CDS-PP para a Câmara do Porto, diz que "os pelouros do Urbanismo das maiores câmaras são o local onde tudo se joga".
Morais refere ter sido pressionado por membros do actual e dos anteriores governos e por partidos, mas escusa-se a referir nomes das pessoas que o terão tentado influenciar.
Para Paulo Morais, as tentativas de forçar a aprovação de projectos imobiliários através de "manobras dilatórias, recursos e formalismos" acontecem porque "a legislação na área do Urbanismo é complexa, hermética e confusa o suficiente para favorecer os mais fortes e quem pode pagar os melhores juristas".
Na sua opinião, o Urbanismo é um bom sítio para iniciar investigações sobre financiamento partidário e enriquecimento ilícito.
O responsável, que antes de liderar o Urbanismo tutelava o pelouro da Habitação Social da Câmara do Porto, não tem dúvidas de que se se continuar a "baixar o nível de democracidade dos partidos e eles forem cada vez mais vulneráveis aos interesses corporativos, a democracia está em perigo".
"Existe uma preocupante promiscuidade entre diversas forças políticas, dirigentes partidários, famosos escritórios de advogados e certos grupos empresariais", acrescenta.
A alteração deste "sistema" só será possível "com maior transparência e simplificação de procedimentos ao nível do aparelho do Estado", diz também.
O autarca afirma que sairá deste executivo após as eleições autárquicas de 9 de Outubro "com alívio, mas mais preocupado com a saúde da democracia e do PSD".

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

 

Oxóssi e São Jorge



Jorge sentou praça
na cavalaria
eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos
tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos
tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo o pensamento
els possam ter para me fazeram mal
Armas de fogo
meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
sem o meu corpo tocar
Cordas e corentes se arrebentem sem o meu corpo amarrar
pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de capadócia

Hoje é dia de Oxóssi e por isso estou vestido de vermelho. Oxóssi é meu orixá. Corresponde, na religião católica, a São Jorge. São Jorge Guerreiro, o tal que matou o dragão. Talvez por isso, talvez porque São Jorge castiga com a sua lança o dragão, sempre foi o meu santo preferido. São Jorge Guerreiro, São Jorge de Ílhéus.
lua de são jorge
lua deslumbrante
azul verdejante
cauda de pavão
lua de são jorge
cheia branca inteira
oh minha bandeira
solta na amplidão
lua de são jorge
lua brasileira
lua do meu coração
lua de são jorge
lua maravilha

Saber que meu orixá é São Jorge e que a sua cor é vermelha foi uma coisa que me comoveu. Uma coisa que faz sentido. Para mim, esta terra da Bahia faz todo o sentido. Ando por Salvador com o mesmo à vontade com que circulo por casa. Nada me é estranho, nada me espanta, tudo ou quase tudo me faz feliz. Acho que esta terra estava à minha espera. Estava à espera dos meus passos. Suas ladeiras estavam inscritas no meu código genético. Esse mar que me enche os olhos é o mar que sempre bateu no meu coração. Mar azul, mar verde, espuma branca, um barquinho no meio das vagas, um garoto moreno que mergulha junto ao farol da Barra, um táxi que paas e deixa no ar o cheiro inconfundível de alcool e gasolina, uma mulata com um short minúsculo que me acena, uma quentinha devorada por operários sentados numa estação de ónibus. Eles riem, a língua de areia se enche de gente morena que joga a bola, do morro cresce o som do batuque e a noite cai, rapidamente, acendendo as luzes no litoral, tornando mais negras as pedras da calçada. E agora a maresia se mistura com o cheiro a comida que se solta das casas e que faz ter vontede de comer. Quando penso na Bahia nem sei que dor que me dá...

Terça-feira, Agosto 23, 2005

 

Oferta

O que tenho para te dar?
Uma gramatica de sentimentos,
verbos sem complementos de uma vida, os substantivos
mais pobres de um vocabulario intimo- o amor, o desejo,
a ausencia. Que frase construiremos com tao pouco? A
que lexico de paciencia iremos roubar o que nos falta?

Entao, ofereço-te uma outra casa. As paredes têm a
consistencia do verso; o tecto, o peso de uma estrofe.
Abro-te as suas portas; e o sol entra pela janela de uma silaba,
com o seu fogo vocalico, como se uma palavra pudesse aquecer o frio que te envolve.


E pergunto-te: que outras palavras queres? A musica
sonora de um ocio? O fundo luminoso do azul? Poderia dar-te
todas as palavras na caixa do poema; ou emprestar-te
o canto efemero em que se escondem do mundo.

Mas nao e isso que me pedes. E a vida que pulsa
por entre adverbios e adjectivos esfuma-se depressa,
quando procuramos seguir a linha do verso. O que fica?
,perguntas-me. Um encontro no canto da memoria. Risos,
lagrimas, o terno murmurio da noite. Nada, e tudo.

Nuno Judice, "O Estado dos Campos"

 

Beira-Mar


Na terra em que o mar não bate
Não bate o meu coração
O mar onde o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão
Nasci numa onda verde
Na espuma me batizei
Vim trazido numa rede
Na areia me enterrarei
Na areia me enterrarei
Ou então nasci na palma
Palha da palma no chão
Tenho a alma de água clara
Meu braço espalhado em praia
Meu braço espalhado em praia
E o mar na palma da mão
No cais, na beira do cais
Senti meu primeiro amor
E num cais que era só cais
Somente mar ao redor
Somente mar ao redor
Mas o mar não é todo mar
Mar que em todo o mundo exista
Ou melhor, é o mar do mundo
De um certo ponto de vista
De onde só se avista o mar
E a Ilha de Itaparica
A Bahia é que é o cais
A praia, a beira, a espuma
E a Bahia só tem uma
Costa clara, litoral
Costa clara, litoral
É por isso que é o azul
Cor de minha devoção
Não qualquer azul, azul
De qualquer céu, qualquer dia
O azul de qualquer poesia
De samba tirado em vão
É o azul que a gente fita
No azul do mar da Bahia
É a cor que lá principia
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração

 

Crisis? What crisis?#


Salvador da Bahia parece o Largo da Portagem num sábado à tarde. Acabo de ver passar o magnifíco reitor da Universidade de Coimbra, Seabrinha para os íntimos. Calças caqui com bolsos laterais, um t-shirt cinzenta, cabelo penetado para trás, barba desalinhada,sandálias nos pés, Seabrinha mais parece dos seus estudantes da sua universidade e não o chato e sério reitor que tem derrotado as adversidades pelo sono.
Há portugueses por todo o lado em Salvador, desmentindo a crise. Eles estão nos shoppings comprando calções de banho floridos e biquinis do tamanho de um selo do correio: eles e elas estão no mercado Modelo, apreçando redes e comprando artesanato. Ouve-se falar português com sotaque luso no Pelourinho, na Baixa dos Sapateiros, no largo do Pilar, nos restaurantes da moda, nas casas de pinga e charutos. Portugueses barulhentos, com máquinas fotográficas digitais e fitinhas do senhor do Bonfim, devorando com os olhos as mulatas que requebram subindo as ladeiras.
Apetecia-me mandá-los para casa mas sinto que não tenho esse direito. Afinal, eles são livres de se apaixonarem por Salvador. Eu apaixonei-me por Salvador. E os portugueses começam a fazer parte da paisagem. Por isso, resta-me aguentar. Com um sorriso amarelo, pá.

# Título roubado a um álbum dos Supertramp

Domingo, Agosto 21, 2005

 

ACHISMO...

Neste momento existem 37 incêndio por circunscrever, para usar o léxico do fogo. 37 X tantas aquelas que forem necessárias para reduzir a inteligência a cinzas… Considero o direito à informação inalienável. A maneira como as televisões informam insuportável. Em directo: Acha que o vento vai prejudicar o combate às chamas? Acha que houve mão criminosa? Acha que os meios que estão no teatro de operações são suficientes? Ninguém escapa ao fogo das perguntas imbecis. E faz-se da desgraça um prolongado folhetim patético.
É o achismo no seu melhor…

Sexta-feira, Agosto 19, 2005

 

Fotografia: India Posted by Picasa

 

Alguem conhece um gato assim, que aspire a casa enquanto a empregada esta de ferias... Posted by Picasa

 

Roubado, ha muito tempo, ao In Certezas, da Angela! Para felicitar a Ines. Que n�o gosta de morangos nem de chocolate! Nem um bocadinho :)  Posted by Picasa

Quinta-feira, Agosto 18, 2005

 

Telegrama

Caro Rui: beijo recebido na minha bochecha ruborizada! Anonimices (n sei se existe) é o que é. Mas que não deixam de causar dúvidas. Causar dúvidas terrestres. Que já me chegam as outras. Até porque do blog só te conheço a ti na versão 3D! Foi maldade. De qualquer forma, alma não, que a alma és tu e os respectivos fundadores. Voltarei, com tempo, para me alongar sobre o assunto. E, esclareço, não são férias. Esta quase pausa, é trabalho. E isto era para ser um telegrama.Por isso um beijo+um abraço a ti e, claro, a todos. E, pensando melhor: continuem com as anonimices. Valem mimos. E eu que nem gosto nada! Que chatice!
Vou,evidentemente, fazendo umas visitas. Que isto primeiro estranha-se...

 

A dignidade do grisalho

Deixo-vos com este texto, que subscrevo na íntegra, enviado por um daqueles amigos que nos ficam contra o devir tempo. Que nos alimentam. A detalhes, a silêncios, a palavras. Como estas.
Memórias vivas. Vivências que um dia tiveram um lugar comum e que, agora, têm um denominador comum: o pulsar da vida no peito. Cumplicidades. Um beijo Zé e outro à Cristina.

«NÃO COSTUMO SER IMPLICANTE, MUITO menos com os homens, por quem tenho uma condescendência até suspeita. Enquanto as mulheres reclamam que não existe homem no mercado (no mercado, que feio!), eu acho que tem homem bacana tropeçando aos nossos pés, elas é que não se dão conta porque só prestam atenção nos supostos defeitos do sujeito: conta bancária desfalcada, carro usadésimo, roupas fora de moda, falta de bíceps e tríceps, tudo isso que hoje em dia conta mais do que caráter, humor, inteligência, essas coisas supérfluas. Assim fica difícil mesmo encontrar o príncipe. Eu, solteira fosse, não ficaria pegando no pé dos meninos por coisa pouca. No quesito aparência, por exemplo, acredito que dá para encarar baixinho, gordinho, careca, barbudo, franzino. Só uma espécie teria dificuldade de passar pelo meu crivo: homem de cabelo pintado. As mulheres, coitadas, assim que afloram os primeiros cabelos brancos, correm até os salões para dar um sumiço neles, e a partir daí viram reféns desta operação extermínio. No que fazem muito bem. Admiro o desprendimento de quem assume seus brancos numa boa, mas uma coisa é incontestável: o grisalho nos envelhece e nos dá um ar relaxado. Fica bonito apenas em alguns casos muito raros — os da Gloria Menezes, por exemplo, acho uma graça. Já os homens nasceram com o dom de ficarem mais atraentes à medida que os cabelos vão ficando brancos. É uma vantagem inquestionável. Eles ganham em credibilidade, charme, beleza, elegância. Giorgio Armani, por exemplo, de jeans, camiseta e grisalhíssimo. Uma obra-prima. Jovem para sempre. Homem que recorre à tintura perde um naquinho da sua dignidade. A idéia era ficar mais moço — eles também têm direito à vaidade, ok — mas alguém precisa avisá-los de que, em vez de mais moços, às vezes ficam patéticos. Podem ser milionários, artistas, banqueiros, magnatas — ficam todos com cara de falidos. Estou sendo preconceituosa? Monstruosa? Ridícula? Sim, estou sendo preconceituosa, monstruosa, ridícula, azar o meu.
É minha opinião».
Martha Medeiros

 

até logo....




















... Em Paredes de Coura. Só um pouquinho....

Gone are the days of rainbows
Gone are the nights of swinging from the stars
For the sea will swallow up the mountains
And the sky will throw thunder-bolts and sparks
Straight at you
But I'll come a-running
Straight to you
But I'll come a-running
One more time

Heaven has denied us its kingdom
The saints are drunk howling at the moon
The chariots of angels are colliding
Well, I'll run, babe, but I'll come running
Straight to you
For I am captured
Straight to you
For I am captured
One more time

 

Não sei como dizer

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura e a atenção começa a florir,
quando sucede a noite esplêndida e casta. Não sei o que quer dizer, quando longamente teus pulsos se enchem de um brilho precioso e estremeces como um pensamento chegado.
quando, iniciado o campo,
o centeio imaturo ondula tocado pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias, dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas de melancolia arrefecem com astros ao lado do espaço e o coração é uma semente inventada em seu ascético escuro e em turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão como se toda a minha cara ardesse pousada na noite. - E então não sei o que dizer junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.

Quando as crianças acordam nas luas espantadas que às vezes se despenham no meio do tempo - não sei como dizer-te que a pureza, dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo os trevos,
a água sobrenatural, o leve e abstracto correr do espaço e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega dos meus lábios, sinto que me falta um girassol,
uma pedra, uma
ave qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres que dentro de mim é o sol, o fruto, a criança, a água, o leite, a mãe, o amor, que te procuram.

Herberto Hélder

 

Maria Heli

Magoar as pessoas, fazer acusações infundadas ou insinuações ridículas sob a capa cobarde do anonimato é coisa que realmente me irrita. Acabo de chegar de Marrocos e deparo com comentários ridículos de um anónimo ridículo aos posts da Maria Heli, real emotional girl, excelente blogger e sobretudo minha grande e genuína amiga. E fico chateado, claro que fico chateado. Sem a Maria Heli este blog não seria o que é. A Maria é a alma do Amor e Ócio. Qualquer tentativa de a desmoralizar terá sempre a minha oposição. E não vale a pena tentar dividir-nos com insinuações. Estamos conversados?
O anonimato é uma chatice. Peço a quem deixa aqui os comentários que o faça de cara destapada. Basta fazer o registo, coisa que não demora muito.
Um beijo, Maria. Rui Baptista

Quarta-feira, Agosto 17, 2005

 

COTA ZERO

STOP.
A vida parou
ou foi o automóvel?

Carlos Drummond de Andrade

 

Terei de me ausentar! Entretanto, escrevam. Aqui. Em toda a parte. Escrevam muito. Cartas. Ja vos tinha confessado que adoro receber cartas? Ainda ha dias tropecei num post sobre o assunto e pensei: pois eu tamb�m adoro receber cartas. Os mails...a culpa e dos e-mails! Ate ja! Posted by Picasa

 

Mais um no - forte - para a vida! Nasceu ontem. Chama-se Jose. Estou muito feliz! � o meu quinto sobrinho! Mesmo muito feliz....Sem comentarios! Sem palavras! Posted by Picasa

Terça-feira, Agosto 16, 2005

 

FOGOS ? QUERO LÁ SABER !!! QUERO É FESTA COM FOGUETES !!!

Concordo com JPP. Desde as oito da manhã as "alvoradas" das festas rebentam ao som dos foguetes num dos distritos de risco para os fogos, no qual são previstas altas temperaturas para o fim-de-semana. Aqui, ali e acolá. Nos dois últimos anos tinham acabado os foguetes, agora voltaram. Das duas uma: ou os bombeiros concederam as necessárias autorizações, o que me parece merecedor das suspeitas quanto à "indústria dos fogos", ou os foguetes são ilegais e, como não há autoridade, há impunidade.

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

 

Bom fim de semana! E boas f�rias, para quem parte.Bons mergulhos. Na piscina ou no mar! Posted by Picasa

 

Depois de um almoco com o mar ao fundo...nao me vai apetecer fazer nada! Posted by Picasa

 

A arte de não fazer nada

Há muitas formas de dizer pára!
E às vezes precisamos mesmo que nos digam: pára!
«A arte de não fazer nada» é um livrinho para quem gosta de ser levado com subtilezas! 17x17 centímetros, o livro, dizem “é para corações inquietos e mentes extenuadas” e “recorda-nos como fazemos demasiado e vivemos tão pouco”. Para já, deixo-vos o índice:

a arte de procrastinar
a arte de respirar
a arte de meditar
a arte da ociosidade
a arte de bocejar
a arte de dormir a sesta
a arte de tomar banho
a arte de saborear
a arte de escutar
a arte de esperar

E fazer tudo isto bem feito?

Ou seja, não fazer nada e fazê-lo bem, não é assim tão fácil!


 

Relax! Massagens...um vicio! Posted by Picasa

Quinta-feira, Agosto 11, 2005

 

Coisas naif...

....tão cristalinamente simples que até confrangem.


Tens com certeza um mester, um ofício, uma profissão, como se diz agora, Tenho, tive, terei se for preciso, mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou quando nela estiver. Não o sabes. Se não sais de ti, não chegas a saber quem és. O filósofo do rei, quando não tinha que fazer, ia sentar-se ao pé de mim, a ver-me passajar as peúgas dos pajens, e às vezes dava-lhe para filosofar, dizia que todo o homem é uma ilha, eu, como aquilo não era comigo, visto que sou mulher, não lhe dava importância, que tu achas. Que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós. Se não saímos de nós próprios, queres tu dizer. Não, não é a mesma coisa.

excerto de "O conto da ilha desconhecida", José Saramago.

 

Camelos nao aprecio. Mas adoro melancia. Epoca delas. Para que nos deliciemos. Posted by Picasa

 

Alma latina e não só...

Alma latina! Descubra o mistério dos vinhos. Mas descubra, também, o mercado, as rotas, as marcas, as provas, os eventos, os protocolos. Enfim, os vinhos portugueses. Aqui.

 

Tem uma Maria Helena para contar?

Surgem de dia para dia as Marias Helenas que vivem em cada um de nós. Que vivem no imaginário do Escritor Famoso, ou nem por isso! Quem as quiser conhecer pode ir aqui ou aqui. O prazo de entrega foi alargado. Participem! Apenas pelo prazer de escrever um texto. Pelo prazer de criar ou recriar uma Maria Helena. Com ou sem página, o concurso está aberto a todos. O importante, do meu ponto de vista, é poder contar uma Maria Helena. Soprar-lhe vida. Imaginada ou vivida. Não importa. O verdadeiro prémio é a troca de sensibilidades. Qualquer coisa dentro de nós. Talvez.

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

 

Queremos notícias...

E o blogger-mor que não nos dá notícias da sua viagem...
Em que canto do mundo estará, agora?!

 

O elogio...

Demolidor,mordaz, humorado! O Prof. Funes no elogio de José Socrates

 

Uma das entradas para o mercado do Bolhao. Posted by Picasa

 

Salvem o Bolhão

«Durante toda a minha infãncia cresci numa casa cujas janelas gozavam de uma vista priviligiada para a entrada principal do Mercado do Bolhão.»
Começa, assim, um post que adorei ler aqui

 

Intimidades

INTIMIDADES (da Dom Quixote) reúne textos de diversos autores. A Claudia Sousa Dias, leu-o e, sobre o livro, escreveu o seguinte:

Antologia de contos eróticos, pela voz de dez autoras portuguesas e brasileiras, com prefácio de Luísa Coelho. A ensaísta fez questão de clarificar os conceitos de erotismo e pornografia cuja fronteira, por motivos culturais e religiosos, está longe de ser estanque.
A ensaísta brasileira "faz uma breve exploração relativamente às semelhanças e diferenças temáticas e de estilo que caracterizam as autoras portuguesas e brasileiras, focando tanto o aspecto psicológico como o antropológico e o social, presentes nos diferentes estilos.
Dez estórias. Dez perspectivas diferentes de olhar o Eros.
Mesmo assim reunidas, estão apesar de tudo, longe de abarcar a complexidade e a totalidade do comportamento humano quando se fala de Amor…Para oferecer a quem se ama. Ou deseja.

Mais aqui

Terça-feira, Agosto 09, 2005

 

N�o sei se serei uma zebra branca com riscas pretas, se uma zebra preta com riscas brancas! Posted by Picasa

 

Bom Dia!

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

"Se houvesse degraus na terra...", Herberto Hélder

 

A interpretação dos sonhos

“100 livros do século” foi uma exposição realizada, no Centro Cultural de Belém, no âmbito da Expo 98. Foi o que visitei de toda a vasta panóplia de produtos culturais, de então.
Esta exposição deu origem a um livro com o mesmo nome.
O original do livro que se segue, estava nessa exposição:
Die traumdeutung – A interpretação dos sonhos.
Comprei-o há dois, três anos. Não estou certa. Devorei-o. A lapis. Discordando e concordando.

No conjunto muito vasto das obras de Sigmund Freud, a Interpretação dos Sonhos é geralmente considerado o livro em que pela primeira vez elabora algumas das teorias que mais tarde viriam a estruturar a psicanálise. Partindo da observação de numerosos casos clínicos dos seus pacientes, Freud encara os sonhos como reflexos do inconsciente, cuja interpretação, obedecendo a certas correspondências simbólicas mais evidentes ou obscuras, facultaria uma leitura quase hieroglífica e permitiria aceder ao conhecimento de desejos ou medos inconfessáveis, iluminando pulsões que ao nível consciente seriam censuradas, reprimidas ou recalcadas. Foi a partir desta obra fundamental que depois evoluiria a sua opinião dos processos psíquicos, baseada na importância de perceber, por um lado, a formação da personalidade desde a primeira infância e, por outro lado, os canais por onde se manifestariam os impulsos inconscientes. Pense-se o que se pensar das teorias psicanalíticas, a verdade é que marcaram profundamente o século XX, fazendo penetrar na linguagem corrente alguns conceitos muito divulgados – por exemplo, a frustração, o complexo de Édipo, a sublimação, o recalcamento etc – e influenciando o modo como abordamos a complexidade das relações humanas.

 

Freud em frente ao seu busto! vem ai um texto. Posted by Picasa

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

 

Kicho: tb para ti! Foi a Xinha que me ofereceu. E como � uma tulipa especial eu ofere�o-ta tb a ti! E como tu �s minha irma, a Xinha vai perdoar-me! � que nao tenho a mao mais nenhuma flor para te brindar, neste dia! Mas por ti, tu sabes, sou capaz de roubar um jardim! um campo inteiro de tulipas... Posted by Picasa

 

Máquina do Tempo

O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.

Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.

Espaço vazio, em suma.

O resto, é a matéria.

Daí, que este arrepio,

este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,

esta fresta de nada aberta no vazio,

deve ser um intervalo.

António Gedeão


Querida Kicho: assim, de repente, após o telefonema, este poema é para ti. para assinalar a tua felicidade. a nossa. este poema é para ti porque fala de tempo e do que tu quiseres; por teres sabido esperar contra o tempo - que foi muito - quando se quer muito. quando se merece tudo. Estou certa, o tempo que aí vem, será como tu o desejas. Como o sonhaste. Afinal, chega de intervalos!
Setembro será vida! Por muitos motivos :) Não só porque serás...mais uma socióloga no activo!

 

Os silêncios da fala

São tantos
os silêncios da fala

De sede
De saliva
De suor

Silêncios de silex
no corpo do silêncio

Silêncios de vento
de mar
e de torpor

De amor

Depois, há as jarras
com rosas de silêncio

Os gemidos
nas camas

As ancas
O sabor

O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.
São tantos
os silêncios da fala

De sede
De saliva
De suor

Silêncios de silex
no corpo do silêncio

Silêncios de vento
de mar
e de torpor

De amor

Depois, há as jarras
com rosas de silêncio

Os gemidos
nas camas

As ancas
O sabor

O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.

Maria Teresa Horta

 

Ouvir Estrelas

"Ora direis ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

"E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Olavo Bilac

Domingo, Agosto 07, 2005

 

Venha ela














Para somar algum ritmo à tarde... Parece que surge assim, do canto dos dias, a voz de Mercedes Sosa. A exortar. A despertar. A sublimar o que vai caíndo...


Tantas veces me mataron,
tantas veces me morí,
sin embargo estoy aquí resucitando.

Gracias doy a la desgraciay a la mano con puñal,
porque me mató tan mal,
y seguí cantando.
Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobrevivienteque vuelve de la guerra.

Tantas veces me borraron,
tantas desaparecí,
a mi propio entierro fui,
solo y llorando.

Hice un nudo del pañuelo,
pero me olvidé después
que no era la única vezy seguí cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces te mataron,
tantas resucitarás
cuántas noches pasarás
desesperando.

Y a la hora del naufragioy a la de la oscuridad
alguien te rescatará,
para ir cantando.

Cantando al sol,como la cigarra,
después de un añobajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra

Letra de María Elena Walsh

Sábado, Agosto 06, 2005

 

Chamas

não. ninguém saberá o que aconteceu
estou muito cansado
apetece-me dormir até morrer.

José Luís Peixoto, "não.niguém saberá o que aconteceu" in a criança em ruínas

 

ENCONTREI!

Encontrei o ficheiro com a canção de Paulinho Moska. Pensando em você. A canção não está completa mas é melhor do que nada. É um delicioso minuto e meio do álbum "tudo novo de novo". Espero que gostem.


PENSANDO EM VOCÊ
Letra e Música: Moska

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
Com você me sinto bem
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer

Sexta-feira, Agosto 05, 2005

 

Para ti, Maria Claudia. Pelo teu aniversario. Pela nossa amizade.Mas, podes espreitar aqui, o blog da autora deste belo registo. Obrigada, Xinha! http://www.byeblog.blogspot.com/  Posted by Picasa

 

4 noites e uma manhã

É um sentimento vulgar. Eu sei. Dito de forma vulgar. Amo os meus livros. Gosto de entrar na minha pequena biblioteca e ficar a olhar as lombadas. Cabeça inclinada. Ora para a esquerda, ora para a direita. Às vezes perco o tempo a fazê-lo. Fico pensando na vida de cada um. Na história que guardo. No filme que realizei. Ontem, neste exercício regular sem hora marcada, trouxe até mim, novamente, NOITES BRANCAS. Na última página, 139, uma senha de autocarro. O 20. Ainda a comprei em escudos. Tanto que andei de autocarro em escudos. Tanto que li nos autocarros da cidade do Porto. A carta, recente, tirou-me esse prazer.
Foi a obra de Fedor Dostoievski que menos tempo demorei a ler. E não só por ter um reduzido número de páginas, numa edição de bolso Europa-América. Não. Foi porque não consegui parar de correr nessas noites. 4 noites e uma manhã. É o “romance de um sonhador”, como o autor o definiu. A acção, lê-se, decorre em Sampetersburgo (Leningrado). Amanhã, gostava de visitar a cidade com este livro na mão. Como gostava!

 

Katmandu

«Virão noites escuras, depois de ter deixado Katmandu e o Nepal, em que vou sonhar que estou de volta. Que estou aqui entre estas pessoas, estes pobres e maltrapilhos, que nos puxam pela roupa e nos pedem dólares americanos. E sei que não vou esquecer as caras, os sorrisos, as cores dos saris das mulheres, nem as ruas de terra, as moscas nas bancas do peixe. E, terei, uma vez mais, o cheiro das especiarias e do lixo.
Esquecidos estarão os turistas loiros e os alpinistas de mochila e ar saudável. Os hippies de cabelos brancos e ralos e os quarentões nostálgicos. Os detestáveis calções, as máquinas fotográficas, os terríveis equipamentos de montanhismo. Quando tudo isto se desvanecer na memória, terei ainda os olhos verdes e as gordas tranças da menina do colégio que, ontem mesmo, se atravessou no meu caminho. Serão meus para sempre os sorrisos de Katmandu».
Maria D`aires

Ps. Texto enviado por uma leitora do blog e que não resisto a partilhar convosco.

 

3.500

3.500 é o número de bombeiros que combatem, neste momento, dezenas de incêndios no País. Anualmente estes fenómenos repetem-se e conduzem-nos a uma espécie de irracionalidade política. Não arde apenas a floresta. Consome-se a confiança do País. Esfuma-se a credibilidade que resta. Desperdiça-se vida e recursos. Estoira-se de angústia....
O nível de desenvolvimento de um País poderá (e deverá) ser avaliado (também) por estes indicadores. O desempenho político ganharia (e muito) se fosse julgado e não apenas submetido ao cíclico juízo público. Os cidadãos ganhariam (e todos concordarão) se houvesse co-responsabilidade nacional numa estratégia de combate séria (e verdadeiramente assumida) contra esta espécie de fatalidade estival.
A solidariedade não chega (e já não reconforta) e de boas intenções está o inferno (em que o País se transforma anualmente) cheio.
É hora de mostar (definitivamente) o que se pretende e que isso tenha imediatas consequências políticas e cívicas. Para que a esperança (em estilhaços) não fique carbonizada.

Quinta-feira, Agosto 04, 2005

 

Achei...

...um novo blog com humor e conteúdos pertinentes... é a minha opinião ;)
promete
esta equipa da garagem da casa amarela...
A espreitar. Regularmente!

http://www.garagem-da-casa.blogspot.com/

 

Lembram-se da ALVA? Cresceu e voltamos a ter noticias dela. Continua linda e de saude. Para quem nao sabe, foi encontrada por uma leitora do blog :) Posted by Picasa

 

take II

O Escritor Famoso, iniciativa levada a cabo pelo www.divasecontrabaixos.blogspot.com e patrocinada pela livraria O Navio de Espelhos www.onaviodeespelhos.blogspot.com continua.

O mote é este:

« Depois passámos a dar as mãos todos os dias. Porque éramos crianças nunca houve sexo. Deve ser por isso que ainda a amo, e também porque nunca mais a vi, e por isso, ao contrário de todos os outros, ela nunca cresceu.O baloiço oscila ao vento.Depois os que riam passaram a chamar-nos namorados. Às vezes atiravam-nos uma pedra que nunca acertava e fugiam. Começámos a sair da escola durante o intervalo grande, que era de trinta minutos, acho eu, e desfrutávamos o facto de àquela hora o baloiço do parque estar sempre livre. Às vezes a meia hora passava a uma, ou mais, até que a professora chamou os nossos pais por mau comportamento. O que é que eu andava a fazer com a Helena, perguntou-me a minha mãe à noite. Andamos de baloiço, respondi.» Ivar Corceiro

participem. inspirem-se. imaginem.
joguem.divirtam-se.escrevam e votem...no que mais vos disser!

 

O Escritor Famoso continua... agora, com a Helena! Posted by Picasa

 

Contas feitas...a matematica anda mesmo mal!!! obrigada Marqu�s :) Posted by Picasa

 

t-shirts. adoro t-shirts de Verao ou de Inverno. nesta altura gosto ainda mais! e esta tb gostava de a ter...pela t-shirt e porque me encanta ouvir este Senhor :) Posted by Picasa

Quarta-feira, Agosto 03, 2005

 

Zarpar

Estou de partida. Há tanto mundo lá fora que é impensável permanecer sempre no mesmo lugar. Começo por aqui (link) e depois vou dando notícias. Se puder. Agarrem o Verão.

 

Gosto imenso de publicidade inteligente, divertida. Quando s�ria, � um excelente instrumento pedagogico. Acabei de receber esta campanha :) Este � um dos dez cartazes! Posted by Picasa

 

Saberemos

Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer


Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia clareou
Ma se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar

Você vai ter que encontrar aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar, e em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

Milton Nascimento, letra Márcio Borges

 

Comentário transformado em post

Sim, vamos pensar em nunca esquecer. Para nos sentirmos bem, como quando respiramos o perfume das manhãs e bebemos a chuva dos verões.

 

emperrado

Caio assim, de novo, após uma travessia pelo deserto. Parte imposta pelo calendário, outra asfixiadada pelas tecnologias que insistem em afastar-me desta janela. Venho meio emperrado por alguns dias, e pelas reviravoltas que aturdem os humanos. Volto com o copy paste habitual. Para que não se percam velhos hábitos. Para acentuar o verão. Para dar cor às palavras dos outros. Para encarquilhar as minhas....

 

Passatempo de Verão :)

Visitei o Fado Falado www.fadofalado.blogspot.com e encontrei um passatempo de Verão!
Silly season, é o que é :) Ora, espreitem!

 

Ainda vou encontrar...

o ficheiro de som desta canção do Paulinho Moska
EU
ESTOU PENSANDO EM VOCÊ
PENSANDO EM NUNCA MAIS
PENSAR EM TE ESQUECER
POIS QUANDO PENSO EM VOCÊ
É QUANDO NÃO ME SINTO SÓ
COM MINHAS LETRAS E CANÇÕES
COM O PERFUME DAS MANHÃS
COM A CHUVA DOS VERÕES
COM O DESENHO DAS MAÇÃS
COM VOCÊ ME SINTO BEM
EU ESTOU PENSANDO EM VOCÊ
PENSANDO EM NUNCA MAIS
TE ESQUECER

Terça-feira, Agosto 02, 2005

 

Enviado pela Milena! Muito loiras, estas piadas :) Posted by Picasa

 

Escrevedora, me confesso :)

Não tinha acesso à net! Foi via sms e até mms (que não consegui ver) que me chegaram notícias do Escritor Famoso! Estive a ler todos os textos concorrentes e todos os comentários. Reparei que, como eu, outros foram apanhados com "o texto na mão"! :) Até nestas coisas, a Diva revela os seus encantos! Tenho para mim que é uma mulher de detalhes, de subtilezas.Sei lá...uma inteligente emocional de gosto requintado!
Estou a escrever sem rede. É isto que me atrai na bloggosfera. Escrevo directamente neste rectângulo para que não possa voltar atrás, rever, riscar, colocar vírgula, por apostrofo. Emendar. às vezes sai asneira!Foi por isso que concorrer também foi divertido. Não pude voltar atrás. Isto para dizer que há qualquer coisa neste mecanismo, que ainda por cima não domino, que me convida, mais amiúde, à escrita. E de forma muito leve! De outro modo, todas as incertezas do mundo reúnem na minha cabeça e, nada! Quase não acontecia nada. Ou demoraria a acontecer :)
Gosto de escrever. Mas no papel, à mão, ou até numa folha de word, nada me sai do sítio. Ou quase nunca! Vejo e revejo mil vezes. Escrevo e reescrevo. Risco, tiro, ponho. Viro as palavras do avesso. Volto a pegar nelas. Nunca acho que estaja bem. Acho sempre que podia ficar melhor. Nada é definitivo. E estou cada vez pior! Aqui não. Aqui há uma certa ligeireza, um "deixa lá" respeitoso, uma negligência abençoada pelo passageiro. Há um cuidado descuidado, um certo blasé, uma dose bem servida de efémero que me fica, às vezes.
Aqui, sinto que digo e não que escrevo.
Foi engraçado e gostava de dizer que li textos de que gostei imenso. Outros que me disseram muito, outros, ainda, que me divertiram bastante. Escreve-se muito bem, por aí.
Eu aprendo muito convosco.
Quero fixar aqui os parabéns ao Ivar Corceiro, a todos os participantes, e à Diva, mentora deste divertido exercício. Ao Navio de Espelhos! Quero, claro, agradecer muito o voto de todos, os parabéns de todos, com e sem página (Duarte (que também não conheço) & companhia :) Marquês (que conheço) & companhia) Quero agradecer ao blogger-mor, que me deixa escrever neste amor e ócio. Quero, daqui a pouco, visitar-vos a todos! Quero dizer que, deliciosamente, dei comigo a pensar nos que não conheço (mas conheço...) e já fazem parte do meu quotidiano... os meu "blogomigos" - que já não passo sem ler - e aos meus amigos, a quem a Diva, chamou fãs :) :) :) :) :) :) :) – tão fãs como eu deles! E, querida Diva, não sou uma escritora, sou uma escrevedora.
Quem sabe um dia? ;) Abraço a todos!

PS: já estava com saudades... vossas... dos que conheço e dos que não conheço, dos sem página e dos com página, dos com nome e dos sem nome e, até , dos anónimos capazes de críticas construtivas; o que não me deixa de espantar!

 

INSTANTES

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiénico.

Correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilhas,
teria mais problemas reais e menos imaginários.

Eu fui dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente
cada momento de sua vida.
Claro que tive momentos de alegria,
mas, se pudesse voltar a viver,
trataria somente dos bons momentos.

Porque, se não sabem, disso é feita a vida,
só de momentos, não perca o agora.
Eu era desses que nunca ia
A parte alguma sem um temómetro,
Uma bolsa de água quente,
Um guarda-chuva e um pára-quedas.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da Primavera
e continuaria assim até ao fim do Outono.
Daria mais voltas na minha rua,
Contemplaria mais amanheceres,
E brincaria com mais crianças,
Se tivesse outra vez a minha vida pela frente.
(…)
Jorge Luís Borges
(o autor argentino escreveu este poema aos 85 anos, faleceu em 1987)

P.S. Este poema - um dos que mais gosto - é dedicado à Crazy Jo, "blogomiga" com quem tenho afinidades, uma em especial :) porque sim, porque há coisas que não se explicam. Fazendo bem as contas, nem a matemática ;) Muitos parabéns, Crazy!


 

Traz outro amigo também

Primeiro o Gomes, agora o Vara. So falta o Luís Patrão (Pensando melhor, Patrão já é chefe de gabinte de Sócrates). Eis o PS, em todo o seu podre esplendor:
ARMANDO VARA NOMEADO PARA ADMINISTRADOR
DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS (link PUBLICO)

Pronto, Celeste Cardona, não estás perdoada mas já tens companhia.

 

Músicas de Verão


Elis Regina. A cantar Jobim. É preciso dizer mais?

 

APRENDIZ DE VIAJANTE

Um dia li num livro: «viajar cura a melancolia».
Creio que, na altura, acreditei no que lia. Estava doente, tinha quinze anos. Não me lembro da doença que me levara à cama, recordo apenas a impressão que me causara, então, o que acabara de ler.
Os anos passaram - como se apagam as estrelas cadentes - e, ainda hoje, não sei se viajar cura a melancolia. No entanto, persiste em mim aquela estranha impressão de que lera uma predestinação.
A verdade é que desde os quinze anos nunca mais parei de viajar. Atravessei cidades inóspitas, perdi-me entre mares e desertos, mudei de casa quarenta e quatro vezes e conheci corpos que deambulavam pela vaga noite... Avancei sempre, sem destino certo.
Tudo começou a seguir àquela doença.
Era ainda noite fechada. Levantei-me e parti. Fui em direcção ao mar. Segui a rebentação das ondas, apanhei conchas, contornei falésias; afastei-me de casa o mais que pude. Vi a manhã erguer-se, branca, e envolver uma ilha; vi crepúsculos e noite sobre um rio, amei a existência.
Dormia onde calhava; no meio das dunas, enroscado no tojo, como um animal; dormia num pinhal ou onde me dessem abrigo, em celeiros, garagens abandondas, uma cama... e quando regressei, com a ânsia do eterno viajante dentro de mim.
Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidiana. Aprendeu a viver sem posuir nada, sem um modo de vida.
Caminha, assim, com a leveza, de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompõe das aflições da cidade.
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, vêem. O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo é único, não se confunde com nenhum outro.
Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos, purifica. Afasta o espírito do que é surpéfluo e inutil; e o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra.
O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas, os peixes e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água. Vive ali, e canta - sabendo que a vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo.

Al Berto

 

"I always wondered where the noses went".


No Gallery está a passar Por Quem os Sinos Dobram, uma daqueles míticos filmes da minha infância. Visto passado tantos anos o filme aparece sem força, sem chama. A transposição para o cinema não conseguiu traduzir em imagens o ritmo da escrita fluída e seca e E. Hemingway. Mas os actores são de mão cheia. Gary Cooper é sóbrio e mais americano que a tarte de maçã. "Cinema é o Gary Cooper a andar", disse alguém num momento de inspiração. E depois há Ingrid Bergman, tão bela e tão frágil. O título do filme tem sido usado muitas vezes como mote por jornalistas e escritores em crise de imaginação, mas a grande frase da película é dita por Ingrid, momentos antes de beijar Cooper pela primeira vez:"I always wondered where the noses went".

 

O Comércio do Porto

Vão lá espreitar. Gente como esta, de fibra, merece tudo de bom.

Para a eternidade (link)

Um título com 151 anos não morre de um dia para o outro, por única e exclusiva vontade de investidores estrangeiros, vergados à força da moeda. A alma de O COMÉRCIO DO PORTO perdura neste espaço, pela força dos que, nos últimos anos, procuraram levar a nau a bom porto, entre ventos e tempestades, adversidades que não demoveram estes e outros bravos que ficaram pelo caminho. Continuaremos a gritar presente, expressando a nossa revolta, não por tristeza individual, mas sobretudo pelo sentimento de agonia colectiva, face ao aparente desfalecimento de um gigante que se quer, e será, imortal.

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