Quinta-feira, Março 31, 2005
patrão fora, dia de trabalho na loja?
Gritos
"Para a semana faço 32 anos e ainda não sei o quero ser", comentava-me uma amiga. Pudera. Alguém saberá? Cavalgamos, apenas, sobre a ténue linha da existência. Eu cá, acho que isto está do avesso. Queria voltar ao berço, em dias assim. Nascer encarquilhado e acabar-me a abocanhar o seio desejado. Antes de me banhar para sempre nos líquidos essencias da mulher primeira. Largar os carris de vez para o refugio dos quadris quentes e lânguidos da materna doçura. Não faria mais sentido?
Eu cá, em dias pintados assim, sei que o quero ser.
Para a amiga, que não precisa de chocolates, roubei umas fumaças à Tabacaria.
Adeus, ó Esteves!
"[...]Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas
-Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente
(...)
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira.
Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança,
e o Dono da Tabacaria sorriu"
Tabacarioa, Álvaro Campos
E a Igreja?
«Que num debate sobre a direita, a uns dias do referendo sobre o aborto, e quando se recomenda o "debate ideológico", a Igreja não se mencione é um contra-senso ou uma fuga.Ontem, em conversa com este jornal, as cabeças pensantes da direita portuguesa conseguiram o milagre de falar da direita sem falar da Igreja. Voluntária ou involuntária, esta omissão é curiosíssima. Por várias razões. Primeiro, porque a história e a própria existência da direita sempre esteve, e continua a estar, ligada à Igreja. O miguelismo foi uma aliança entre o trono e o altar e o anti-clericalismo dividiu os campos durante todo o século XIX e mais de metade do século XX. Ninguém conseguia ficar neutro ou sequer à margem. Ou se estava de um lado ou se estava do outro. A literatura (incluindo o ensaio) reflecte, aliás, muito fielmente o que sucedia na sociedade e na política. De Garrett a Sérgio, corre, página a página, um ódio inextinguível à Igreja e ao padre, que nenhum católico conseguiu contrariar ou sequer mitigar. A Monarquia caiu em grande parte por causa da "questão religiosa" e a República ou, mais precisamente, o Partido Democrático de Afonso Costa não passou em grande parte uma perseguição endémica à Igreja.
Mas, no fim, a Igreja ganhou. Salazar era a sua criatura e o Estado Novo o seu regime. Muito se tem escrito sobre a independência que Salazar supostamente assegurou ao Estado. Não assegurou nada. A Ditadura vivia do facto, para ela feliz, de existir um pároco em cada paróquia. Não precisava de um partido único para doutrinar, vigiar e reprimir a população. A Igreja bastava e, quando ela faltou, depois do Concílio e de Paulo VI, tudo tremeu e se desfez. Caetano, coitado, acabou sem fé. Mas, durante o PREC, a Igreja resistiu e ainda em 1979, na campanha da AD, assisti a muita missa em que se proibia o voto no PS, por ser obviamente um "partido marxista". Em 1980, os velhos ministros de Salazar já ensinavam na Universidade Católica, que desde essa altura se tornou na principal escola de quadros da direita.
Fora esta realidade crua e dura, também não se vê bem como qualquer "refundação" do CDS ou do PSD possa a prazo prescindir dos valores da Igreja e do seu apoio institucional activo. Não por acaso aumenta constantemente o número de políticos que exibem com clamor o seu catolicismo. Eles sabem que precisam de uma referência ao mesmo tempo popular e sólida para moderar ou conter o "politicamente correcto". Que num debate sobre a direita, a uns dias do referendo sobre o aborto, e quando se recomenda o "debate ideológico", a Igreja não se mencione é um contra-senso ou uma fuga.»
Bom dia!

PARA EL FIN
DEL MUNDO
O EL ANO NUEVO
LLEGARÁS MANANA
PARA EL FIN DEL MUNDO
O EL ANO NUEVO
MANANA TE MATO
MANANA TE LIBRO
ESTOY ADELANTE YA NO
YA NO TENGO MIEDO
MANANA TE DIGO QUE EL AMOR
QUE EL AMOR SE HA IDO
Quarta-feira, Março 30, 2005
Boa Noite
Entre mim e o que em mim me suponho,
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa
Mourinho, o gestor
Obrigada Mourinhete e Guess Who pela gargalhada que me fizeram dar com os vossos comentários :) Realmente... não falta mais nada!
Mesmo assim, aplicando-se lindamente a máxima "uma imagem vale mais do que mil palavras", cá vai o motivo do post.
Um artigo da revista EXAME, de Abril, assinado pelo jornalista Pedro Fernandes, intitulado «18 lições de campeão« levaram-me a abordar o assunto.
Fiquei desde logo "agarrada" à leitura pelo "lead" e dei por bem empregue o tempo dispendido. Diz assim: «Pode o modelo de gestão de José Mourinho ser aplicado em empresas fora do mundo do futebol? Sim. O seu livro tem ensinamentos para todo o tipo de gestores». E a legendar uma foto: «O livro do homem que poucas vezes sorri foi motivo de um artigo no Financial Times onde se alerta os ingleses para os ensinamentos que os gestores podem retirar com a sua leitura».
São três páginas agradáveis onde se resumem 18 tópicos de "boas práticas", mais três caixas. A que mais gostei foi a do Professor Jorge Vasconcellos e Sá que aponta sete factores para o sucesso de José Mourinho. A dado momento da sua análise pode ler-se «A maior parte das pessoas passa pela vida sem saber o que faz bem. Mourinho faz aquilo para que tem talento. Este (o talento) nunca é universal.Quer no liceu, quer no Iscef, teve problemas com a Matemática; desistiu do curso de gestão no ISCTE; desistiu de ser futubolista quando concluiu que não tinha jeito», e por aí fora. Eu gostei de ler.

Se hoje de manhã, me tivessem dito que eu "postaria" qualquer coisa sobre o Mourinho, negaria! Diria: jamais! eu percebo muito pouco de futebol e, no blog, esse tema está, geralmente, sob a alçada do Rui. Sarcástico, quase sempre, principalmente quando o FCP, perde!

Have I Told you lately?
(Quem preferir pode ouvir aqui em Windows Media Player)

Have I told you lately that I love you
Have I told you there’s no one else above you
Fill my heart with gladness
Take away all my sadness
Ease my troubles that’s what you do
For the morning sun in all it’s glory
Greets the day with hope and comfort too
You fill my life with laughter
And somehow you make it better
Ease my troubles that’s what you do
There’s a love that’s divine
And it’s yours and it’s mine like the sun
And at the end of the day
We should give thanks and pray
To the one, to the one
Have I told you lately that I love you
Have I told you there’s no one else above you
Fill my heart with gladness
Take away all my sadness
Ease my troubles that’s what you do
There’s a love that’s divine
And it’s yours and it’s mine like the sun
And at the end of the day
We should give thanks and pray
To the one, to the one
And have I told you lately that I love you
Have I told you there’s no one else above you
You fill my heart with gladness
Take away my sadness
Ease my troubles that’s what you do
Take away all my sadness
Fill my life with gladness
Ease my troubles that’s what you do
Take away all my sadness
Fill my life with gladness
Ease my troubles that’s what you do
Orbi
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.
(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.
Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite)
Manuel Bandeira

(A imagem é da autoria do fotógrafo indiano Tarun Khiwal)
Music is THE BEST

com recurso ao Windows Media Player. Se houver muitas reclamações na caixa de comentários eu coloco um ficheiro na página. Mas, para já, vamos tentar este método para não sobrecarregar o blogue.
Information is not knowledge,
Knowledge is not wisdom,
Wisdom is not truth,
Truth is not beauty,
Beauty is not love,
Love is not music
and Music is THE BEST
Terça-feira, Março 29, 2005
É dos carecas que ele gosta mais
Memória
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
Azenhas do mar
Faz-lhe cócegas qu'ela gosta

Um post roubado descaradamente ao Azenhas do Mar, que aproveitou as celebrações de um ano de existência para migrar para o blogger. Parabéns atrasados. Pela casa nova e pelo aniversário. E agora divirtam-se a fazer cócegas à menina. Mas sem exageros...
Certezas, dúvidas e equações
Não estive longe. Mas distante, o suficiente, do meu quotidiano. E de rotinas mais ou menos recentes, mais ou menos conciliadoras. O blog é uma destas rotinas recentes e conciliadoras que, inesperadamente, nos fazem falta.
Parti em viagem, breve, depois de um funeral. O pai de uma amiga morreu.
E agora, chegada aqui, a esta casa antiga, com chuva nas janelas penso nas pessoas que cruzaram o meu caminho e naquelas que ainda chegarão, antes que eu parta também. Não sou pessimista. Prezo tanto a vida, que até a agradeço em plenas e demoradas filas de trânsito e no decorrer de tantos outros desesperos humanos. Dos mais banais aos mais filosóficos. Mas, novamente, o confronto com a morte, fez-me ficar quieta naquela frase que se ouve nos funerais: «é a única certeza que temos na vida…mas…» Mas não estamos preparados para digerir tamanha certeza, muito menos em rituais de despedida atenuados ou não pela fé.
Para além de que, esta “única certeza” é sempre sinónimo de subtracção.
Para o bem ou para o mal, tiram-nos alguma coisa, certa pessoa, determinados momentos vivos. Privam-nos do que, às vezes, nem sequer usufruímos.
Mas privam-nos. Desassossegam-nos. Entristecem-nos.
E depois, a morte, é uma certeza que induzimos tarde. Ou rejeitamos, ou adiamos. A certeza da morte é o tal cromo que ninguém tem repetido.
Tinha outras, tantas outras certezas, antes desta, que equacionava de forma simples. Certezas urgentes, impiedosas, ímpias.
Certezas serenas, sagradas, basilares.
Muito antes de deslacrar a certeza da morte, tinha certezas eternas guardadas. Minhas. E desse baú enorme de certezas, resta-me uma absoluta e outra relativa. Ri o. De mim. E do fundo do baú, tão amplo, tão grande para tão poucas certezas e tão ínfimo para tantas dúvidas.
Há certezas que nos adicionam, que nos multiplicam, que nos dividem.
Ah! como nos dividem, como nos multiplicam, como nos adicionam…
à vida, numa osmose quase perfeita. Tanto que nos pode ser adicionado.
Amor, coragem, ternura, alegria, amizade, sorriso, calor, sinceridade, vontade, sonho, vitória, prazer, cumplicidade, emoção… Certezas que se multiplicam e fazem do coração um lugar demasiado pequeno. Certezas que nos dividem, nos sobressaltam e nos fazem querer, ao mesmo tempo, uma ilha e um continente.
Outras certezas, porém, não só subtraem pessoas, como subtraem sentimentos. Tanto que nos tiram. Fazendo com que a nossa equação desequilibre e o resultado pareça, às vezes, inalcançável, indecifrável, insuportável.
Outras vezes o resultado dessa equação de certezas, de dúvidas, de incógnitas, é tão, mas tão evidente que fazemos bem a conta de cabeça, ou de coração, conforme o caso. Tanto o que pode acontecer numa equação. Tanto o que lá cabe. Tantos sinais, tantas variáveis. Equações possíveis, impossíveis ou indeterminadas.
Certezas, dúvidas e equações.
Eu fazia uma muito simples, nos cadernos, nos muros ou no tampo das mesas da sala de aula da minha escola
maria + paulo = amor ou, quando não tinha namorado, maria + ? = amor
E era assim que, naquele tempo, imenso e demorado, eu fazia contas à vida! Muito poucas variáveis, às vezes uma incógnita, sempre temporária, uma solução certa e absoluta.
Era no tempo das equações simples, de resultado inquestionável e, certamente,feliz.
El sueño
El sueño
Si el sueño fuera (como dicen) una
tregua, un puro reposo de la mente,
¿por qué, si te despiertan bruscamente,
sientes que te han robado una fortuna?
¿Por qué es tan triste madrugar? La hora
nos despoja de un don inconcebible,
tan íntimo que sólo es traducible
en un sopor que la vigilia dora
de sueños, que bien pueden ser reflejos
truncos de los tesoros de la sombra,
de un orbe intemporal que no se nombra
y que el día deforma en sus espejos.
¿Quién serás esta noche en el oscuro
sueño, del otro lado de su muro?.
Jorge Luis Borges, 1964
Meu erro
Segunda-feira, Março 28, 2005
ressuscitarei?
My workingweek and my Sundayrest
My noon, my midnight, my talk, my song
I thought that love would last forever: I was wrong
The stars are not wanted now, put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood
For nothing now can ever come to any good
W.H. Auden
Marcelo a banhos
Como foi possível comprovar numa edição recente do Diário de Coimbra, Marcelo é o primeiro a contribuir para a lenda. Atente-se no primeiro parágrafo do texto de opinião que escreveu para o diário: Parece mentira, mas não é. Saía eu do meu banho no mar diário – sempre à hora do almoço, entre aulas de manhã e aulas à tarde, salvo ao fim-de-semana, em que separa uma boa corrida e um frugal almoço –, eis senão quando deparo com o querido amigo Adriano Lucas, num dos seus passeios domingueiros ao longo do paredão. E pronto. Ficámos todos esclarecidos sobre os hábitos balneares do professor, que enfrenta as águas sem arrepios faça sol ou faça chuva. E sem mesmo vestir o roupão, redigiu logo ali na praia uma longa prosa contra a co-incineração. Homens assim não existem. Mas não existem mesmo.
Bom dia!
Outro Dia
Pessoa acordava assim na figura de Caeiro:
Todos os dias acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei-de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer cousa para eu acordar de novo.
Alberto Caeiro
Domingo, Março 27, 2005
Última Tentação
Ficaram os dois numa desesperante frustração.
Não há dúvida que o Paraíso está atornar-se cada vez mais chato !
mário-henrique leiria (novos contos do gin)
Sábado, Março 26, 2005
Boa Páscoa
Duas penadas
Triste país esta coisa adiada. Ou, como escrevia há uns tempos o compagnon RB, pátria que nos pariu! Basta ler o título da novela..
Quase em surdina, surge-me a voz da Manuel Azevedo. Sem indirectas a qualquer tipo de clã.
Agora faço-me à estrada, que as curvas estão já ali.
Vieste comigo
nesse jeito pós-moderno
de não querer saber nada
de não fazer perguntas
essa pose cansada
tão despida de emoção
de quem já viu tudo
e tudo é uma imensa
repetição
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
depois quase ias embora
desse modo
evanescente
não soubesse eu ver-te
tão transparente
e teria sido apenas
o encontro acidental
uma simples vertigem
dum desporto radical
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
Competência Para Amar Carlos Tê \ Hélder Gonçalves
O Argumento
O ARGUMENTO esfarrapado é uma das mais curiosas instituições portuguesas. Contrariados pelos factos, certas personagens - muito mais por dever de ofício do que por convicção profunda - amontoam à pressa duas ou três frases e saem em defesa de damas já totalmente indefensáveis.
No topo destes casos está, o ainda secretário geral do PSD, Miguel Relvas. Comentando o regresso a Lisboa das secretarias de estado deslocalizadas, opinou: «É uma medida para inglês ver».
Afirmar que o regresso aonde sempre estiveram é para inglês ver só pode ser verdade pelo facto de, eventualmente, passarem mais ingleses por Lisboa do que por outra qualquer localidade de Portugal.
Mas não é só M. Relvas. Também Luís Delgado, admirado com a boa prestação de Sócrates no Parlamento, escreve: «É caso para dizer que este PM poderia muito bem ser de centro-direita». Seguindo raciocínio de Delgado, Sócrates manifestamente enganou-se ao afirmar-se de esquerda. Um homem de esquerda não pode, de acordo com este analista evidenciar a competência de Sócrates, o discurso de Sócrates, as propostas de Sócrates. Por isso é tempo de cada primeiro-ministro, cada ministro, cada deputado, antes de se definir politicamente como de direita ou de esquerda, fazer o teste Delgado. Ele, lá do alto do seu critério, lhes dirá em que área se deverão posicionar.
O pódio do argumento esfarrapado é completado pelo líder da Associação Sindical de Juízes, que comentou assim a proposta de redução das férias judiciais, de dois para um mês: «As férias judiciais não significam um período de descanso». Pelo contrário, acrescenta, é nesse período que processos mais complexos são analisados. «As férias não significam que os agentes da justiça estejam sem fazer nada», insiste.
Ora, a isto só poderemos responder: POIS !
Sexta-feira, Março 25, 2005
Hábitos...
Os oito candidatos vão ser entrevistados por Annan e pela vice-secretária geral da ONU, Louise Frechette, o que permitirá às Nações Unidas avaliá-los segundo vários critérios, entre os quais a capacidade em matéria de diplomacia, de gestão e de mobilização de recurso e o conhecimento das questões dos refugiados.
O novo alto comissário dos refugiados deverá ser "um líder que lutará sem vacilar pela causa dos refugiados" e possuidor de "qualidades de comunicação e de estabelecer consensos".Numa iniciativa anunciada no final de Janeiro, Annan lançou o objectivo de procurar um novo alto comissário da ONU para os refugiados entre "os candidatos mais bem qualificados do Mundo" para o lugar.
Os oito candidatos ao cargo
- António Guterres (Portugal), ex-primeiro-ministro e presidente da Internacional Socialista.
- Ema Bonino (Itália), parlamentar europeia, membro das comissões dos Negócios Estrangeiros e do Orçamento e da sub-comissão dos Direitos Humanos.
- Hans Dahlgren (Suécia), Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros.
- Gareth Evans (Austrália), presidente do International Crisis Group em Bruxelas.
- Soren Jenssen-Petersen (Dinamarca), representante especial da ONU no Kosovo.
- Bernard Kouchner (França), antigo Ministro da Saúde e antigo representante especial da ONU no Kosovo.
- Kamel Morjane (Tunísia), Alto Comissário Adjunto para os Refugiados.
- Mark Verwilghen (Bélgica), Ministro da Economia, da Energia, do Comércio Externo e das Políticas Científicas.
António Guterres – sem embargo das suas próprias prioridades políticas -, revela aqui uma especial motivação para participar em projectos de natureza pública e humanitária.
António Vitorino foi convidado para o cargo e não aceitou.
Já estamos habituados...
Quinta-feira, Março 24, 2005
O nosso maior fã...
Ritmo!
Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente
E posso dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas, nem a fascinação das
promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pedes que repouses quieto, muito quieto
E deixe que as mãos cálidas da noite encontrem a fatalidade do olhar
estático da aurora.
Vinícius de Morais
Helás
Esperemos
Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou precioso s
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.
Pablo Neruda (Últimos Sonetos)
No divã do psiquiatra
Caso 1:
Adora comer flores ao pequeno almoço. Ao meio-dia adora cheirar os pés porque acha que o seu cheiro é sensacional e comovente. À noite, antes de ver televisão, faz uns exercícios de yoga. O seu defeito é chamar-se Dulcolax.
Caso 2:
Hipnotiza as pessoas para as seduzir por telepatia. Para isso usa um cristal de pedra que fixa o olhar das pessoas. Tem a teimosia de comprar roupa por cheque. E sente pena das pessoas porque acha que o cheque é apenas uma folha de com uns númreos escritos. O seu maior defeito é ser criativo.
Caso 3:
"Sente-se atraído por feirantes e compra roupa de mulher só para manter conversa com elas. Pensa que é gay por ter o quarto decorado com cortinas de flores verdes que comprou na feira. Todo o bairro o goza.
Caso 4:
O seu crime foi amar alguém sendo mulher. Agora sabe que o seu destino é amar homens. Sente-se atraído por panquecas de alecrim. Depois de tomar banho come uma banana com mousse.
Península

Os espanhóis costumam visitar Portugal na Páscoa. Mas hoje proponho que façamos juntos o caminho no sentido inverso. Com raras excepções, a música espanhola não é muito conhecida por cá. Mas por lá vão-se fazendo coisas muito interessantes, a começar por Martirio, que José Duarte considera a melhor cantora europeia de jazz. Mas hoje não rumaremos a Sevilha. Vamos antes até Málaga, onde Pasión Vega acabou de lançar o seu terceiro álbum, Flaca de Amor, que mistura a tradicional copla com arranjos mais mainstream. Há quem não goste do estilo - mas eu confesso que sempre me derreti com Pasión Vega. Por isso aqui fica El Viajero, que até tem uma discreta referência a Lisboa.
Sinais
VOLVER
de las luces que a lo lejos
van marcando mi retorno.
Son las mismas que alumbraron,
con sus palidos reflejos,
hondas horas de dolor.
Y aunque no quise el regreso,
siempre se vuelve al primer amor.

La quieta calle donde el eco dijo:
"Tuya es su vida, tuyo es su querer!"
Bajo el burlon mirar de las estrellas
que con indiferencia hoy me van volver.
Volver,
con la frente marchita,
las nieves del tiempo
platearon mi sien.
Sentir,
que es un soplo la vida.
que veinte años no es nada,
que febril la mirada
errante en las sombras
te busca y te nombra.
Vivir,
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo,
que lloro otra vez.
Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida.
Tengo miedo de las noches
que, pobladas de recuerdos,
encadenan mi soñar.
Pero el viajero que huye
tarde or temprano detiene su andar.
Y aunque el olvido,
que todo destruye,
haya matado mi vieja ilusion,
guardo escondida un esperanza humilde,
que es toda la fortuna de mi corazon.
Carlos Gardel y Alfredo Le Pera
Quarta-feira, Março 23, 2005
Tenham um resto de bom dia.

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world
The colours of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shakin' hands, sayin' "How do you do?"
They're really saying "I love you"
I hear babies cryin', I watch them grow
They'll learn much more than I'll ever know
And I think to myself, what a wonderful world
Yes, I think to myself, what a wonderful world
Oh yeah
Humor madeirense
Intendência
Bom dia!
Como evoluiu o "mundo" publicitário!
Como aumentou a diversidadede de produtos alimentares e outros.
Como houve alterações na forma de mostrar, de dizer,
de promover, de embalar, de induzir a compra.
Mas há anúncios, embalagens que ficam, para sempre, associados à nossa infância, adolescência, etc. E, por vezes,fixamos slogans que nos assaltam automáticamente, às vezes a propósito de coisa nenhuma!
Fica o desafio: quem se lembra de slogans e de produtos que desapareceram ou se renovaram?
Terça-feira, Março 22, 2005
O "BUSCAVIDAS" está quase a chegar
O autor? Alberto Breccia. Para mim, outra referência incontornável do fabuloso mundo BD.
BUSCAVIDAS é um álbum onde podemos deambular com um homem sempre pronto para ouvir uma história, uma confidência, um segredo. Depois, guarda-o no seu arquivo.
Mais do que um curioso, é um coleccionador de vidas.
A vida de uma neta de uma santa milagreira, um cómico caído em desgraça, uma família mafiosa, uma vedeta de telenovelas, um parente afastado, um assaltante de meia-tigela, aspirante a cantor de boleros ou, ainda, a vida de um ditador afastado do poder.
Enquanto este prometedor àlbum não chega, podem espreitar em www.asa.pt, uma editora que está a "dar cartas" na banda desenhada e tem muitos, muitos heróis para miúdos e graúdos.
Cá por mim, podem crer, vou esperar ansiosa pelo BUSCAVIDAS, de Breccia, com argumento de Carlos Trillo. Sei que vou gostar desta história!
"A pior banda do mundo" é a minha banda de eleição
A pior banda do mundo. Um mundo absolutamente fantástico, que recomendo vivamente.
«A pior banda do mundo, uma inepta e desastrada banda, de intenções vagamente jazzísticas e resultados puramente caóticos, ensaia regularmente na cave de uma alfaiataria encerrada desde 1958. Os seus membros são Sebastian Zorn (saxofone tenor), Idálio Alzheimer (piano), Ignacio Kagel (contrabaixo) e Anatole Kopek (bateria). Embora ensaiem há três décadas nunca se conseguiram apresentar ao vivo. As desventuras destes músicos sem qualquer talento são apenas um pretexto para entrar num mundo com centenas de personagens, a maioria entregando-se a ocupações improváveis e preocupações inverosímeis».
Para saberem mais podem dirigir-se a http://www.devir.pt/ e procurar a entrada banda desenhada portuguesa. Está lá tudo. Mesmo.
Djavan...

Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia,
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você.
E tudo nascerá mais belo,
O verde faz do azul com amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris
Pérolas aos poucos
eu quero ver as ondas se quebrar
eu jogo pérolas pro céu
pra quem pra você pra ninguém
que vão cair na lama de onde vêm
eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
e o cego amor entrego ao deus dará
solto nas notas da canção
aberta a qualquer coração
eu jogo pérolas ao céu e ao chão
grão de areia
o sol se desfaz na concha escura
lua cheia
o tempo se apura
maré cheia
a doença traz a dor e a cura
e semeia
grãos de resplendor
na loucura

[eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
eu quero ver o fogo se queimar
e até no breu reconhecer
a flor que o acaso nos dá
eu jogo pérolas ao deus dará]
Zé Miguel Wisnik
Discretamente...

Poesia
Segunda-feira, Março 21, 2005
Juro que não acampei; menos férias judiciais
Mas tenho de acampar antes que o Sócrates me tire um dos dois meses de férias judiciais que tinha!
Onde andam, meus amigos, onde?
Conforme a vida que se tem o verso vem
- e se a vida é vidinha, já não há poesia
que resista. O mais é literatura,
libertinura, pegas no paleio;
o mais é isto: o tolo de um poeta
a beber, dia a dia, a bica preta,
convencido de si, do seu recheio...
A poesia é a vida? Pois claro!
Embora custe caro, muito caro,
e a morte se meta de permeio.
Enquanto eles não chegam...
O meu sentido interno predomina de tal modo sobre os meus cinco sentidos que vejo as coisas desta vida - estou convencido disso - de modo diferente dos outros homens. Existe - existia - para mim um significado riquíssimo em algo tão ridículo como a chave de uma porta, um prego na parede, os bigodes de um gato.
Há, para mim, toda uma plenitude de sugestão espiritual numa galinha com os seus pintos a atravessarem a estrada com ar pimpão. Há para mim um significado mais profundo do que os medos humanos no aroma do sãndalo, nas latas velhas deitadas num monturo, numa caixa de fósforos caída na valeta, em dois papéis sujos que,num dia ventoso, rodopiam e se perseguem pela rua abaixo.
Pois a poesia é assombro, admiração, como de um ser caído dos céus que toma plena consciência da sua queda, espantado com o que vê. Como alguém que conhecesse a alma das coisas e se esforçasse por recordar esse conhecimento, lembrando-se que não era assim que as conhecia, não com estas formas e nestas condições, mas não se lembrando de mais nada.
Fernando Pessoa in Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal, Assírio & Alvim
Para celebrar a chuva... faz-nos falta!
dramaturgos e proferas
a chuva dos manifestos
fecunda a horta das letras.
Chovem bátegas de sílabas
Chovem doutrinas e tretas
chovem ismos algarismos
que numeram os poetas.
Chovem ciências ocultas
Chovem ciências concretas
e nascem alfaces cultas
para poemas-dietas.
Chovem tiros de espingarda
chovem pragas e lamentos
e cresce a couve lombarda
nos quintais do sentimento
(...)
Para o poeta que chova
por dentro, em razão inversa,
forçoso é ter guarda-chuva
contra a palavra perversa
que foi um chão que deu uva
e hoje só dá conversa.
José Carlos Ary dos Santos
Pergunta
Rui, Wal, Hélder C., P.Vilarinho...
Não é possível que tenham ido todos acampar...
Sinto-me desamparada, pois claro que sinto!
A primavera & a poesia: hoje
um dia de primavera
e cantámos
a simples glória
de estarmos vivos (...)
Cristina Nobre, in Dia após dia
(...)
Inquietação: não tocar senão
com as pálpebras
os seus lábios maduros.
Relembro as paixões mais antigas e versos
perdidos no rio: não uma a uma
com as horas, as folhas do limoeiro.
Apenas o que da sua fome ficou por habitar
ou dizer. (...)
Francisco José Viegas in Metade da Vida
Quem me leva a voz
para debaixo das ramadas
esperando que achuva passe?
Aprecio vê-la escorrer
sobre os amantes.
Quem anda à chuva
não lhe pesa o coração.
(...)
Vasco Ferreira Campos in A Voz à Chuva
São horas de voltar. Tu já não vens, e a espera
gastou a luz de mais um dia. Agora, quem passar
trará um corpo incerto dentro do nevoeiro,
mas terá outro nome e outro perfume. Eu volto
à casa onde contigo se demorou o verão e arrumo
os livros, escondo as cartas, viro os retratos
para a mesa. Sei que o tempo se magoou de nós,
sei que não voltas e ouço dizer que as aves
partem sempre assim, subitamente. Outras virão
em março, apago as luzes do quarto, nunca as mesmas.
Maria do Rosário Pedreira in A Casa e o Cheiro dos Livros
Sábado, Março 19, 2005
Um brinde...

The Blower's Daughter
And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new
Tenham um bom Dia do Pai

Acampar na Páscoa
Sexta-feira, Março 18, 2005
For Him Magazine e outras questões
«Men's Health», «Ego», «GQ» e «Maxman» são outros títulos dirigidos a este target.
O que as distingue? Que homens as compram?
Dizer que são os “sapiens, sapiens” não é objectivo!
Nesta “categoria” estamos todos e, apesar das especializações, homens lêem a «Máxima», a «Activa», a «Elle», revistas destinadas a mulheres e mulheres lêem, também, as publicações dedicadas aos homens.
Mas tem de haver diferenças, motivações distintas.
Se afinal há mercado para todas e …venha mais uma!?
E, no caso, esta mais uma, segundo li, é a genuína, a original revista lifestyle masculina. Parece que, por toda a Europa este mercado está no puro dinamismo e a FHM, chegou a Portugal, 28º país a recebê-la, para destronar a actual líder deste mercado – a Maxmen.
Da FHM diz-se que é sexy, útil, divertida, relevante.
O seu conteúdo é feito de jornalismo, moda, beleza, entrevistas, máquinas, carros, gadgets, curiosidades, humor, artigos de comportamento, fotografias e modelos femininos.
E quem serão este leitores da FHM?
De acordo com o que li são homens «entre os 20 e os 40 anos, bem lançados na carreira e a viverem os seus golden years. Provavelmente ainda não se casaram e vão com os amigos à neve, ao futebol, ao ginásio. Têm rendimentos para comprar telemveis, computadores e roupa e começam a preocupar-se mais com a aparência».
Como é que os outros títulos vão fidelizar os seus leitores. Qualidade dos conteúdos, lay outs mais apelativos? A análise terá de ser mais profunda e extrapola matérias e design. Apela a análises multidisciplinares e abrangentes sobre o mesmo objecto de estudo: o género masculino. Qualquer director de marketing, por exemplo, que queira incluir no seu plano de meios estas revistas especializadas, pede a óbvia tabela de preços da publicidade e o estudo sobre cada uma, para saber qual o posicionamento de cada revista no mercado. E define se investe ou não. Se dirige bem o seu produto, se o promove no meio certo.
Mas quem são esses homens, afinal? Do que é que gostam? O que é que consomem?
De quando em vez surgem nichos bastante específicos. Recentemente surgiu o metrossexual. Quem é este homem, “descoberto” pelo jornalista inglês, Mark Simpson? Este homem vivo e emergente. Não se trata de nenhuma descoberta da antropologia física ou da arqueologia.
Nenhuma ossada para analisar, portanto!
Pelo que sei, o conceito designa o homem metropolitano, heterossexual, empreendedor, entre os 25 e os 45 anos, vive em grandes cidades, é um excelente consumidor e não dispensa o espelho. Mima o corpo e a alma. É macho. Gosta de mulheres, pode querer ser pai.
O “rótulo” pode, pelos vistos, aplicar-se a todos os homens que vivem em grandes centros urbanos e que não se importam de exibir, por que o assumem, o seu lado mais feminino.
Li, ainda, que o ícone dos metrossexuais é o jogador inglês David Beckham.
Este “novo” homem emergente gosta de jóias, produtos de beleza, roupas caras e diferentes, carros desportivos, ganha e gasta muito dinheiro e anonimato não é com ele. Faz manicura, pinta o cabelo, faz limpezas faciais, massagens e spa`s, cuida dos lábios e das mãos. Recorre à cirurgia plástica gosta e sabe cozinhar tem “instinto” paternal e lida com biberões e fraldas com prazer e know-how, não se aborrece com idas ao shopping.
E como se classificam todos os outros homens que não "cabem" nesta definição?
Por exemplo, os que gostam de viver no campo, tem pavor a grandes cidades, são fiéis ao Old Spice, não têm preocupações estéticas, o único corte que usam é “máquina zero”, só vão a um barbeiro, só usam o relógio que herdaram do pai ou do avô, para que vistam uma camisola ou camisa diferente, alguém tem de as fazer rodar no gavetão ou no guarda-roupa, não sabem nem querem cozinhar, não usam caqui, porque não aprenderam essa cor na escola primária, não comem fruta para não terem de a descascar, não vão ao cinema porque estacionar o carro é uma chatice, não usam roupa que exiba a marca de forma ostensiva, não usam cor-de-rosa porque é uma cor feminina…e por aí fora. Serão raros? Justificariam uma publicação só para eles e para todos os outros que também não se "inserem" aqui? Ou eles também compram as FHM`s?
Seria uma longa conversa, creio.
QUANDO FORES VELHA
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

A quem interessar...
Grande animal!
Falta de paciência
Para já, vamos esperar para ver. Mas admito que o blogue possa migrar em breve para outras paragens, se os problemas continuarem. A ver vamos.
Para canção do dia escolhi Media Vuelta, numa versão de Luis Miguel. O mexicano nunca foi um dos meus cantores favoritos, embora louve o trabalho que ele tem feito para recuperar alguns boleros e tangos que corriam o risco de cair no esquecimento. Mas sempre gostei deste Media Vuelta, em parte pela letra, em parte pelo arranque com os "mariachis". Além disso, o videoclip desta canção, filmado a preto e branco numa velha cantina mexicana, é simplesmente soberbo. E julgo ainda que, tendo em conta o tempo primaveril que atravessamos, não fica nada mal começar o dia com uma cançãozinha que convida à languidez. Sou um sibarita, essa é que é essa. Por outro lado, esta história de escolher uma canção mexicana é um excelente pretexto para colocar no ar uma fotografia da divina Salma Hayek. É só vantagens, meus amigos (e amigas, pois claro).

La media vuelta
Te vas porque yo quiero que te vayas
A la hora que yo quiera te detengo,
Yo sé que mi cariño te hace falta
Porque quieras o no
Yo soy tu dueño
Yo quiero que te vayas por el mundo
Y quiero que conozcas mucha gente
Yo quiero que te besen otros labios
Para que me compares
Hoy, como siempre
Si encuentras un amor que te comprenda
Y sientas que te quiera más que nadie
Entonces yo daré la media vuelta
Y me iré con el sol
Cuando muera la tarde
Te vas porque yo quiero que te vayas...
Quinta-feira, Março 17, 2005
Impressionante!
E por falar em paciência...
A eleição para a presidência da câmara, disputadíssima, aconteceu a menos de um mês. O PT, partido do meu querido presidente, disputou até com ele mesmo. E entre candidatos homéricos, vence um deputado de um partido quase nulo. Se fosse futebol, seria uma zebra daquelas!Nem situação, nem oposição. Um partido que tenta agradar a gregos e a troianos, dentro da câmara, claro. E vem conseguindo.
Severino Cavalcante venceu com sobra de votos. Um espanto. Severino, nome de nordestino sofrido. Cara de nordestino bem do nordeste mesmo. Severino faminto que venceu, acreditem, prometendo dobrar o salário dos parlamentares. Não conseguiu. Seria um escândalo na câmara depois de toda a novela que se seguiu para aumentar o salário mínimo. O salário do povo. Daria muito nas vistas. Mas Severino não desistiu e todos os dias surge com novas propostas e disparates. Parece uma criança solta numa loja de doces. Quer encher os bolsos e não disfarça.
Ontem, Severino teve uma vitória. Conseguiu aumentar as taxas a serem gastas com as assessorias, que são os locais onde os políticos costumam empregar seus familiares por aqui. Isso, Severino, você conseguiu aumentar a renda familiar dos parlamentares! Severino hoje me aparece na tv dizendo que os deputados que não concordam com a proposta não devem receber. Concordo. Seria um exemplo e tanto de dignidade que julgo inexistente. Advinhem quantos vão fazer isso. Se alguém fizer, eu prometo que escrevo uma ode em sua homenagem e mordo a língua. Porque não concordar é uma coisa, mas entre o discurso e a realidade vai lá uma grande diferença, ainda mais neste terreno arenoso da política. O que mais me espanta e até me deixa encantada é a autenticidade de Severino em não esconder o que é. Cínico de menos? A política brasileira é que é cínica demais. Puro cinismo camuflado em bandeiras de “para o povo e pelo povo”.
Fim de tarde
AQUARELA
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cair num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.
Vai voando, contornando a imensa curva norte e sul
vou com ela viajando o Havaí, Pequim ou Stambul.
Pinto um barco à vela branco navegando
é tanto céu e mar num beijo azul.
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
E se a gente quiser....... Ele vai pousar.
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida
De uma América a outra eu consigo passar num segundo
giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
e ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está.
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vidae depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia em fim
Colorirá....
Atrasada
Filminho
O Irão...
O Comboio em Portugal
No entanto, aquando da edição do post, algo correu menos bem e não surgiu nem o site nem o nome do autor do texto: Guerra Junqueiro. Está rectificado.
We found it!
Blogger sucks!
Língua de fora
A bênção da locomotiva
Desenrolando o fumo em ondas pelo ar.
Mas, antes de partir mandem chamar a Igreja,
Que é preciso que um bispo a venha baptizar.
Como ela é concerteza o fruto de Caím,
A filha da razão, da independência humana,
Botem-lhe na fornalha uns trechos em latim,
E convertam-na à fé Católica Romana.
Devem nela existir diabólicos pecados,
Porque é feita de cobre e ferro; e estes metais
Saem da natureza, ímpios, excomungados,
Como saímos nós dos ventres maternais!
Vamos, esconjurai-lhes o demo que ela encerra,
Extraí a heresia ao aço lampejante!
Ela acaba de vir das forjas d'Inglaterra,
E há-de ser com certeza um pouco protestante.
Para que o monstro corra em férvido galope,
Como um sonho febril, num doido turbilhão,
Além do maquinista é necessário o hissope,
E muita teologia... além de algum carvão.
Atirem-lhe uma hóstia à boca fumarenta,
Preguem-lhe alguns sermões, ensinem-lhe a rezar,
E lancem na caldeira um jorro d'água benta,
Que com água do céu talvez não possa andar.
Guerra Junqueiro
Ps. dedicado à Pitonisia, pela dica do site e pelo seu humor inteligente!

A bênção da locomotiva
A obra está completa. A máquina flameja,
Desenrolando o fumo em ondas pelo ar.
Mas, antes de partir mandem chamar a Igreja,
Que é preciso que um bispo a venha baptizar.
Como ela é concerteza o fruto de Caím,
A filha da razão, da independência humana,
Botem-lhe na fornalha uns trechos em latim,
E convertam-na à fé Católica Romana.
Devem nela existir diabólicos pecados,
Porque é feita de cobre e ferro; e estes metais
Saem da natureza, ímpios, excomungados,
Como saímos nós dos ventres maternais!
Vamos, esconjurai-lhes o demo que ela encerra,
Extraí a heresia ao aço lampejante!
Ela acaba de vir das forjas d'Inglaterra,
E há-de ser com certeza um pouco protestante.
Para que o monstro corra em férvido galope,
Como um sonho febril, num doido turbilhão,
Além do maquinista é necessário o hissope,
E muita teologia... além de algum carvão.
Atirem-lhe uma hóstia à boca fumarenta,
Preguem-lhe alguns sermões, ensinem-lhe a rezar,
E lancem na caldeira um jorro d'água benta,
Que com água do céu talvez não possa andar.

Squooosh!
Somewhere Only We Know
Espanha e Portugal: violência doméstica?
En nuestros días la «invasión» ya no toma cariz militar sino económico y los portugueses braman contra la penetración, particularmente en el sector financiero, pero también en otros de menor calibre como el de las telecomunicaciones, el de las grandes superficies o el textil. Braman, también, contra el alto número de profesionales de la sanidad que han ido a Portugal a trabajar o la penetración de ciertas costumbres españolas, como las culinarias, en el país luso. Somos percibidos como «autosuficientes», «arrogantes», «arrojados» y, también y sobre todo, como invasores.
Pois.
(O assunto deste post foi sugerido pelo A. Cravo-Roxo)
Quarta-feira, Março 16, 2005
Desafio do dia
"Che" Mourinho
Diagnóstico
Instantâneo do dia
Leve, leve
CANTOS DO MEU PAÍS

Bijagós, Guiné, Março de 2004.
Canto as mãos que foram escravas
nas galés
corpos acorrentados a chicote
nas américas
Canto cantos tristes
do meu País
cansado de esperar
a chuva que tarde a chegar
Canto a Pátria moribunda
que abandonou a luta
calou seus gritos
mas não domou suas esperanças
Canto as horas amargas
de silêncio profundo
cantos que vêm da raiz
de outro mundo
estes grilhões que ainda detêm
a marcha do meu País
JULIÃO SOARES SOUSA, poeta guineense.
(Um novo amanhecer, 1996)

Faz hoje um ano que regressei de uma viagem à Guiné e às ilhas Bijagós, reserva mundial da biosfera. Os posts feitos na altura estão arquivados e podem ser consultados. Passado um ano, é tempo de começar a preparar o regresso.
Terça-feira, Março 15, 2005
Declaração de Amizade
Aproveito para fumar. Com um charuto caro e os olhos fechados, sou rico. Mas um simples bombom de chocolate escangalha-me os nervos com o excesso de recordações que os estremece. A infância. E entre os meus dentes que se cravam na massa escura e macia, trinco e gosto as minhas humildes felicidades de companheiro alegre do soldado de chumbo e do cavalo de pau. Sobem-me as lágrimas aos olhos e junto com o sabor do chocolate mistura-se ao meu sabor a minha infância ida e pertenço voluptuosamente à suavidade dos dias. Nem por simples é menos solene este meu ritual no paladar. Mas é o fumo do charuto o que mais espiritualmente me reconstroí. Por isso me evoca as horas que morri, mais longínquas as faz presentes, mais nevoentas quando me envolvem, mais etéreas quando as corporizo. Com uma subtil plausibilidade de sabor-aroma empresto outra vez as cores à vida, tão diagonal à certeza rectângula das coisas. Sentemo-nos aqui, Rui. Daqui vê-se mais céu. É consoladora a expansão enorme desta altura estrelada. Dói a vida menos ao vê-la. Não sei de prazer maior em toda a minha vida do que fazer amigos.
It's in your eyes
I can see the love
You try to hide
It's in your eyes
I can feel the hurt
So deep inside
When I look at you
I know your love for me is so true
We can build anything
No matter we wanna do
Let's build oh, this love
Foundation is strong
So open up your heart
And let your feeling fly away
It's in your eyes
Don't hide
What's in your eyes
When I hold you close
I know you're the one for me
You are all I need
To make my dreams come true
I see you comin' every night and every day
When I see you go away
Don't be afraid
Just keep holding on
It's in your eyes
(...)
Hold me
And never let me go
Feel Me
I Love you, yes I do
Take my hand
As long as we're together
I know our love is here to stay
Just open up your heart
And let your feeling fly away
It's in your eyes
I can see the love
You try to hide
It's in your eyes
I can feel the hurt
So deep inside
It's in your eyes
I can see the love
You try to hide
Pauletta Washington
A propósito do novo código da estrada - parte II
Faltavam dez dias para o meu exame de condução. O meu primeiro instrutor – Senhor Silva - era uma homem baixinho, miudinho, de bigodinho, a contar os dias para chegar à reforma. Estava quase.
Usava sapatos Ecco, algumas vezes utilizados para travar os meus ímpetos rodoviários. Na nossa primeira aula fez questão de me explicar teórica e minuciosamente como funcionavam as mudanças e o motor do carro. Depois as aulas foram iguais. Mais rua, menos rua, bem nos arrabaldes da cidade, longe da confusão. Depois, ao fim-de-semana, auto-estrada, via de cintura interna, marginal da Foz do Douro.
Um dia comentei: o meu instrutor, ao sábado, faz-me conduzir até à Foz, manda-me parar o carro e sai. Regressa vinte minutos depois e a aula está no fim. Deve andar indisposto, com algum problema, pensei. Eu enfiada no carro. Ele a caminhar, lentamente, mãos atrás das costas. Entrava, cabisbaixo e dizia: siga.
- Ou conduz muito mal e o instrutor enjoa e tem de ir apanhar ar ou algo está errado nessas paragens na Foz, disseram-me, os funcionários, entre-olhando-se. Parecia um episódio familiar na secretaria da Escola de Condução.
Obviamente que acreditei, piamente, na primeira hipótese. Desanimei.
- Vamos trocar de instrutor. Peça isso, por escrito, que é melhor. Como se fosse iniciativa sua. Está a compreender? Vá por mim. É melhor, dizia-me a Senhora Dona Odete, levantando as sobrancelhas, acima do aro dos óculos.
Acatei o conselho e, na aula seguinte, aparece-me um Senhor Fernando, alto, moreno, todo perfumado. Vivaço nas palavras e nos gestos. Por momentos, achei que íamos entrar numa corrida de automóveis, dada a sua determinação e genica.
-Ora vamos lá. A ver o que vale. Cinto. À direita.
As indicações telegráficas continuaram. Até ao momento de estacionar, numa descida, entre dois carros. Transpirei por tudo que era poro. Não imaginava como fazer aquilo. O carro iria para todo o lado, menos para trás. Menos para aquele lugar balizado por dois automóveis.
- Então! Vamos lá. Quando é o exame?
- Daqui a dez dias, respondi, voz sumida, nervosa.
- Nem daqui a dez semanas! Então não consegue estacionar o carro?
No fim da aula, o Senhor Fernando fez o diagnóstico: eu só sabia andar para a frente. Logo, ou eu estava disposta a um esforço suplementar ou era melhor desistir do exame. Nos dias seguintes fiz a recruta rodoviária.
Aulas extra. Sobe, desce, estaciona. Estaciona, sobe, desce. Trava, arranca. Arranca. Trava. Subidas, descidas, rotundas, cruzamentos, pleno engarrafamento. Realmente, eu tinha andado afastada do trânsito. Preparavam-me, talvez, para conduzir no deserto.
Um dia, foi a vez dos seus sapatos clássicos, gastos mas reluzentes, nos travarem o arranque no sinal vermelho.
- Então, onde está com a cabeça?! A seguir, vire à esquerda.
Virei. E o Senhor Fernando, inclinou a cabeça na direcção do meu ombro, baixou a voz e perguntou, quase sussurando: é segredo?
- Como? Perguntei sem tirar os olhos da estrada.
- É segredo, perguntou, agora, em tom normal.
- É segredo o quê, Senhor Fernando?!
- Que viramos à esquerda.
- Não.
- Então porque não fez pisca?
E sempre que eu me esquecia de dar o sinal indicador de mudança de direcção, o Senhor Fernando perguntava: é segredo? E quando ele não perguntava e eu me esquecia, afirmava: não, não é segredo, Senhor Fernando.
E sorríamos cúmplices, ao ritmo intensivo de um treino exigente. Já nos últimos dias, o Senhor Fernando começou a falar da sua Laurinda, com ternura. E ao sábado de manhã, deixei de ir para a Foz para ir até ao bairro, onde ele morava e ele, da janela do carro, acenava-lhe e dizia-me: é a minha Laurinda.
No dia anterior ao exame, berrou comigo como nunca. E eu, como nunca, nem conseguia por o carro a trabalhar! Na manhã do exame, disse-me: vá lá a fazer isto, caramba! Não esqueça: aqui não há segredos. E não houve.
Fiquei tão bem treinada que, ainda hoje, faço pisca para virar, dentro da minha garagem.
Fá-lo-ia no deserto. Creio. Pois, então, se não é segredo!
Intimidade
- Você quer ser meu abrigo?
Quero comer no teu prato,
Calçar os meus pés nos teus sapatos...
E arrastar.
Eu quero esperar por você.
Pegar suas camisas e esconder...
Esconder pra você não sair
E estar sempre perto de mim
Pra me abraçar...
Eu quero deitar no teu colo...
- Quer ouvir o que tenho pra contar?
Descansar recostada ao teu ombro,
Ouvir teu coração
E me acalmar.
Quero vestir sua camisa...
Com mangas maiores que meus braços...
Correr pela casa, seguindo teus passos
Me abandonar no teu laço...
E te abraçar.
Declaração de amor
Lembrei-me desta história porque preciso de comprar um presente para o meu pai, que hoje celebra mais um aniversário. Eu gostava de lhe dar uma camisa igual, uma camisa que nos devolvesse ao tempo da felicidade em estado puro. Mas isso é impossível. Por isso vou dar-lhe uma coisa qualquer comprada numa loja qualquer, uma coisa que não foi desenhada, cortada e costurada amorosamente pela minha mãe. Uma coisa que eu dificilmente cobiçarei. E para além disso vou dar-lhe o meu amor. E o meu respeito. Reparo agora que esta é, de certeza, a mais difícil declaração de amor que alguma vez fiz. E pública, ainda por cima. Ele vai estranhar. Mas como ele não lê blogues há sempre a possibilidade de não vir a reparar nela.
Declaração de amor
Lembrei-me desta história porque preciso de comprar um presente para o meu pai, que hoje celebra mais um aniversário. Eu gostava de lhe dar uma camisa igual, uma camisa que nos devolvesse ao tempo da felicidade em estado puro. Mas isso é impossível. Por isso vou dar-lhe uma coisa qualquer comprada numa loja qualquer, uma coisa que não foi desenhada, cortada e costurada amorosamente pela minha mãe. Uma coisa que eu dificilmente cobiçarei. E para além disso vou dar-lhe o meu amor. E o meu respeito. Reparo agora que esta é, de certeza, a mais difícil declaração de amor que alguma vez fiz. E pública, ainda por cima. Ele vai estranhar. Mas como ele não lê blogues há sempre a possibilidade de não vir a reparar nela.
Olhares
Sem embargo do tempo se tornar escasso para uma avaliação séria, a verdade é que Portugal inaugurou um novo estilo.
Para já reconhece-se uma afirmação visível de liderança, patente, por exemplo, no processo de constituição do Governo. E não menos inteligente foi a alteração introduzida no figurino da cerimónia posse. Durante os 55 minutos que durou a cerimónia, o País respirou melhor e parecia tranquilo. Quanto ao discurso, parece que Sócrates está a impor o seu estilo e voz de comando. Uma breve análise conteúdo evidencia termos que se repetem: «caminho», «rumo», «para onde ir». Longe de estarmos perante expressões escolhidas ao acaso, como alguém escrevia hoje, revela «um misto de clássico “homem do leme”, com a muito em voga “atitude à José Mourinho”. Resta esperar pelos resultados. Se José Sócrates vingar, espera-o não Stamford Bridge mas mais quatro anos em São Bento. Se falhar, ficará muito provavelmente para a história como um governante teimoso e com mau feitio”.
Até ao momento, o Primeiro Ministro geriu – sem comprometer -, o seu desígnio político. O que, necessariamente, nos tempos que correm, constitui uma revelação impressiva.
Iuuupiii!

Hoje está um daqueles dias em que só apetece fazer como o Calvin.
Be nice to your computer...
O homem que semeia o caos
Santana Lopes regressa à presidência da câmara
A maneira desastrada como PSL tem gerido a sua carreira política nos últimos tempos merece ser estudada nas escolas de Ciência Política e, provavelmente, de Psiquiatria. De "ungido" a caso clínico em meia dúzia de meses. Mete dó. Como diz a frase da Bíblia, "Quem vive pela espada, morre pela espada" - mas devíamos ser todos poupados a esta agonia em praça pública. Como qualquer pessoa sem rumo, PSL merece pelo menos a nossa compaixão. É horrível dizer isto, eu sei, mas é verdade.

Não é um banal esfregão mas sim um livro! Um livro-objecto editado, recentemente, pela PALAVRA! Um presente original, para dispor bem. Pode provocar gargalhadas, sorrisos ou sorrisos amarelos!

BILHETE
ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
.....tem de ser bem devagarinho,
.....amada,
.....que a vida é breve,
.....e o amor
.....mais breve ainda.
Mario Quintana
Bom dia
Vida Académica
Links
Segunda-feira, Março 14, 2005
De regresso?Optimus????
Numa operadora de telemóveis, por sinal aquela cujo PDG (ou CEO...) - um dos mais ricos do Mundo - se queixa de que há "abuso de posição dominante" no sector, para se proceder ao carregamento do telemóvel no Multibanco, aparece no monitor 10 Euros, quando o mínimo é 7,50E. A culpa vai ser da SIBS...
Por que o futebol merece uma festa
A paixão não. É adquirida, altamente pegajosa e, por isso, um mal nacional.
No país do futebol, a bola é musa. É o centro. E já foi considerada uma grande inimiga dos estudos. “Pra quê estudar, mãe?! Eu vou ser jogador de futebol!”, dizia o garoto antes de ganhar a rua e alcançar o campinho improvisado pra jogar uma “pelada”, como dizem por aqui.
Mas este é um conceito que vem mudando em escolas de bairros pobres de minha cidade. Aqui no Brasil, ainda mais na Amazônia, quando se diz “pobre”, se quer dizer miserável. A linha é bem mais abaixo.
Numa dessas escolas que faz da bola uma aliada, o futebol salva e vem ajudando alunos com baixos conceitos a melhorarem as notas em sala de aula.
Todo o trabalho é feito por voluntários. Tem pedreiro que perde uma diária nos sábados pra ajudar a molecada a melhorar a performance em campo. Tem cinegrafista que investe umas horinhas batendo bola com a garotada. Tem professor que faz hora extra sem ganhar um real a mais. Tem até ex-jogador famoso que aparece vez ou outra pra dar uns conselhos. O retorno vem em forma de resultados animadores. João, 13 anos, irmão mais velho de Pedro, era mais um aluno problema. Hoje, Pedro quer ser igual a João. O menino, que já se envolveu com drogas e passou duas vezes pela casa de detenção de menores infratores, é uma das revelações. Deu um salto na produção escolar e, de quebra, dá show de bola. Sonha com o estrelato, mas por enquanto nem pensa em desistir dos estudos. Pergunto se ele tem algum ídolo. Ele responde “meu professor de futebol”.
Os professores são craques de solidariedade que vem driblando a pobreza e as adversidades para construir sonhos. Mesmo sem recursos, marcam gols de placa contra a delinqüência infanto-juvenil, ajudam a melhorar o rendimento escolar e a diminuir o índice de evasão. Mais do que uma fábrica de craques, a escolinha solidária vem se transformando numa fábrica de esperanças pra quem não tinha futuro.

Em Roma sê romano. E o herdeiro da coroa britânica lá fez a tradicional saudação da tribo Maori. Não só "esfregou" o nariz dos nativos como o de todos os altos dignatários locais. Na Austrália. Quem me dera !

Também não é preciso exagerar...
- Quero a paz no mundo.
- Paz no mundo...certo! Mais alguma coisa?
- Quero a vitória do Benfica no campeonato...
- Pedes pouco.
- Pois. Sou pouco ambicioso.
**********
- Posso pedir outra coisa?
- Diz...
- Quero viver um grande amor!
- Pensei que já estavas servido.
- Os grandes amores nunca são de mais!
- Se tu o dizes...
A propósito do novo código da estrada - parte I
Recorrendo à banalidade, a minha vida pode dividir-se num a.c e num d.c – antes da carta e depois da carta.
Antes da carta, por exemplo, fui chamada para um novo emprego a que me tinha candidatado e ao fim de três entrevistas, disseram-me que o lugar era meu.
- Parabéns. Vamos agora acertar o seu vencimento. Contas feitas, não fica a perder, pois, optamos por lhe atribuir uma viatura da empresa, diz-me, caloroso, o director.
Tentei, por diversas vezes interromper, enquanto ele divagava sobre a marca do carro, a rodagem do carro, o motor do carro…
- Desculpe, disse enfim, eu não tenho carta por isso não preciso do carro.
Dez minutos após ter sido demitida fui despedida.
- Inimaginável. Está a brincar comigo! Como é que não tem carta, perguntava o director, braços no ar, colérico. Como é que não tem carta?
Pois em nenhuma linha do meu CV dizia ter carta de condução, expliquei-lhe, advertindo-o para o facto de me estar a gritar. Tinha o direito de se indignar, mas de me gritar, não. Levantei-me para me ir embora.
- Espere aí. Vamos lá negociar isto, novamente. Mas tem de tirar a carta.
Anos, muitos anos mais tarde, após este episódio, em circunstância quase secretas fui tirar a carta. Converteu-se numa questão de honra. E a honra, como sabemos, é uma questão antiga e muito séria na vida das comunidades e das pessoas.
Não foi a condução que me custou. Foi o código. O código da estrada conseguiu deixar a minha auto-estima de rastos. Um dia, no fim da aula, o técnico perguntou: alguém tem dúvidas? Levantei o dedo.
- Porque é que esta cruz, de que nos falou, se chama Cruz de Santo André?
A gargalhada geral, estridente, reduziu-me a alcatrão. Senti-me uma nódoa. Uma nódoa com dúvidas. Mas uma nódoa. Fui aconselhada a não fazer perguntas. Que decorasse. Aquilo era uma questão de decorar. Mais nada.
E, caso não acreditasse em milagres, tinha motivo para me converter.
Lá consegui induzir a cartilha. O vulgar “pisca” é «um sinal indicador de mudança de direcção», o eixo da faixa de rodagem, «é uma linha longitudinal, materializada ou não, que divide uma faixa de rodagem em duas partes, cada uma afecta a um sentido de trânsito», a auto-estrada é «uma via pública destinada a trânsito rápido, com separação física de faixas de rodagem, sem cruzamentos de nível nem acesso a propriedades marginais, com acessos condicionados e sinalizados como tal». E a todas estas definições juntou-se uma panóplia de significados que, naquele período, abalaram a minha vida. Até os meus sonhos. Neles passaram a mover-se automóveis, motociclos, motocultivadores, quadriciclos, ciclomotores, tractores agrícolas, velocípedes, tractocarros e reboques. Até o triciclo da minha infância deixou de ser encantador! A matéria onírica expandira-se. E, literalmente, os meus sonhos eram sinalizados por cruzes de Santo André e afins. Ele era contra-ordenações graves e muito graves. Toda a espécie de coimas e cilindradas superiores e inferiores a 50 cm3! Ele era taras e pesos brutos, pontes, túneis e velocidades. Até ao dia em que me sentei, pela primeira vez, ao volante de um carro – sim, poderia voltar a chamar-lhe simplesmente carro – e, feliz, passei a ponte da Arrábida, comigo ao volante. Quando, a dez dias, do exame de condução descubro que só sabia conduzir… para a frente e mudei de instrutor!
Nota para o Rui Baptista: meu caro blogger-mor claro que não estás sózinho!
Manhã complicada, foi o que foi! Aproveitei hora do almoço para esgalhar este textito! E, a final, quem tem um blog, descobri recentemente, nunca está sózinho! Abraço. Abraços a todos.
Recado aos meus colegas de blogue
Atrium
Bom sinal
Boooceeejoooooooo!

If loving you is wrong I don't wanna be right
If being right means being without you
I'd rather live a wrong doing life
Your mama and daddy say it's a shame
It's a downright disgrace
Long as I got you by my side
I don't care what your people say

Abelha Maia
Who is the new leader of China?
George B. : - Oh Condoleeza, nice to see you. What's happening?
Condoleeza : - Well, Mr. President, I have the report here about the new leader in China.
George B. : - Great, Condi. Lay it on me.
Condoleeza : - Mr. President, Hu is the new leader of China.
George B. : - Well, that's what I want to know.
Condoleeza : - But that's what I'm telling you, Mr. President.
George B. : - Well, that's what I'm asking you, Condie. Who is the new leader of China?
Condoleeza : - Yes.
George B. : - I mean the fellow's name.
Condoleeza : - Hu.
George B. : - The guy in China.
Condoleeza : - Hu.
George B. : - The new leader of China.
Condoleeza : - Hu.
George B. : - The Chinaman!
Condoleeza : - Hu is leading China, Mr. President.
Domingo, Março 13, 2005
Passos em Redor
Aos Domingos,
iremos ao jardim.
Entediados,
em grupos familiares,
Aos pares,
Dando-nos ares
De pessoas invulgares,
Aos Domingos iremos ao jardim.
Diremos nos encontros casuais
Com outros clãs iguais,
Banalidades rituais
Fundamentais.
Autómatos afins,
Misto de serafins
Sociais
E de standardizados mandarins,
Teremos preconceitos e pruridos,
Produtos recebidos na herança
De certos caracteres adquiridos.
Falaremos do tempo,
Do que foi, do que já houve...
E sendo já então
Por tradição
E formação
Antiburgueses
- Solidamente antiburgueses-,
Inquietos falaremos
Da tormenta que passa
E seus desvarios.
Seremos aos domingos, no jardim,
Reaccionários
Reinaldo Ferreira
- Sim?
- Já reparaste que não vai ninguém à nossa frente?
- Hein?
- Não vai ninguém à nossa frente...
- Vai pois. Ainda agora fomos ultrapassados por um BMW.
- Não é isso...não vai ninguém à nossa frente no campeonato.
- Ah!...e isso é importante?
- Claro! É vital!
- Porquê?
- Porque sim...
- Tá bem, querido. Se isso te faz feliz...mas não tires os olhos da estrada se não ainda temos um acidente.
- Pois...
Humor russo
EST Abrantes
Mais umbiguismo. Como mostra a fotografia, o Amor e Ócio esteve representado num debate sobre blogues organizado pela Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. O debate foi vivo e divertido. O resumo do Correio da Manhã, pode lido aqui, num dos blogues de Jorge Ferreira. Moderado por João Pedro Dias (o "patrão" do Política Pura, colaborador do Senhora do Monte), o debate contou com os seguintes participantes:
Ana Anes, escritora e jornalista.
António Pinheiro Torres, ex-deputado do PSD, activista católico.
Luís Santos, docente na Universidade do Minho, ex-jornalista.
Blogue da semana
Castelo Branco
Sábado, Março 12, 2005
Não vejo ninguém à nossa frente!

Post dedicado aos meus amigos portistas
Discretamente...

Como quem não quer a coisa...

Sem dar nas vistas...

Tentando passar despercebido...

Sexta-feira, Março 11, 2005
23 dias depois
A Central das Frases
…e afinal não pudemos telefonar…
…ai nem queiras saber o engenheiro…
…se me dão licença eu vou contar…
…penses nisso era só o que faltava…
…não as outras duas é que são as tais…
…mas o senhor presidente autorizava…
…na avenida centenas de pardais…
…de facto muito inteligente…
…ó filha por aqui fazes favor…
…que veio ontem p'ra falar co'a gente…
…é mesmo lá ao fim do corredor…
Alexandre O'Neill
Saudades...
Um riso, uma festa, um violão
Lembranças que hoje trago
Vivas na memória...
Fragmentos de uma velha história.
Não tem jeito.
A saudade invade o peito
E a vontade de chorar
Faz a garganta engasgada.
A maquiagem manchada
Da lágrima teimosa...
É o espinho da rosa'
Que fere.
Que queres?
É a dor de não te ter bem perto
De não saber ao certo
Que rumo tomar...
A dor da tua falta que vai passar.
Lentamente...
E docemente
Tua lembrança vai ficar gravada.
E como lhe agrada,
A vida vai continuar. Sem ti.
O mundo vai girar sem ti.
E tudo vai voltar aos eixos, sem ti.
Mas agora,
Senhora,
Permite-me chorar a tua falta.
Mostrar a mágoa de te ver partir...
À minha grande amiga, Ana Hawkins.
Incrível. As pessoas nos parecem mais preciosas quando, de repente, nos são tomadas...
Coisas soltas
- Começa hoje e termina a 20 de Março. Falo do VII Famafest que, nesta edição, homenageia Manoel de Oliveira com o galardão Pena de Camilo. Quem quiser espreitar www.famafest.org
- Sugestivo o desdobrável, encartado numa revista, que nos incita a um fim-de-semana em cheio. Uma espécie de catalizador de vontades. Só. Pelo que vi é uma acção promocional do Instituto de Turismo de Portugal e da ANRET - Regiões de Turismo de Portugal. www.regioesdeturismo.org
- Catarina Machado = BACKWASH = Galeria Sala Maior = Rua de Miguel Bombarda, Porto. A exposição desta pintora, mulher das ondas, senhora da energia, menina do mar, está patente até 12 de Abril. A não perder.
- Li, hoje, na revista Visão uma entrevista de Sara Belo Luís a AMOS OZ, «o escritor que dizem ser profeta» e que «todos os anos surge nas listas de escritores "candidatos" ao prémio Nobel.
Águas de março...
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.
Tom Jobim.
11-M, um ano depois
Here's looking at you, kid!*

Perhaps this final act was meant
To clinch a lifetime's argument
That nothing comes from violence
And nothing ever could
For all those born
Beneath an angry star
Lest we forget how fragile we are
On and on the rain will fall
Like tears from a star
Like tears from a star
On and on the rain will say
How fragile we are
*Saudação de Humphrey Bogart a Ingrid Bergman no filme Casablanca.
Pacheco Pereira é de direita?
Dois contra um
A substituição, no Quadratura do Círculo, de José Magalhães (que vai para o Governo) por Jorge Coelho mostra que se trata explicitamente de uma representação partidária. Volto portanto à minha pergunta de há meses: por que é que nesse programa a direita tem dois representantes e a esquerda somente um?A pergunta de Vital Moreira é pertinente mas assenta numa premissa errada: Pacheco Pereira não é de direita. Ou é?
Redacção
Uma senhora pediu-me
um poema de amor.
Não de amor por ela,
mas «de amor, de amor».
À parte aquelas
trivialidades «minha rosa, lua do meu céu interior»
que podia eu dizer
para ela, a não destinatária,
que não fosse por ela?
Sem objecto, o poema
é uma redacção
dos 100 Modelos
de Cartas de Amor.
Alexandre O'Neill (1924-1986)
Quinta-feira, Março 10, 2005
Apostar na alegria

Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu
Ficou só você eu eu
Quando você me viu...
Cair do alto
Esquecida, a cismar num mundo de riqueza:
Supunha-se num baile, um conde apaixonado
Segredava-lhe: «Adoro-a!… Eu mato-me, marquesa!…»
Ah! se fosse fidalga!… Ao menos baronesa…
Que baile! que esplendor na noite de noivado!…
Estremeceu, nervosa, achou-se na pobreza,
E o piano soltou um grito arrepiado.
Absorvida outra vez, prendeu-se-lhe o sentido
À mesma ideia – o luxo. Ia comprar cautelas…
E imaginou de novo o conde enfurecido…
Um palácio, um coupé, esplêndidos cavalos…
Nisto o marido entrou, de óculos e chinelas,
E miou com ternura: — «Anda aparar-me os calos».
Garcia Monteiro
Por supuesto

Quarta-feira, Março 09, 2005
Genial
(Quem inventa coisas destas devia receber uma medalha...)
Adenda: já há candidatos à medalha. O Miguel Marujo, aveirense perdido em Lisboa, deixou este comentário:
Amigo
esse número foi criado à volta de uma mesa na redacção do Mais Futebol - e postada no blogue do jornal, o Princípio da Pubalgia (maisfutebol.blogspot.com). Há por lá muito boa gente a escrever... e a telefonar .
Boa! Um abraço para a malta do Mais Futebol.
O post do dia (até agora)
A nova ministra da educação é sociologa.
João Miranda, no Blasfémias. O discípulo predilecto do professor Pedro Arroja não se fica por aqui e adverte mais à frente: "Um blog pode ter mais influência que um partido."
Claro que pode. Em especial se esse partido se chamar PND. Não é CAA?
Uma, entre muitas viagens de comboio
De manhã, cedo. Muito cedo. Saltei da cama e já o meu coração não estava no peito. Sequer tinha adormecido comigo. Ficara vigilante, talvez da minha alegria, talvez redentor das minhas asas. Nesse tempo eu era capaz de voar. Mas fui de comboio.
Ainda hoje um comboio, assente numa linha de ferro, me comove e procuro uma estação como quem procura um santuário.
Parti cedo, do Porto, linha do Tua acima.
Partíamos. Ainda não sabíamos mas partíamos juntos. Em direcção aos mesmos sonhos, ao mesmo lugar e com a mesma paixão. E da janela do comboio, horas antes de nos conhecermos, já pousavamos o olhar na paisagem emocional, na geografia de afectos da nossa infância. O rio, não era apenas o Douro, era o movimento serpenteado do comboio por entre fragas giestas e rosmaninhos. Embalados, o sol entrava morno nas carruagens e catalizava o nosso regresso. Sem sabermos, ambos, dávamos conta da quase primavera pelos mesmos sinais. A casca das árvores, a cor da terra, o sorriso altivo dos montes.
Ainda não tínhamos trocado uma palavra e já Trindade Coelho nos tinha adormecido à lareira, à mesma hora da lamparina acender.
Conhecíamos tão bem o mesmo calor seco e apertado que se renova com as searas, as lamúrias dos ribeiros, a linguagem dos xistos vermelhos que ardem pousados no Verão.
Ambos sabíamos como é sagrada a sombra de uma figueira.
É inevitável. À porta dos dias dez de Março da minha vida, tu sais do museu vivo que tenho cá dentro. E nem os milhares de letras que nos escrevemos te tornam tão presente.
Exactamente como naquele dia em que comemoramos o centenário da linha-férrea do vale do Tua. Com palavras, sonhos, a mesma paixão.
O coração sibila e dele sai um cavalo de ferro. Sem freio, sem destino, lotado de afectos.
Até parece...
Somos os melhores
Portugueses são os mais noctívagos do planeta
Os portugueses são o povo mais noctívago do planeta: apenas 25 por cento da população vai para a cama antes da meia-noite. Ninguém nos apanha a dormir!. Tenho a certeza de que o os 15' que o professor Marcelo Rebelo de Sousa dorme todas as noites ajudaram a baixar a média. Eu limito-me a dar o meu modesto contributo. E agora deixem-me ir ali num instantinho tirar uma sesta que um homem não é de ferro.

"O" Kofi Annan
Lose yourself
Why deny the obvious child?
And in remembering a road sign
I am remembering a girl when I was young
And we said These songs are true
These days are ours
These tears are free

Terça-feira, Março 08, 2005
Jogaço!
O Barcelona não merecia perder esta noite em Londres. Bateu-se bem, jogou com garra e talento. Teve um Ronaldinho genial. Mas não ganhou. E não ganhou porque do outro lado esteve uma equipa extraordinária, uma equipa à imagem e semelhança do seu treinador, teimosa, arrogante, toda nervo, fibra, músculo. Fico cansado só de ver este Chelsea jogar. Quando Collina deu por terminada a partida eu estava esgotado, como se tivesse andado a correr durante hora e meia no relvado de Stamford Bridge. E só não andei a celebrar aos pulos pela casa porque não quis dar mais argumentos à família para me mandar para uma casa de repouso.
São jogos como o desta noite que nos reconciliam com a vida. E quem não entender isto não entende nada. Agora chamem-me fanático, alienado, fútil ou outra merda qualquer, que eu não me importo.

Cão
Cão passageiro, cão estrito,
Cão rasteiro cor de luva amarela,
Apara-lápis, fraldiqueiro,
Cão liquefeito, cão estafado,
Cão de gravata pendente,
Cão de orelhas engomadas,
De remexido rabo ausente,
Cão ululante, cão coruscante,
Cão magro, cão tétrico, maldito,
A desfazer-se num ganido,
A refazer-se num latido,
Cão disparado: cão aqui,
Cão além, e sempre cão.
Cão amarrado, preso a um fio de cheiro,
Cão a esburgar o osso
Essencial do dia a dia,
Cão estouvado de alegria,
Cão formal de poesia,
Cão-sonêto de ão-ão bem martelado,
Cão moldo de pancada
E condoído do dono,
Cão: esfera do sono,
Cão de pura invenção, cão pré-fabricado,
Cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,
Cão de olhos que afligem,
Cão-problema...
Sai depressa, ó cão, deste poema!

A uma horizontal
e de falas fingidas,
que, alta noite, ao ruído das orgias,
com casquinadas frias,
achincalhavas corações dolentes…
— com prazer vejo que não tens dois dentes!
Gomes Leal
Há um ano...
Alma mía.
sin que nadie comprenda tu sufrimiento,
tu horrible padecer;
fingiendo una existencia siempre llena
de dicha y de placer,
de dicha y de placer...

Si yo encontrara un alma como la mía,
cuantas cosas secretas le contaría,
un alma que al mirarme sin decir nada
me lo dijese todo con su mirada.
Un alma que embriagase con suave aliento,
que al besarme sintiera lo que yo siento,
y a veces me pregunto que pasaría
si yo encontrara un alma como la mía.
Mais nada!
Outros quebravam o seu rosto contra o tempo.
Odiei o que era fácil
Procurei-te na luz, no mar, no vento.
Sophia de Mello Breyner


Uma mulher: Sophia. Sempre.
Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu subito falar
Que me foge de repente
Sophia de Mello Breyner
As perguntas de Badinter
O homem, por definição, um verdugo?
Pode ler-se na capa de «Caminho Errado», de Elisabeth Badinter, recentemente editado no nosso país. «Uma denúncia corajosa do maus caminhos do feminismo radical».
Ainda não o li. Dela, desta filósofa francesa, apenas posso recomendar, com conhecimento e opinião formada, «Amor Incerto».
No entanto, é talvez, «Caminho Errado» que melhor assinala este dia.
Dedicado a fazer-nos reflectir, a reivindicar, a melhorar, a procurar justiça em inúmeras situações e matérias. Pois, de facto, não a há. Tanto não há que foi necessário criar este dia. Para que reparem e ajam.
Mas que este dia sirva também para louvar as diferenças. Cá por mim, ainda bem que existem.

Às mulheres, todas.

Com o marido de uma amiga,
Com a sogra morta, estendida
Ou com uma lipo na barriga?
Mudanças nos comentários
If I ever lose my faith in you
If I ever lose my faith in you
There'd be nothing left for me to do
I could be lost inside their lies without a trace
But every time I close my eyes, I see your face
Segunda-feira, Março 07, 2005
- Sim, a ti.
- E amas-me como?
- Com isto.
- Isso é o fígado
- Bom, enganei-me. Amo-te com o coração
(S. Lanza)
e dizem: «Então é assim»,
com o ar desenvolto de quem se alimenta
do som da própria voz, quando começam
a explicar longamente as actuais tendências
das artes ou das letras ou das sociedades
a pouco e pouco iguais umas às outras
neste primeiro mundo em que nascemos,
agora que o segundo deixou de existir
e que o terceiro, mais guerra, menos fome,
continua abstracto, em folclore distante.
Parece que está morta a metafísica
e que a verdade adormeceu, sonâmbula,
nos corredores vazios onde, às escuras,
se vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos. Todavia,
falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança «propostas» decisivas
e percorre as «vertentes» de novos caminhos
para a humanidade, enquanto saboreiam
a cerveja sem álcool, o café
sem cafeína e sobretudo
o amor sem amor, pra conservarem
o equilíbrio físico e mental.
Os meus contemporâneos dizem quase sempre
que não são moralistas, e é por isso
que forçam toda a gente, mesmo quem não quer,a ser livre, saudável e feliz:
proíbem o tabaco e o açúcar
e se por vezes sofrem, tomam comprimidos
porque a alegria é uma questão de química
e convém tê-la a horas certas, como
o prazer vigiado por preservativos
e outros sempre obrigatórios cintos
de segurança, pra que um dia possam
sentir que morrem cheios de saúde.
Quando contemplo os meus contemporâneos
entre as conversas trendy e os lugares da moda,
«tropeço de ternura», queria ser
plo menos tão ingénuo como eles,
partilhar cada frémito dos lábios,
a labareda vã das gargalhadas
pla madrugada fora. No entanto,
assedia-me a acédia de ficar
assim, mais preguiçoso do que um Oblomov
à escala portuguesa - ó doce anestesia
a invadir-me o corpo, a libertar-me
desse feitiço a que se chama o «espírito
do tempo» em que vivemos, sob escombros
de um céu desmoronado em mil pequenos cacos
ainda luminosos, virtuais
estrelas que se apagam e acendem
à flor de todos os écrans
que os meus contemporâneos ligam e desligam
cada dia que passa, nunca se esquecendo
de carregar nas teclas necessárias
para a operação save
e assim alcançarem a eternidade.
Fernando Pinto do Amaral
A condição física...
Quem sabe se nos futuros elencos governativos os indigitados para o cargo não terão de se submeter a apertados testes de condição física para podermos avaliar da sua real capacidade para o desempenho de tarefas de Estado.
Desde que mergulhou no Tejo, o Prof. Marcelo nunca mais perdoou ao povo…
Domingo, Março 06, 2005
Notas dispersas
Parece-me claro que as declarações de Campos e Cunha foram concertadas com o primeiro-ministro. Nem outra coisa seria de esperar, tendo em conta a maneira como decorreu o precesso de constituição do Governo, sem fugas de informação nem declarações precipitadas nos jornais. Sócrates celebrou a vitória do PS no Altis e depois desapareceu. Ressurgiu no Palácio de Belém com a lista de ministros no bolso. Foi tão parco em palavras que houve quem o acusasse de nada ter para dizer. Mas, afinal, falou pela boca do seu ministro das Finanças e logo para contrariar o que disse durante a campanha eleitoral. É que entre fazer promessas em campanha e governar vai uma grande diferença. E Sócrates já percebeu isso. Em jeito de compensação, lembre-se que antes de admitir a subida de impostos, Campos e Cunha insistiu que a prioridade é reduzir a despesa pública. Valha-nos isso, ao menos.
2. Todos os Governos têm direito a um "estado de graça". A sua duração é que varia. No caso de Gueterres durou quase quatro anos; Durão teve-o até ao Euro-2004 e às europeias; Santana teve-o até à tomada de posse do seu Governo, marcada por aquelas trapalhadas com Teresa Caeiro e Paulo Portas. Com maioria absoluta, Sócrates pode sonhar com um estado de graça prolongado, coisa que não será de admirar tendo em conta a sua meticulosa gestão do silêncio. Mas há sempre um dia em que vai ter que abrir a boca e falar directamente aos portugueses. Há um dia em que vai ter que decidir. E depois cá estaremos, para ver quanto dura a lua de mel do novo primeiro-ministo com os portugueses. Para já, está a ser pouco animada.
3. Vai por aí uma gritaria por causa da inclusão de Freitas do Amaral no Governo. E o próprio tem ajudado à festa, com declarações deselegantes, como aquela em garante que só aceitou integrar o executivo depois de conhecer os nomes dos outros ministros. A direita não perdoa a Freitas a deriva para o outro lado. Mas o que está a acontecer com Freitas não é novidade e só espanta por acontecer num sentido diferente do habitual. Pacheco Pereira, Durão Barroso, Zita Seabra, José Magalhães, Pina Moura, são exemplos de figuras que partiram da esquerda e até da extrema esquerda e se foram aproximando do centro. Freitas está a fazer o mesmo caminho, mas ao contrário. Com a vantagem moral de sempre se ter reclamado como um homem do centro, mesmo nos dias em que dirigia o CDS. Já mais difíceis de rebater são as acusações de quem o acusa de ser anti-americano. Mas há aqui uma correcção a fazer: ele não é anti-americano - é anti-Bush. E isso só lhe fica bem. Sem esquecer a sua vocação atlântica, Portugal tem que assumir a sua condição de nação europeia. Só a Europa, neste mundo pós-guerra-fria, pode contrariar as tendências hegemónicas dos EUA. Até Bush já percebeu isso, como ficou demonstrado na sua digressão europeia. Vamos ter um ministro dos Negócios Estrangeiros que não morre de amores por Bush? So what?
4. Paulo Portas construiu um PP à sua imagem e semelhança. É por isso natural que o partido sinta grandes dificuldades para o substituir. Ainda esmagado pela lição de humildade que recebeu do povo português nas últimas eleições, Portas abandonou a pose de "grávido de Estado", como já antes tinha despido a pele de "Paulinho das Feiras". Está a reinventar-se, mas precisa de tempo. E por isso lá deve avançar Telmo Correia para que Portas continue a mandar por interposta pessoa. Mas esta coisa brincar às criaturas e ao Criador, às vezes dá mal resultado. Lembram-se de Manuel Monteiro.? A propósito, se Monteiro tivesse sabido esperar em vez de se lançar na ridícula aventura do PND, estaria agora na primeira linha da sucessão de Portas. Seria a vingança servida a frio. Seria, mas não é, por muitos Matos Chaves que Monteiro empurre para a corrida.
5. Marques Mendes é o virtual novo líder do PSD. A porta ficou aberta depois de Manuel Ferreira Leite lhe ter dado o empurrão decisivo. Marcelistas, cavaquistas, barrosistas, começam a juntar-se às hostes do deputado por Aveiro, que já garantiu que não quer ser um líder de passagem. Missão difícil, reconheça-se, tendo em conta a confusão que vai pela casa laranja.
Uma Pequenina Luz
Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luzque vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento:
brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia:
brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber:
brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva:
brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância.
Aquino meio de nós.
Brilha.
Jorge de Sena
Sábado, Março 05, 2005
Piadinha anti-americana
O presidente Bush e Tony Blair estão em um jantar comemorativo na Casa Branca.Um de seus convidados se aproxima deles e pergunta:
— Sobre o que vocês estão conversando que estão tão animados?
— Estamos fazendo planos para a Terceira Guerra Mundial. — diz Bush.
— Nossa! — responde o convidado — E quais são esses planos?
— Vamos matar dez milhões de muçulmanos e um dentista!
— Um dentista? Mas por que vocês vão matar um dentista?
Então Bush dá uma palmada nas costas de Tony Blair e diz:
— Não falei? Ninguém irá perguntar pelos muçulmanos!
Equívoco
Aqui


...vão ser substituídos por estes

E nós vamos ver no que isto dá.
(Fotos pescadas no Expresso)
Parabéns ao PÚBLICO

Sexta-feira, Março 04, 2005
Paulo Portas vai para os Estados Unidos
Paulo Portas, Ministro de Estado e da Defesa de Portugal, está a um passo de assinar um contrato de dois anos (com opção por mais quatro) com a administração americana de George W. Bush, faltando apenas resolver questões de pormenor, apurou oIP junto de uma fonte da Casa Branca. Aquela que será, indiscutivelmente, a transferência política do ano, está a ser negociada entre o norte-americano Donald Rumsfeld e o ministro português José Luís Arnaut. Confrontado pelos jornalistas à chegada à Washington, Paulo Portas mostrou-se eufórico com possibilidade de fazer equipa com Rumsfeld, Condoleeza Rice e outros grandes craques ianques: “É um grande momento para Portugal e para os portugueses”, disse o ainda ministro, antes de posar para as fotografias envergando um elegante “pullover” com as cores da bandeira americana.Na conferência de imprensa realizada logo a seguir aos testes médicos efectuados por Paulo Portas (“ele está numa magnífica forma física, embora tenha que trabalhar mais os abdominais”, revelou o dr. Isaac Goldschimt), Rumsfeld revelou que “o amor” da Casa Branca por Paulo Portas já é antigo. “Temos seguido atentamente a carreira dele nos últimos anos e chegámos a fazer uma primeira abordagem, mal sucedida, quando ele esteve em Aspen a passar férias com a mãe”, revelou o secretário da Defesa da administração Bush. Apesar do secretismo que rodeia o negócio, foi possível apurar que Portugal cede Paulo Portas e compromete-se ainda a adquirir aos americanos três submarinos nucleares (mas com as ogivas desactivadas), uma esquadra de aviões de combate em segunda mão da Lockeed e um porta-aviões que sobrou da invasão de Granada e que ficará ancorado em Sines, uma vez que não cabe na doca do Arsenal. Em troca, George W. Bush visitará Portugal em data a anunciar e dará luz verde às empresas portuguesas dispostas a participar na reconstrução do Iraque. A primeira empresa a beneficiar deste estatuto será a empresa “Mostra Lá” (cuja propriedade pertence, em partes iguais, a Helena Sacadura Cabral e a José Bourbon Ribeiro, chefe de Gabinete de Portas), que irá montar um curso de jornalismo livre na Universidade de Bagdad.
Os melhores sons da campanha
Entre-os-rios

Governo novo
Os ministros sem filiação no PS são o ex-líder do CDS Diogo Freitas do Amaral (Estado e Negócios Estrangeiros), Luís Campos e Cunha (Estado e das Finanças), Francisco Nunes Correia (Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional), Manuel Pinho (Economia e Inovação), Jaime Silva (Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas), Mariano Gago (Ciência e Tecnologia e Ensino Superior), Maria Lurdes Rodrigues (Educação) e Isabel Pires de Lima (Cultura).
Dos 16 membros do XVII Governo Constitucional, cinco foram ministros dos executivos de António Guterres: António Costa (Estado e Administração Interna), Alberto Costa (Justiça), Correia de Campos (Saúde), Mariano Gago e Augusto Santos Silva (Assuntos Parlamentares).
Vieira da Silva (Trabalho e Solidariedade Social), Luís Amado (Defesa
Nacional) e Pedro Silva Pereira (Presidência) foram secretários de Estado nos governos de António Guterres.
O actual executivo tem menos três ministros do que o anterior e, segundo o comunicado do PS, será o executivo mais pequeno desde 1991, o segundo de maioria absoluta liderado por Cavaco Silva.
LUSA
Novo Governo
A tirania da urgência
De facilidades. De controle remoto para a tv, para o dvd, para a porta da garagem, do carro, da casa. Há um botãozinho pra tudo! Difícil é lembrar qual botão aciona o quê exatamente.
A palavra chave é `hoje”, o momento, “ agora”.
As informações são instantâneas e variadas. Você sabe o que acontece do outro lado do mundo em tempo record. E o que você sabia num instante já está completamente defasado alguns minutinhos depois.
A comida também é instantânea...
Tempo de internet, de intercâmbio, de globalização, de celular...E o celular rende um texto ‘a parte. Maquininha multi-uso fantástica! Entre outras coisas, serve até pra falar com alguém que está longe.
Tudo tem garantia de rapidez e praticidade.
Mas, vivemos também o pior dos tempos.
De problemas com o computador que resolve todos os problemas, menos os dele.
De memória limitada. É muita informação pra poucos neurônios em funcionamento!
De dificuldades com a agenda lotada. De compromissos inadiáveis, de horas extras, de imprevistos...De o dia só ter 24 horas!
De sono.Quando gente quer ele não vem, quando ele vem a gente não tem tempo.
É a tirania da urgência que nos impõe mudanças que mal percebemos.
Você nunca tem tempo de reler um bom livro, ou de assistir outra vez um filme que achou o máximo.
Já acorda atrasado, mesmo no domingo.
Atende o telefone em casa, diz “Bom dia” e o nome da empresa em que trabalha, seguido da pergunta “ em que posso ajudá-lo?”
Pega um prato pra tomar café , jurando que já é hora do almoço.
Nunca encontra a família acordada, por que sai antes deles levantarem e chega depois que eles já deitaram outra vez.
Come sem saborear o prato. Nunca lembra o que foi o almoço.
Lê os jornais pulando uns parágrafos, que é pra dar tempo de “passar o olho” em tudo.
Lê livros pulando uns capítulos ou lê página sim, página não, página sim, página não...
Vive adiando a ida ao dentista.
Ouve sua música favorita no carro ou no elevador.
Não tem tempo pra conversar, pra sair com os amigos, com a família...Acabei de lembrar que há uma semana eu não converso com minha mãe. Dessas conversas que a gente só tem com mãe mesmo. E eu aqui, em frente a um computador que me cheira a trabalho. Estou cansada e quero colo de mãe agora. Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia. Não devia deixar o que é urgente tomar o lugar do que é realmente importante.
Uma tábua de queijos, por favor!
Falar de vinhos é tão sábio como falar de arte ou física quântica. E, estranhamente, é tão parecido a divagar sobre a vida. A olho nu, até parece que se adejectiva um desconhecido ou alguém que amamos ou esquecemos. De pessoas guardadas na memória ou no coração.
Dizer de um vinho que é austero ou aveludado, firme ou frutado, carregado ou chato parece-me uma coisa genial. Uma sabedoria transcendente.
Dizer de um vinho que é generoso, límpido, leve ou longo, nervoso, neutro ou opaco é de uma sensibilidade extraordinária. Não está ao alcance de qualquer um, mesmo que devoto de Baco.
Dizer de um vinho, com verdade, que é plano, pesado, quente, que tem raça, é seco ou sedoso é mais difícil do que compreender o mistério da activação das papilas gustativas.
E isto já são resultados. Porque antes e em primeiro lugar é olhá-lo com devoção, erguê-lo com santidade e captar-lhe a limpidez, a tonalidade e intensidade da cor. Depois é levá-lo às narinas. Crucial. Dizem que o aroma deverá ser inalado com o vinho em repouso e após agitação. Finalmente, o gosto irá refutar ou afirmar as impressões recolhidas pela visão e pelo olfacto.
Eu gostava de falar de vinhos com sabedoria, principalmente de taninos e castas e, porque não, de mostos e decantações. Seguramente, palavras amantes da l ´art de la table.
Eu, com pena minha, com os vinhos é como o Alberto Caeiro com a natureza.
«Eu não tenho filosofia, tenho sentidos…» e só sentidos sem palavras.
Enomania? Não. Mas um bom vinho tinto, uma tábua de queijos numa mesa «suficientemente grande para lá caberem todos os amigos e suficientemente estreita para que todos se possam ouvir»...parece-me um bom início de fim-de-semana.
"Ai, a minha coluna!"
Última hora
Al otro lado del río
Here comes the sun!

Little darling, I feel that ice is slowly melting.
Ler Bocage (sempre)
SONETO DO PRAZER MAIOR Amar dentro do peito uma donzela;Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:
Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:
Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:
Vê-la rendida enfim a amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.















